A humanização do nascimento e a autonomia da mulher


A humanização do parto tem relação com o movimento filosófico do final do século XVII chamado Humanismo — um modelo de compreensão da realidade que colocava o ser humano no centro de todas as ações. A partir desse conceito, Ricardo Herbert Jones — Médico Ginecologista, Obstetra, Homeopata e membro da ReHuNa (Rede pela Humanização do Parto e Nascimento), considera o movimento da humanização do parto a forma de olhar para o paciente como sujeito único e reprodutivo em um evento especial que é o nascimento.

Jones ressalta que a importância da autonomia da mulher está na congregação, não só de aspectos de atenção ao parto, mas a produção de conexões com movimentos de gênero.

Foto: Jason Lander / Flickr

Amanda Martins, Pedagoga formada pela UFRGS, Doula e Integrante do grupo Parto Alegre, vê o cenário que abrange a humanização do parto como uma transformação familiar e um processo natural e especial, onde a relação do casal se fortalece. “O homem acaba olhando pra mulher de outro jeito, respeitando a força que aquela mulher tem. Ele também está parindo e ele também está se transformando”, afirma a doula.

Para existir um entendimento completo do parto, muitas fontes de saber são fundamentais, como a enfermagem, nutrição, antropologia, sociologia, psicologia, psicanálise, política e tantos outros elementos que estão conectados ao nascimento. É um parto baseado em evidências científicas e que só faz o uso das tecnologias quando necessário.

Com a estreia do filme O Renascimento do Parto, o cenário do parto mudou. Segundo Amanda “esse filme ajudou muito as mulheres a se conscientizarem e a perceberem o que elas estavam vivendo e o que estava acontecendo na realidade obstétrica”.

Doula

Quando se pesquisou os benefícios de uma mulher ao lado de outra mulher, foi no momento do parto. Esse estudo foi realizado pelos médicos norte-americanos Kennel e Klaus na década de 70 quando perceberam que a presença de uma mulher ao lado de outra parindo fazia total diferença nas intervenções e nos desfechos do parto.

A doula tem a função de trazer informações a gestante a respeito do que vai acontecer durante a gestação, levando toda a orientação e suporte, tanto físico como emocional. É uma mulher que tem conhecimento da fisiologia da gestação, do parto e do nascimento. A doula não faz nenhum procedimento médico, ela ajuda e acolhe a mãe durante o parto. Amanda ressalta que:

“a doula é a mulher que confia e que acredita na capacidade que toda a mulher tem de parir”.

Na formação, as doulas aprendem os aspectos antropológicos do nascimento, formas de alívio da dor não farmacológicas, as posturas que a mulheres podem parir, massagens, respiração. Conforme Amanda, doula não é uma profissão, mas uma capacitação que já é reconhecida desde 2013 pelo Ministério do Trabalho.

Parto Alegre

O grupo Parto Alegre começou em 2012 com o objetivo de promover a ideia da humanização do nascimento e da vida. São realizados encontros entre grupos informativos com encontros abertos entre gestantes, pais e aqueles que têm vontade conhecer o movimento do parto humanizado.

O trabalho desenvolvido pelo grupo é centrado na maternidade e paternidade consciente. De informações sobre a humanização do nascimento à criação dos filhos. A equipe é composta por quatro doulas e duas enfermeiras obstétricas que acompanham a gestação, o parto e o pós parto.

Segundo Amanda, o desejo da Parto é que a humanização do nascimento seja difundida “a gente gostaria muito que essa palavra, essa ideia chegasse para mais pessoas. Ainda fica muito restrito. Eu sinto como se a gente tivesse falando pra nós mesmas”, lamenta.

Relato de parto

O parto é um processo natural e um evento familiar. Tem a ver com sentimentos, emoções, cultura e a transformação de casais em pais e mães. Há sete meses e meio Natália Fetter e Vinícius Junges tornaram-se uma família com a chegada da pequena Betânia.

Natália sempre desejou um parto normal, mas descobriu que gostaria de fazer um parto humanizado em conversas com seu obstetra. “Foi um processo de conhecimento, de pesquisa e de busca, porque o parto é um momento importante e único e era a primeira filha, a primeira gestação então a gente queria viver tudo intensamente”, declara.

A partir desse momento o plano de parto foi sendo criado junto a uma doula e o obstetra. “Era basicamente não ter intervenção”, conta o pai Vinícius.

Ao longo da gestação contaram com a presença do médico e da doula. Participaram de encontros sobre a humanização do nascimento junto a outros casais grávidos. Aprendiam e compartilhavam todas as fases da gravidez: das técnicas de respiração, do momento do parto à amamentação.

A relação da doula com a família foi fundamental antes, durante e depois do parto.

Relação com a Doula Amanda

A experiência do parto foi melhor do que a mãe imaginava “em nenhuma momento eu senti algo ruim. Eu sabia que cada dor, cada contração que eu tinha eu estava mais perto da minha filha e foi muito bom sentir ela nascendo”, relembra emocionada.


Foto: Jason Lander / Flickr
“A humanização do nascimento é a restituição do protagonismo da mulher.” (Ricardo Jones)
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