Felipe Fialho
Sep 20, 2017 · 6 min read

E o que aprendi nesses 6 meses de Cubo

https://dribbble.com/shots/1753131-MVP

A transição

Sempre trabalhei em agências. Isso significa que nos últimos 8 anos da minha vida tive a experiência de trabalhar em vários contextos desse ecossistema.

Meu primeiro emprego foi em uma fábrica de software, na qual trabalhei com ótimos programadores, mas também terceirizavamos código para agências, então meu trabalho na maioria do tempo consistia em traduzir PSDs para códigos.

Depois trabalhei em uma agência de fato, e tive a oportunidade de trabalhar mais próximo dos designers, tomar decisões nesse sentido e aguçar meu lado visual.

Antes de entrar no Cubo, estava trabalhando remoto para uma agência de New York, onde tive meu ápice layoutistíco (pode acompanhar alguns projetos no meu site), desenvolvíamos projetos artisticamente foda, com bom nível de acabamento e muitas animações. E eu adorava aquilo.

Mas então veio o convite para trabalhar no Cubo, com produtos digitais focados no mercado de startups, não seria mais remoto, o foco não seria mais layout e CSS, teria um puta desafio e a ideia era montar um time high level.

Ambiente interno no Cubo

A concepção do produto

Começava então uma grande mudança. Minhas conversas deixaram de ser sobre alinhamentos, espaçamentos e código. Termos como Design Sprint, Lean, Scrum, Kamban, MVP… começaram a fazer parte da minha rotina e comecei a entender finalmente, o que é trabalhar em um produto.

Logo nas primeiras semanas, começamos a pensar no nossos objetivos, enquanto trabalhavamos em produtos que já estavam rodando.

Então, algum tempo depois, começamos a colocar em prática tudo que vínhamos conversando.

Entrevistas com o público alvo e pesquisas

Sabiamos que precisavamos trazer valor na vida das startups, mas não sabiamos como. Tinhamos suposições, mas apenas isso. Para entender de verdade, era necessário entrar de fato nesse ecossistema, e foi o que fizemos.

Durante duas semanas, todas as atividades foram paralisadas (sim, duas semanas sem codar), e começamos a fazer entrevistas com todos os públicos que compõem nosso negócio.

Paralelo a isso, fizemos diversas pesquisas sobre tecnologias que poderiam nos ajudar e produtos que poderiam nos inspirar.

Design Sprint

Apresentando uma das pesquisas

Finalmente, começamos a juntar tudo isso para descobrir o que faríamos (e a ordem de prioridade). Tivemos então mais uma semana de Design Sprint (isso, três semanas sem codar).

Foi a primeira vez que participei desse processo, e achei sensacional. É incrível como você consegue ser assertivo e entender de verdade as necessidades do seu público, é uma empatia real.

Você descobre as dores que eles sentem, os problemas que isso causa, simpatiza com a causa e junto com a equipe chega em algumas soluções que poderiam ajudar nisso.

E na verdade, a confirmação de que aquelas ideias vão ser realmente úteis, só acontece após algum tempo, com o produto rodando e sendo testado.

Após essa semana de aprofundamento intenso, fizemos um protótipo para poder validar essas primeiras ideias com algumas pessoas e startups que nos ajudaram a chegar nelas.

Etapa de Design Sprint

Organizando tudo

Bora sair codando para produzir isso, certo? Não.

Rolou ainda mais alguns dias decidindo quando faríamos a entrega do MVP, definindo prioridades, separando tarefas e todo o fluxo que teríamos.

Nisso, chegamos em uma data de lançamento oficial: 14/09/2017, aniversário de 2 anos do Cubo e no dia do Cubo Conecta, com mais de 1500 pessoas participando da festa (que ainda teve transmissão online).

Teríamos então pouco mais de 3 semanas para entregar o MVP, um prazo aparentemente suicida.

Especialmente porque também temos a missão (e dever) de testar novas tecnologias (muito louco né? 😍), então estamos trabalhando com algumas coisas ainda pouco documentadas e usadas, como o Serveless (vamos falar mais sobre isso depois). Sim, toda nossa stack usaria JavaScript.

Challenge Accept!

O desenvolvimento do produto

Foi corrido, muito corrido. Foi intenso, muito intenso.

Decidimos que iríamos tentar tirar qualquer barreira entre Back-End, Front-End ou whatever, sendo assim, a ideia era pegar tarefas que faziam sentido e que dessem agilidade e vazão no desenvolvimento, mas sem se apegar a sua função oficial.

Sendo assim, criei vários componentes usando Angular com TypeScript, integrei várias APIs e eu mesmo criei algumas dessas APIs (as minhas primeiras APIs inclusive). Do carario!

Várias decisões, técnicas ou não, eram tomadas rapidamente pela equipe, nenhuma opinião pessoal poderia ser mais importante do que a entrega, e nosso time rapidamente percebeu isso.

O foco de todos foi algo especial de se ver, estava todo mundo engajado em entregar e fazer aquilo acontecer virou obsessão para todos.

Finalmente, após quase 1 mês de trabalho duro e muito código e testes, o MVP estava pronto.

A apresentação do produto

Cubo Digital sendo apresentado durante o Cubo Conecta

Dia 14/09/2017, enfim nosso produto, fruto de um trabalho fodástico de todos que participaram, seria mostrado para o público.

Gravamos um video de apresentação, que foi exibido para os que estavam na festa (e transmitido online também) e a recepção foi mais do que positiva.

Além disso, o Cubo é uma força da natureza quando se trata de empreendedorismo no Brasil, e tivemos cobertura da imprensa no evento. Logo após o anúncio oficial, algumas matérias foram divulgadas.

Algumas delas:

Com isso deu para entender ainda melhor a dimensão do que estamos criando.

Produtos digitais tem o poder (e talvez o dever) de fazer a diferença no mundo. O Cubo Digital tem esse objetivo. Facilitando a vida de empreendedores e startups, ajudamos essa público a crescer, gerar empregos, girar a economia e contribuir para a sociedade.

Foi fantástico ver o esforço desses meses materializado em um produto dessa magnitude.

E o que aprendi com isso tudo?

https://giphy.com/gifs/school-back-guinea-tHufwMDTUi20E

Repararam que escrevi vários e vários parágrafos contando de como foi o processo de concepção, mas nem tantos parágrafos falando do desenvolvimento (e quase nada de código)?

Porque é uma das coisas que entendi.

Precisamos aceitar que o código é só um meio, e não o fim.

Sempre fui obcecado com a qualidade do meu código e isso é importantíssimo. Mas não posso permitir que meu perfeccionismo (a ponto de no passado, pensar no usuário ia abrir o DevTools para ver meu código 😂) atrapalhe a entrega. E as refatorações estão ai para garantir que o código fique melhor a cada sprint.

Além disso, observei que estamos nesse momento trabalhando com um software, que por acaso agora é web, mas no futuro pode ser várias outras coisas (olá webapps ou o que vier pela frente). Não é um site, é muito além disso, e tem muita engenharia aplicada ali.

Apesar de nos posicionarmos profissionalmente (Back-End, Front-End, etc), penso que estou trabalhando em coisas que vão bem além desses conceitos, e não devemos nos prender nesses termos, porque precisamos ajudar em TODAS as etapas de desenvolvimento.

Acredito que amadureci bastante profissionalmente nesses 6 meses, foi muito intenso e já tem relevância significativa na minha carreira.

Texto longo e nem sei se a conclusão fez sentido, mas é nóis 👊


Me acompanhe por aí…

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