Primeiras Observações

Do marco zero…

É estranho tentar saber onde tudo começou. O início do processo de criação envolve muito mais que o dia onde você abriu o word e começou a digitar suas primeiras páginas.

Déloyal é assim, foi nascendo devagar, acanhado, sem saber que um dia seria minha paixão criativa.

O mais antigo rascunho do que seria Déloyal um dia data-se de junho de 2010, quando fiz uma micro adaptação do jogo The Saboteur para o mundo de Reinos de Ferro RPG, na época, ainda no sistema d20. Desde lá, tudo ficou parado, nem se quer imaginava que esse projeto um dia vingaria.

Foi somente em junho deste ano, cinco anos depois, que resolvi olhar novamente para o que havia escrito, repensar sobre a proposta de criar um jogo sobre a libertação de uma cidade. Foi assim que o projeto Déloyal tomou nova forma.

O primeiro rascunho do jogo era engraçado. Tentei simplificar, mas só complicava. Inicialmente parecia bom, mas quando apresentei para alguns amigos, a coisa pareceu ser uma grande bosta.

A ideia original existia: libertadores derrubando bairros após bairros até chegar na sede do füher. Isso era a espinha central… E assim se manteve até hoje.

Já que estamos falando de velharia… o sistema sistema de regras de Déloyal foi idealizado muitos anos atrás também, era chamado de L’Aventure. Pra falar a verdade, a unica coisa que aproveitei do sistema original foi a ideia dos conceitos e o lance de cada um possuir um supra, uma capacidade acima de todos os outros.

De junho até hoje outubro, Déloyal saiu de um rascunho inacabado, para um jogo que caminha para ser finalizado. Sua coluna foi desenhada, seu sistema reescritos algumas vezes e por fim de tudo isso, está sendo testado.

Hoje, dia 16 de outubro, foi a primeira vez que narrei um jogo de minha autoria para meu grupo de jogadores e também foi a primeira vez que narrei em um lugar público. Foi a prova cabal de que tenho que libertar minha imaginação e que aquilo que escrevo é bom, afinal, todos amaram o jogo.

Campanha Céu em Chamas

Neste processo houveram duas pessoas que foram muito importantes. Uma delas foi o Jairo Borges. Quando eu estava construindo a ideia de bairros, que depois virou pilares, o conceito original era confuso, meio bagunçado e até, sem sal. Ele me disse algo como “porque não faz como o jogo X (nem me dei o trabalho de anotar) e usa apenas minúcias?”. Eu nem fui além, nem dei ouvido, nem procurei o jogo que ele falou, não conseguia ver nada à frente do meu nariz. Horas depois eu erro o cruzamento do centro da cidade, uma buzinada me trás à realidade… Estava longe, pensando nas minúcias, aquilo brilhou como uma luz no fim do túnel. Cheguei em cada umas 11 da manhã, sentei por duas horas sem mau respirar. Reconstruí o sistema de modo que me alegrou.

A segunda pessoa foi um cara que tenho admirado cada vez mais, o nobre e ilustre amigo Jorge Valpaços. Nem sabia quem era tal pessoa até meses atrás ele me mandar uma mensagem perguntando se poderia usar um outro jogo meu em um programa social para reabilitação de jovens problemáticos à sociedade. Nossa, que honra. Fiquei sem chão aquele dia. De lá pra cá o nobre Jorge tem sido a pessoa mais importante em todo o projeto de criação. Acreditando no que eu faço, lendo, revisando e jogando. Sem palavras… ainda tomaremos umas juntos.

Enfim, a caminhada ainda é longa, mas estou feliz, construir jogos é uma coisa maravilhosa e este é apenas o começo.