Por que escolhemos Joinville

Pórtico de uma das entradas de Joinville. Foto: Alesc

A sede da Conta Azul fica em Joinville (SC). Apesar de ser a maior cidade do estado, superando a capital Florianópolis em área e em população, muita gente ainda não conhece Jille (apelido carinhoso da cidade) e não compreende por quais motivos grandes empresas mantêm sedes aqui.

Desde que mudei de Brasília (DF) para cá, há cerca de dez meses, tenho ouvido questionamentos de familiares, amigos e colegas quanto a isso. E também em relação as razões pelas quais nós, eu e meu marido, optamos vir para cá.

Recentemente, parei para pensar melhor sobre esse assunto e cheguei a algumas conclusões, que compartilho com você neste texto. A primeira é que não fomos nós que escolhemos Joinville, foi ela que nos escolheu.

A oportunidade

Nunca pensei em morar no Sul. Sempre ouvi falar dos altos índices de desenvolvimento humano daqui, das cidades limpas, seguras e das pessoas civilizadas. Mas pensava no frio (ledo engano, no verão as temperaturas aqui se aproximam dos 40º) e vivia bem na minha cidade afinal.

Até que no início do ano passado sai de um antigo emprego e, em meio a inúmeras mudanças, meu marido, o desenvolvedor Gabriel Feitosa, recebeu uma proposta de trabalho na Conta Azul.

A princípio, neguei a possibilidade de mudança. Tive medo do desconhecido, de sentir saudades da família, dos amigos, de ficar muito tempo desempregada (nunca havia parado de trabalhar desde os 18 anos). Mas vi, também, uma oportunidade de recomeçar, de viver algo inteiramente novo.

Chegamos na época da Páscoa, quando são montadas osterbaums (árvores da Páscoa, comuns na tradição alemã) por toda a cidade Foto: arquivo pessoal

Gabriel estava animado com a proposta de emprego. O salário negociado era justo e a empresa aparentava ter uma cultura empresarial bacana, com vários benefícios para os colaboradores como flexibilidade de horários e possibilidade de trabalhar remoto eventualmente, incentivos financeiros para estudar e fazer atividades físicas, lanchinhos liberados no lounge, liberdade para ir trabalhar com a roupa que quiser. Bem diferente de todos os lugares pelos quais ambos já havíamos passado.

A decisão

Após longas conversas e até algumas brigas (risos) decidimos vir. Chegamos aqui em março do ano passado e passamos cerca de um mês num hotel custeado pela empresa, até encontrarmos o nosso cantinho.

Enquanto Gabriel participava do seu período de imersão na Conta Azul — semana em que os novos colaboradores são apresentados às áreas e produtos da empresa — e eu procurava emprego, aproveitei para conhecer um pouco a cidade.

Conhecendo Joinville

1) Sensação de segurança

Logo nos primeiros dias em Jille, uma coisa em especial chamou a minha atenção: os muros baixos das casas (na rua, e não em condomínios fechados). E não havia lanças sobre os portões, cães ferozes ou alarmes nas residências. Bem diferente do que eu estava habituada. Apesar de Brasília ser considerada segura, casas na rua com muros baixos são pouco vistas, por serem praticamente um convite a assaltos.

Com o passar dos dias, percebi que isso se deve a sensação de segurança que ainda existe aqui. Claro que há criminalidade, mas num nível bem inferior ao de metrópoles, a ponto de eu poder passear com a minha cachorrinha a noite tranquila, andar com o vidro do carro aberto e deixar o meu celular em cima da mesa no bar, por exemplo.

Joinville é uma cidade mediana, tem cerca de 500 mil habitantes, não faltam serviços necessários. Mas ainda conserva uma aura interiorana, que permite qualidade — e tranquilidade — de vida.

2) Maior igualdade social

Outro ponto que achei: não há tanta discrepância, no sentido de percepção de diferença de poder aquisitivo dos habitantes, sejam eles moradores dos lados Sul ou Norte da cidade.

A diarista que trabalha lá em casa atualmente, por exemplo, mora em casa própria, num local ótimo e próximo do nosso bairro. Não precisa se arriscar saindo de madrugada para pegar dois, três ônibus até o trabalho (pega somente um, direto). Também bem diferente do que normalmente ocorre em grandes cidades.

3) Oportunidades de emprego e de crescimento profissional

Nisso Joinville é imbatível! É pólo nos segmentos metal-mecânico e tecnológico. E em 2017, foi a cidade que mais gerou empregos no Brasil. De lá para cá, pouca coisa mudou. Jille continua crescendo em ritmo acelerado e carente de mão de obra especializada. Um prato cheio para quem quer e precisa trabalhar.

Cheguei cheia de receios aqui, mas pouco tempo depois percebi que, por mais que não encontrasse emprego na minha área imediatamente, desempregada não ficaria. Tanto que cerca de um mês e meio após chegar eu estava empregada, também pela Conta Azul (conto mais sobre isto neste texto).

Joinville me possibilitou descobrir uma nova e promissora área de atuação, o que dificilmente teria acontecido se eu tivesse continuado em Brasília, cujo o mercado tem características distintas.

Eu, na época da imersão na Conta Azul. Foto: arquivo pessoal

4) Custo de vida mais baixo, menos trânsito

Em comparação a metrópoles, o custo de vida em Joinville é consideravelmente mais baixo. Paga-se menos em gasolina, aluguel, compra de imóveis. Já em relação a alimentação e lazer, fica mais ou menos elas por elas em relação a Brasília, por exemplo.

As distâncias também são bem mais curtas. Eu, que andava 40 km de carro todos os dias (20 km para ir e 20 km para voltar do trabalho) hoje moro num bairro bom, próximo da empresa, e percorro cerca de 15 km por dia, contando ida e volta, em não mais de 10 minutos por trecho. Brinco que aqui em Jille o lugar mais distante sempre fica a 15 minutos de onde se está, muito bom!

Para completar, o trânsito é bem mais tranquilo. Apesar de não contarmos com as vias largas e planejadas das megacidades, há menos carros nas ruas e as pessoas parecem menos apressadas. Em horários de pico, das 7h às 9h e das 17h às 19h mais ou menos, são acrescentados, no máximo, cinco minutos ao meu tempo de trajeto habitual casa-trabalho.

5) Boa localização

É verdade que Joinville não tem tantas opções de lazer (apesar de às vezes descobrirmos lugares surpreendentes) quanto São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, por exemplo. Também pudera, não podemos comparar banana com laranja. São Paulo tem cerca de 12 milhões de habitantes, o DF, 4 milhões.

Além disso, o joinvillense, de maneira geral, é trabalhador de fábrica. Acorda cedo e gosta de dormir cedo também, de curtir a casa e a família (percepções minhas). Mas a região de Joinville não deixa de ser interessante para quem curte um pouco mais de agito.

Bem localizada, a cidade fica próxima de Floripa (178 km), Balneário Camboriú (102 Km), Curitiba (134 km), Blumenau (122 km), do parque Beto Carrero World (80 km). Ou seja, perto de lindas praias, serras, parques.

Nós e a nossa doguinha, Bella, em um fim de semana em São Francisco do Sul, praia a 1h de Joinville. Foto: arquivo pessoal

Jille também tem aeroporto próprio e conta com o auxílio de vários outros nas redondezas, entre eles os de Florianópolis, Curitiba e Navegantes (68 km).

A cidade é relativamente próxima de São Paulo também, cerca de 45 minutos de avião, por volta de 7h de ônibus. E dá para achar passagens baratas para lá se planejar com alguma antecedência.

6) Estações bem definidas

É verdade que chove bastante aqui. Mas as estações são bem definidas, bem mais que no Centro-Oeste, por exemplo. Então, tem friozinho para quem é de inverno por uns três meses (maio a julho). E bastante calor para quem é de verão no restante do tempo.

Além disso, o pessoal brinca que saiu de Joinville o clima é outro. Às vezes está chovendo aqui, mas anda-se 40 km rumo a praia ou a serra e o tempo muda, pois já se sai das cordilheiras que concentram as nuvens de chuva na cidade.

7) Pessoas de todos os lugares

As pessoas daqui são “queridas” como elas mesmas costumam se referir a quem é legal, apesar de um pouco mais introspectivas, de maneira geral, do que estamos habituados em regiões como o Centro-Oeste ou no Nordeste, por exemplo. Não abrem o coração tão fácil assim, mas, quando abrem, também não fecham mais (mais uma vez, percepção minha) ❤.

No entanto, na Conta Azul, e em muitas empresas da região que acabam importando trabalhadores, há muitas pessoas de fora, bem abertas a novas amizades. Muitas dessas pessoas acabaram se tornando a nossa família e o nosso apoio aqui.

Nós, com amigos da Conta Azul, comemorando o aniversário do Gabriel. Foto: arquivo pessoal

8) Comidas e bebida boas

Este é um dos pontos que eu não poderia deixar de citar, ao qual me adaptei muito bem. Em função da forte tradição alemã, Joinville tem inúmeras fábricas de deliciosas cervejas artesanais, bons vinhos. Além da indescritível e diferenciada comida.

Entre as opções comestíveis estão: linguiça blumenau, costela, marreco recheado, maionese de batata. E pratos doces: torta alemã, sagú de vinho, banoffee (torta de banana). Só provando para saber o quão gostosas são essas guloseimas!

Nós, na Oktoberfest, em Blumenau (SC), apreciando as cervejas locais com amigos. Foto: arquivo pessoal

E daqui para frente?

Não vou negar que no começo estranhei um pouco a cidade, o clima, as pessoas. Normal! Nunca havia saído da minha terrinha. Mas em pouco tempo fui aprendendo a ver os pontos positivos de Jille e hoje nutro carinho pela cidade.

E como a nossa vida mudou desde que chegamos aqui! Profissionalmente, a Conta Azul nos possibilitou evolução e projeção. Pessoalmente, nos conhecemos e nos aproximamos como casal. E, de quebra, viajamos muito juntos conhecendo a região.

Hoje, vivemos bem nesta cidade, que nos acolheu de braços abertos, graças a Deus. Por quanto tempo ficaremos? Não sabemos. Mas cada vez mais vejo Joinville como uma boa opção, entre as cidades brasileiras, para se criar filhos (plano futuro nosso), trabalhar e crescer profissionalmente. Por isso, seguimos abertos ao que Jille ainda tem a nos mostrar e a nos oferecer!

Ficou curioso? Vem conhecer a cidade você também! Tem vaga na Conta Azul

Abraço,

Lud

UX Writer — Design CA