Pavilhão Dançante

Arquitetura interativa criada para o Parque Olímpico 2016

Em 2016 tivemos a honra de participar do maior espetáculo esportivo do ano com um projeto muito especial, um pavilhão cinético projetado para dançar com as pessoas e transparecer para o lado de fora, através de seu movimento, a agitação do público do lado de dentro.

O desafio era criar um "espaço da curtição", dentro do principal complexo esportivo das Olimpíadas no Rio.

A ideia foi recriar de forma analógica a iluminação inebriante e estroboscópica presente nos festivais de música e baladas, usando no lugar de recursos digitais, módulos circulares mecânicos que permitissem a passagem da luz natural.

O pavilhão dançante era formado por uma pista de dança sensível conectada à uma pele arquitetônica cinética com 345 escamas modulares espelhadas. Essas escamas giravam em 360º, de forma sincronizada formando animações, deixando a luz passar e trocando a cor do espaço.

A pista de dança podia sentir a agitação do ambiente e as animações nas escamas da pele batiam, pulsavam, aceleravam e desaceleravam reagindo a ela.

A interação entre a pista e as pessoas dançando acontecia por um conjunto de sensores de alta precisão (LIDAR) instalados na parte interna do prédio que liam como público se mexia, a intensidade de sua dança. Eles alimentavam o software de animação que controlava o movimento do prédio. Para o processamento musica, foi utilizado Python + Numpy, para captura em tempo real e processamento do áudio.

Parte do código fonte da animação pode ser consultado no GitHub do projeto.

Esse formato incomum do pavilhão, aliado à escala do projeto trouxe grandes desafios de design de produto, mecânica e eletrônica. Do ponto de vista do design, os desafios eram velocidade e segurança. Foi necessário criar e fabricar todos os sistemas mecânicos para que as escamas suportassem as fortes rajadas de vento comuns à Barra da Tijuca, onde fica o Parque Olímpico.

Para conseguir o efeito de sincronia nas animações a exigência de rapidez na comunicação entre os módulos era muito grande e por isso a equipe de engenheiros eletrônicos do projeto decidiu desenhar e fabricar internamente todas as 724 placas de circuito impresso que compõem o sistema completo do pavilhão.

No final, o delay máximo entre módulos era bem menor que o tempo de um piscar de olhos, não superando 20 milissegundos, o que garantiu que as animações fossem percebidas de forma fluidas e harmoniosas.

O resultado foi uma escultura cinética que hipnotizou pessoas de longe e transformou aquele espaço numa balada eletrizante durante o período dos jogos.

Esse projeto foi liderado pelo Estúdio Guto Requena, que desenvolve arquiteturas híbridas, situadas na sobreposição entre o concreto e o virtual junto com a D3 uma produtora especializada em instalações interativas que trabalha há mais de 14 anos na intersecção entre tecnologia, design e poesia.

Ficha Técnica
Autor: Guto Requena
Colaboradores Estudio Guto Requena: Ludovica Leone, Daniel Viana, Bruno Baieto e Guilherme Giantini
Tecnologia e Motion Design: D3
Colaboradores D3: Pagu Senna, Diego Spinola, Carolina Anselmo, André Aureliano, Jonathan Querubina, Brenda Colautti, Natasha Weissenborn, Maria Clara Villas, Luciana Dal Ri, Vitor Reis, Victor Gama, Raphael Fagundes, Mariana Ventura, João Marcos de Souza e Edson Pavoni
Agência: b!ferraz
Montadora: UN Cenografia
Cliente: Skol / Ambev
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