Foto final com os vencedores do Festival (Foto: Diego Vara/ Pressphoto)

Drama “Como Nossos Pais” leva seis Kikitos e é o grande vencedor em Gramado

Longa dirigido por Laís Bodanzky venceu como Melhor Filme no 45º Festival de Cinema

O longa-metragem “Como Nossos Pais” levou seis Kikitos na 45ª edição do Festival de Cinema de Gramado, e, com isso, foi o grande vencedor da premiação. Os premiados das 16 categorias para longas nacionais, 15 para curtas nacionais e nove para longas estrangeiros foram conhecidos no sábado (26), em cerimônia no Palácio dos Festivais.

O drama, dirigida por Laís Bodanzky, venceu os prêmios de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Atriz para Maria Ribeiro, Melhor Ator para Paulo Vilhena, Melhor Atriz Coadjuvante para Clarisse Abujamra e Melhor Montagem para Rodrigo Menecucci.

O filme

Lais recebendo o Kikito de Melhor Direção (Foto: Diego Vara/ Pressphoto)

“Como Nossos Pais” conta a história de Rosa (Maria Ribeiro), que busca a perfeição como profissional, mãe, filha, esposa e amante. Filha de intelectuais e mãe de duas meninas pré-adolescentes, ela se vê pressionada pelas duas gerações que exigem que ela seja engajada, moderna e onipresente.

O longa, produzido em 2016, também tem, no elenco, Paulo Vilhena, interpretando Dado, Clarisse Abujamra (Clarice), Sophia Valverde (Nara), Annalara Prates (Juliana), Felipe Rocha (Pedro) e Jorge Mautner (Homero).

Destaque também na premiação do 45º Festival de Gramado para “As Duas Irenes”, que levou quatro estatuetas (Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Roteiro, Melhor Direção de Arte e Melhor Filme pelo Júri da Crítica).

Confira o trailer do filme

“Oscarito”

A atriz Dira Paes foi a homenageada com o troféu Oscarito, graças aos seus 33 anos de atuações no cinema brasileiro. “Muitas vezes eu estive na plateia desse festival aplaudindo pessoas que me inspiram, e agora passa todo um filme pela minha cabeça. A sensação é de extrema honra e de estar cada vez mais responsável por esse prêmio”, disse.

Em seu discurso, a paraense de Abaetetuba também criticou a atual decisão do presidente Michel Temer em vetar até 2019 a Lei 8.65/93, conhecida como Lei do Audiovisual.

“Peço, em nome da classe do audiovisual brasileiro que tanto o ministro da Cultura quanto o presidente da República possam pensar em discutir políticas com os profissionais do audiovisual. Nós sabemos o que é bom para o cinema brasileiro”, afirmou.

Discussões políticas

O festival também proporcionou um espaço para discussões sobre a atual conjuntura política brasileira. Dira fez coro a outros cineastas que criticaram o parecer do presidente da República.

Os profissionais de cinema presentes assinaram um manifesto, que ficou conhecido como “Carta de Gramado”, repudiando a decisão de Temer (confira abaixo).

Com a revogação da Lei do Audiovisual, a permissão para contribuintes destinarem percentuais do Imposto de Renda para financiar obras cinematográficas se encerra no dia 31 de dezembro de 2017, e não mais em 2019.

Confira a íntegra da carta

Carta de Gramado 2017

Neste exato momento, o cinema e o audiovisual brasileiro se mantém como a única atividade econômica funcionando em regime de pleno emprego e alta produtividade, com mais de 150 longas metragens em 2016 e em previsão de ultrapassar esta marca em 2017. Também o setor encontra-se em franco crescimento na produção de conteúdo independente para televisão.

Estamos no ápice histórico da nossa atividade e cada um real investido alcança retorno cinco vezes maior. Totalizamos 250 mil empregos diretos e indiretos e representamos meio por cento do PIB anual brasileiro, maior do que indústrias como a têxtil, a farmacêutica, a de papel e celulose.

Diante disso, enfatizamos a necessidade de aprovação da prorrogação da Lei do Audiovisual e do RECINE, através de uma nova Medida provisória do poder executivo, atendendo às exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal.

A comunidade audiovisual e cinematográfica — realizadores e realizadoras, produtores e produtoras, atores e atrizes, e demais integrantes da cadeia produtiva — estará mobilizada e acompanhando com atenção o desdobramento deste processo. Acreditamos que o encaminhamento será em prol da continuidade, contando com a sensibilidade do Poder Executivo e Legislativo

Viva o Cinema Brasileiro!

Gramado, 25 de agosto de 2017.

Assinado pelos agentes do audiovisual presentes no 45o Festival de Cinema Gramado.


Veja todos os vencedores do 45º Festival de Cinema de Gramado

LONGAS-METRAGENS BRASILEIROS
Melhor Filme: “Como Nossos Pais”, de Laís Bodanzky
Melhor Direção: Laís Bodanzky, por “Como Nossos Pais”
Melhor Atriz: Maria Ribeiro, por “Como Nossos Pais”
Melhor Ator: Paulo Vilhena, por “Como Nossos Pais”
Melhor Atriz Coadjuvante: Clarisse Abujamra, por “Como Nossos Pais”
Melhor Ator Coadjuvante: Marco Ricca, por “As Duas Irenes”
Melhor Roteiro: Fábio Meira, por “As Duas Irenes”
Melhor Fotografia: Fabrício Tadeu, por “O Matador”
Melhor Montagem: Rodrigo Menecucci, por “Como Nossos Pais”
Melhor Trilha Musical: Ed Côrtes, por “O Matador”
Melhor Direção de Arte: Fernanda Carlucci, por “As Duas Irenes”
Melhor Desenho de Som: Augusto Stern e Fernando Efron, por “Bio”
Melhor Filme — Júri Popular: “Bio”, de Carlos Gerbase
Melhor Filme — Júri da Crítica: “As Duas Irenes”, de Fabio Meira
Prêmio Especial do Júri: Carlos Gerbase, pela direção dos 39 atores e atrizes em “Bio”
Prêmio Especial do Júri — Troféu Cidade de Gramado: Paulo Betti e Eliane Giardini, pela contribuição à arte dramática no teatro, televisão e cinema brasileiros

Giardini e Betti receberam o Troféu Cidade de Gramado (Foto: Diego Vara/ Pressphoto)

LONGAS-METRAGENS ESTRANGEIROS
Melhor Filme: “Sinfonia Para Ana”, de Virna Molina e Ernesto Ardito
Melhor Direção: Federico Godfrid, por “Pinamar”
Melhor Atriz: Katerina D’Onofrio, por “La Ultima Tarde”
Melhor Ator: Juan Grandinetti e Agustín Pardella, por “Pinamar”
Melhor Roteiro: Joel Calero, por “La Ultima Tarde”
Melhor Fotografia: Fernando Molina, por “Sinfonia Para Ana”
Melhor Filme — Júri Popular: “Mirando al Cielo”, de Guzman García
Melhor Filme — Júri da Crítica: “Pinamar”, de Federico Godfrid
Prêmio Especial do Júri: “Los Niños”, de Maite Alberdi

Godfrid com o Kikito de Melhor Direção de Filme Estrangeiro, por “Pinamar” (Foto: Edison Vara/ Pressphoto)

CURTAS-METRAGENS BRASILEIROS
Melhor Filme: “A Gis”, de Thiago Carvalhaes
Melhor Direção: Calí dos Anjos, por “Tailor”
Melhor Atriz: Sofia Brandão, por “O Espírito do Bosque”
Melhor Ator: Nando Cunha, por “Telentrega”
Melhor Roteiro: Carolina Markowicz, por “Postergados”
Melhor Fotografia: Pedro Rocha, por “Telentrega”
Melhor Montagem: Beatriz Pomar, por “A Gis”
Melhor Trilha Musical: Dênio de Paula, por “O Violeiro Fantasma”
Melhor Direção de Arte: Wesley Rodrigues, por “O Violeiro Fantasma”
Melhor Desenho de Som: Fernando Henna e Daniel Turini, por “Caminho dos Gigantes”
Melhor Filme — Júri Popular: “A Gis”, de Thiago Carvalhaes
Melhor Filme — Júri da Crítica: “O Quebra-Cabeça de Sara”, de Allan Ribeiro
Prêmio Canada 150 de Jovens Cineastas: Calí dos Anjos (“Tailor”)
Prêmio Canal Brasil de Curtas: “O Quebra-Cabeça de Sara”, de Allan Ribeiro
Prêmio Especial do Júri: “Cabelo Bom”, de Swahili Vidal e Claudia Alves

Vidal e Claudia com o Kikito do Prêmio Especial do Júri (Foto: Diego Vara/ Pressphoto)
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