O sucesso na gestão de saúde corporativa com um time de atenção primária

Raquel Sakamoto
Sep 11, 2019 · 5 min read
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Pexels, Kaique Rocha

As nossas vidas têm sido cada vez mais corridas, seja pelas exigências do mercado de trabalho, seja pela necessidade de se manter conectado, ligado e produtivo. Esse ritmo intenso provoca um desequilíbrio biológico, mental e, até mesmo, social, levando ao maior risco de adoecimento da população.

Diante dessa realidade, os profissionais de Recursos Humanos (RH) precisam pensar em soluções para promover a saúde dos colaboradores e, com isso, reduzir afastamentos, absenteísmo, turnover, além de buscar promover sua satisfação pessoal e profissional. Dentre as estratégias para cuidar da saúde dos colaboradores, está a adesão a planos de saúde corporativos. Mas será que somente o plano de saúde é suficiente?

Você ou algum conhecido já deve ter vivenciado dificuldades no sistema de saúde (seja público, seja privado). Sabe quando você se prepara para fazer aquele check-up, chega na consulta, o médico pede inúmeros exames, não olha nos seus olhos e orienta retorno com os resultados? E quando você retorna, não consegue nem falar sobre aquela lista de preocupações e dúvidas que você preparou o ano inteiro? Para sanar suas angústias, você começa a procurar respostas para seu problema de saúde em sites de busca, com amigos, consultas com outras especialidades ou terapias alternativas. Isso é frustrante, não é mesmo?

Segundo dados da Agência Nacional de Saúde de 2018, houve um aumento de 4,1% em procedimentos (consultas, exames e internações) comparado a 2017 no Brasil, que gerou maior gasto para as empresas, sem refletir na qualidade da saúde dos colaboradores, que continua abaixo do desejado (hábitos de vida não saudáveis e aumento da incidência de doenças crônicas não transmissíveis). Essa perspectiva sugere a necessidade de traçar planos capazes de melhorar a saúde da população e aumentar a eficácia da saúde suplementar, como por exemplo, acompanhar de perto a condição de saúde dos beneficiários e promover um cuidado que seja individualizado e ao mesmo tempo coerente com o perfil epidemiológico da população em questão.

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Realizar a gestão da saúde corporativa é um grande desafio. Por isso, com o objetivo de transformar este cenário, surge a busca de alternativas e soluções para as empresas conseguirem estabelecer uma política de prevenção eficaz. Trata-se de uma política que resolva a causa e não as consequências — sintomas — dos problemas de saúde e que possibilite um diagnóstico situacional da saúde dos colaboradores por meio de indicadores robustos. Essa discussão tem sido tão importante que foi um dos temas abordados na 44ª edição do Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas, edição de 2019.

A Atenção Primária à Saúde(APS), representada por Médicos de Família e Comunidade (MFC) e Enfermeiros de Família e Comunidade (EFC), tem-se mostrado uma estratégia de sucesso na gestão de saúde corporativa, sendo cada vez mais incorporada nas empresas, independentemente de terem ou não plano de saúde. O time de APS é a porta de entrada do paciente no sistema de saúde: é o primeiro contato para o cuidado de saúde acontecer, em qualquer fase da vida. Ou seja, quando surge a necessidade de procurar um profissional de saúde, a pessoa tem uma equipe de referência, que a apoia em todos os problemas de saúde, que a conhece de maneira completa e que resolve mais de 80% das situações de saúde mais frequentes. Alguns exemplos de situações que a equipe pode resolver são: questões relacionadas a saúde mental (depressão, ansiedade, estresse), tratamento de doença aguda e infecciosa (gripe, dor de garganta, rinite, sinusite), controle de doenças crônicas (diabetes, hipertensão, alterações relacionadas ao colesterol, asma) e ações de promoção à saúde com uma equipe multidisciplinar (orientação sobre alimentação saudável, práticas corporais, controle de tabagismo, etc) (Organização Pan-Americana da Saúde e Organização Mundial da Saúde).

Se necessário, a equipe de APS encaminha a pessoa a um especialista e mantém o contato para ajudá-lo na gestão da sua saúde. A ideia é que o cuidado aconteça de maneira compartilhada. E assim, ao longo da vida da pessoa, a equipe de atenção primária consegue estabelecer políticas de promoção e prevenção que beneficiem a saúde dos colaboradores, além de estar sempre acessível para resolver problemas de saúde, tanto os inesperados quanto os que necessitam de acompanhamento contínuo.

Pequenas, médias e grandes empresas têm incorporado um time de APS dentro do ambiente corporativo porque essa estratégia, além de reduzir a escalada dos custos com plano de saúde, também reduz os índices de absenteísmo e turnover nas empresas. A alta resolutividade dos problemas de saúde pela equipe de atenção primária diminui significativamente as idas aos prontos-socorros e a realização de exames e procedimento desnecessários. Sendo assim, os custos das empresas relacionados à alta sinistralidade dos planos de saúde também diminui. Isto é, uma equipe de APS tem alto impacto na melhoria de qualidade de vida e do presenteísmo dos colaboradores, além de ser uma ótima alternativa para reduzir custos.

De maneira resumida, a medicina de família e comunidade apoia a pessoa em qualquer problema de saúde e resgata o contato individualizado e personalizado que tanto precisamos. O cuidado acontece centrado na pessoa atendida, ou seja, ela é a “peça” mais importante do cuidado, assim como seus problemas e necessidades. O maior objetivo da equipe é conseguir acolher e ajudar na melhoria da saúde de maneira plena e individual, diferentemente do que acontece na realidade da medicina centrada na doença, que não gera vínculo e nem resultado satisfatório.

E como você, líder de RH, tem feito a gestão da saúde dos seus colaboradores? Tem tido alguma dificuldade para realizar essa gestão? Deixe seu comentário, podemos trocar informações e aprender juntos.

Referências bibliográficas:

  • Ademir Lopes Júnior. Por que escolher a Medicina de Família e Comunidade? Rev Med (São Paulo). 2012;91(ed. esp.):39–44
  • Gercina Ângela Borém de O. Lima, Líliam Pacheco Pinto, Marconi Martins de Laia. Tecnologia da informação: impactos na sociedade. Inf.Inf., Londrina, v. 7, n. 2, p. 75- 94, jul./dez. 2002

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