Ciclo

Um livro de bolso, caixas de brinquedo, um telefone e um café.

O ambiente familiar, calmo e cultural envolve a moça, vestida num vestido longo, protegida no que parece ser um confortável casaquinho e um par de luvas, ornadas com o frio que deu as caras neste meio de novembro.

Chegam suas duas crianças, trazendo novas caixas de brinquedo enquanto a mãe lê. Interrompem-na como quem tenta vender aquilo que deseja.

Concentra-se novamente na leitura. Seu cabelo é curto, a maquiagem suave, como deve ser. Num momento breve, hesita no que parece ser um pensamento.

O que permeia a cabeça de uma mulher? Seria o pai dos pequenos?

Pequenos estes que novamente chegam e interrompem o mundo inteligível da moça, na demanda de algo. A sensibilidade é uma virtude cronológica.

A mim, sobra aguardar pelo dia que um outro aprendiz de escritor escreverá a história de outra moça, sentada, lendo, em meio aos pequenos que a demandam coisas, na inexorável insensibilidade infantil. E que sua hesitação tenha como motivo este que vos escreve, num momento de saudade efêmera, que morre à noite, no jantar.