Hoje eu tive um dia de merda.
Um dia horrível mesmo, pra ninguém no mundo botar defeito.

Teve cliente que pediu pra sair. Teve pauta disparada errada, teve divulgação de notícia boa, quente, incrível, porém, to-tal-men-te fracassada. Rolou café pela mesa, pela camiseta, pelo teclado (alheio) e nem deu tempo de almoçar. Quando sai pra comer alguma coisa, por questão de mera sobrevivência, paguei 14 e 50 fucking golpes num misto quente. Isso mesmo. Essa fortuna. Essa pornografia aí que vocês leram.
Fiquei estressada, com vontade de chorar e mandar tudo às favas o dia inteiro – chorei um pouquinho, inclusive, na hora do tal misto. Mas fui lá, me recompus, fiz a fina, recatada e controlada que mantém todo o emocional nos eixos e talz. Puff.
Me deu dor de estômago, dor de cabeça, dor no corpo, tô até agora achando que vou ser mandada embora porque não é possível que tanta merda junta aconteça com uma pessoa só. Foi cagada mesmo, eu sei que foi, de verdade, não tô negando as aparências ou disfarçando as evidências, de modo nenhum. Se teve uma coisa que a vida me ensinou, inúmeras vezes, é não esconder nada. Não funciona.
Eu poderia ter pensado melhor, planejado melhor. Eu tive culpa de tudo, tudinho. É sério. E isso é o que mais me consome a alma: as coisas que poderiam ter sido feitas e por uma falta de malícia, sei lá, não fiz. Não tive a malandragem que geralmente tenho de me resguardar, de proteger minha equipe e me sinto realmente péssima por isso.
Estou duvidando de mim. Da minha capacidade, da minha carreira, dos meus feitos anteriores, de tudo que eu deveria ser e não sou. Não fui. Não pensei, não deu, caguei, mal aí. Tem dias que a gente brilha, tem dias que a gente se lasca. É aí que dizem que está a magia das 24 horas que compõem nossa vida prática, mas eu, francamente, preferia não ter passado por nada disso.
Hoje eu queria sumir do mundo, sumir dos outros, não ter que ser responsável por ninguém, incluindo eu mesma. Queria a minha mãe, umas boas férias, uma comida bem gorda ou uma notícia realmente boa.
Queria solucionar, resolver, fazer passar logo, esquecer, mas não é assim que a gente evolui e nem assim que a vida funciona. Às vezes a gente tem mesmo é que ter dias de merda. Tem que sofrer. Que dar 45 passos pra trás e refletir sobre as coisas. Quando a gente acerta é mais um dia, mas quando a gente erra… Que dor dá. Que prejuízo, que cobrança e descrença que dá, né?
É, então.
Escrevi esse texto pra você, que assim como eu, também teve um dia de merda e precisava exorcizar. Pra você que erra bastante, que não sabe muito bem como lidar com esses sentimentos que de vez em quando batem na porta e acabam com a gente. Pra você que anda meio sem rumo, aborrecido consigo mesmo e totalmente consciente que errar é humano mesmo, mas se a gente puder evitar…Melhor.
Fica bem, tá? Que uma hora passa.
Tô esperando passar aqui.

