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Cultura de Inovação em Bibliotecas
Letter sent on May 16, 2016

Bibliotecas — muito além de um depósito de livros

Há um tempo atrás, os usuários não tinha voz na biblioteca, eles somente se expressavam uma vez ao ano quando era feito o estudo de usuários. Percebemos diversas bibliotecas vazias, que em nada atrai os usuários. É preciso sair do automático, onde o bibliotecário é a maior autoridade daquele local.

Mas porque não saber a opinião do usuário?

A primeira imagem que vem a nossa mente quando ouvimos falar em bibliotecas e bibliotecários, são estereótipos consagrados pelo senso comum, como associar a imagem do bibliotecário a uma pessoa não muito simpática, estática, que fica sentada numa mesa ou atrás de um balcão, pedindo silêncio.

As bibliotecas ainda são consideradas como templos do saber acumulado, e os bibliotecários representam a figura de guardiões dos livros. No ambiente escolar, era comum que professoras afastadas de suas atividades de sala de aula, irem para as bibliotecas da escola, além dessas se configurarem como lugar de castigo para alunos indisciplinados. Inevitavelmente imerso na cultura de desvalorização da leitura e a relação com o livro.

É verdade que aquele ambiente silencioso e sacralizado não parece mais fazer sentido nos tempos atuais. É preciso ressignificá-lo, de modo que esse espaço faça sentido para os jovens contemporâneos.

A biblioteca pode ser um ambiente que integre várias manifestações, um lugar agradável que dois amigos escolhem para se encontrar para desenhar enquanto ouvem música, por exemplo. Para trazer as crianças e jovens para dentro desse ambiente rico, é necessário ouvir a opinião deles sobre o assunto, em vez de haver decisões exclusivas dos dirigentes. Eles tem muito a contribuir. Perguntar o que ele deseja da biblioteca, para que seja um espaço que pertença a todos, não seja excludente. Ela deve ser um espaço lúdico que permita uma utilização útil do tempo de lazer.

Percebemos que estamos perdendo nossos usuários. As bibliotecas estão cada vez mais vazias. E os motivos são muitos. Os usuários estão cada vez mais deixando de ir às bibliotecas, devido ao fácil acesso à informação por meios eletrônicos. Também pelo fato da biblioteca não dispor de um horário de funcionamento flexível.

Devemos pensar em estratégias para possibilitar o acesso à biblioteca, principalmente para a classe trabalhadora, desenvolver alternativas, como a criação de bibliotecas nas estações de trem, metrô e barcas, bem como um horário de funcionamento que possibilite o acesso a todos, com turnos noturnos e aos sábados e domingos.

É quais seriam os motivos que levam algumas pessoas a procurarem uma biblioteca?

Com certeza não seria o estado físico das obras que na maioria é ruim, com aspecto velho, folhas amareladas, lombadas machucadas. O leitor tem prazer em ler um livro em bom estado.

Muitas pessoas frequentam uma biblioteca somente para estudar, não vendo a biblioteca vai além dos livros, isto é, também como um local de lazer e cultura geral.

As bibliotecas devem resgatar esses usuários, fazer do espaço um ambiente aconchegante, agradável com atividades culturais assim como fazem as livrarias. Com poltronas confortáveis, obras atualizadas e um bom atendimento para que quebrem os estereótipos e que queiram voltar sempre.

Temos que trazer de volta esses usuários, pois a internet é muito mais conveniente e assim podem adquiri aquele livro que precisam ao invés de ter que ir à uma biblioteca pedir à alguém mal humorado, em um ambiente cheirando a mofo, que nada tem de bom para oferecer.

Sabemos que muitas bibliotecas públicas não possuem verbas para equipar e deixar o ambiente parecido com uma grande livraria, mas é possível sim, oferecer atividades culturais, e outros atrativos que não dependem apenas de dinheiro.

A opinião dos usuários é muito importante, então é preciso atitude e pró-atividade do profissional que ali atua. Assim como um profissional se adapta e se atualiza, a biblioteca também deve fazê-lo, tornando-se sempre atraente para seus usuários.

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