Síndrome de Burnout

Tassio Denker
Jul 29, 2017 · 2 min read

Eu sinto muito. Eu sinto demais. Não vivo mais num mundo racional, onde há equilíbrio entre a mente e o corpo. Eu não penso, apenas sinto.

Um vazio no peito, angustiante, me faz perder o fôlego. Estranhamente, me vem uma vontade imensa de correr, de gritar. Sinto saudades do silêncio em minha mente, das ideias fluindo com coerência. Vem então uma dor no peito, um formigamento nos braços. Sinto que a morte espreita. Um calafrio corre por minha espinha e a súbita sensação de que o sangue explodirá em meus vasos cerebrais me desespera.

Pensei em escrever. Escrever acalma. As ideias, abundantes, fluem insanas. Mas em meio a esse caos, é impossível. Não consigo me concentrar. Muitas vozes, sons, barulhos, gargalhadas, buzinas e gritos se confundem numa mistura bizarra e pitoresca. Busco encontrar, dentro de mim, um pouco de paz e concentração, mas é em vão.

Destaco da cartela um Rivotril. Dois.

Observo, inerte, a tela da TV desligada. Aos poucos, os sons vão diminuindo. As vozes vão se aquietando, até se calarem. As gargalhadas desaparecem, junto com o eco distante das buzinas e dos gritos. Estão todos agora apenas na memória. Silêncio, enfim.

Não saberia precisar quanto tempo. Horas? Minutos? Pareço estar morto, em vida. Obsolescência programada por um coquetel de medicamentos que me levou de mim.

De quem são essas reflexões vazias, que se assemelham a sentimentos distantes, que as vivo, agora, em terceira pessoa? E onde estou eu, em meio a tudo isto? Deitado, na cama, sob efeito de alguma droga, indiferente.

Estar e não ser. Eu iria escrever. Mas as ideias… onde estão as ideias? Onde está a inspiração? Elas se foram, de mãos dadas com o caos. Deveria me sentir frustrado, triste.

Indiferente, me deito e penso: tanto faz. Amanhã será um novo dia. Mas isto aconteceu ontem. E antes de ontem. E hoje.

CRÔNICAS

Crônicas para instigar. Contos para envolver. Ficção para entreter.

Tassio Denker

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As palavras, sem cores. Preto no branco. Words, without colors. Black characters on white screen.

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