Livro lança poetas da Zona Leste para a Av. Paulista

Vencedores do I Torneio dos Slams lançaram antologia na Casa das Rosas

Larissa Teixeira
Sep 3, 2018 · 5 min read
Lucas Afonso com os exemplares do “Ponta de Lança” na Casa das Rosas | Foto: Larissa Teixeira

“Eu não tava organizando um livro de poesias pra alguém, é um livro nosso, satisfação. louco pra chegar em casa, olhar no olho da minha mãe e do meu pai, estamos fazendo livros, podem acreditar.”, disse Lucas Afonso durante o lançamento do livro “Ponta de Lança”, uma antologia poética do grupo que venceu o I Torneio dos Slams em 2017, o Slam da Ponta (realizado na Cohab II, Itaquera, Zona Leste de São Paulo). O evento aconteceu no dia 25 de agosto, na Casa das Rosas durante o II Torneio dos Slams.

Poetry Slam é um campeonato de poesia falada autoral, com direito à performance, mas sem acompanhamento musical ou objetos em cena, que nasceu em 1986 nos Estados Unidos. O Torneio dos Slams é feito em grupo, “ainda uma linguagem pouco difundida no país”, explica Emerson Alcalde, curador e organizador do evento.

Lucas Afonso e Emerson Alcalde | Foto: Larissa Teixeira

Lucas Afonso, Mariana Felix e Andrio Candido representaram o time durante o torneio que os premiou com a publicação do livro. Mas não há apenas poesias deles na coletânea. Os escritores decidiram incorporar todos os vencedores do Slam da Ponta em 2017, os chamados “Ponta de Lança”. Ao todo 13 poetas ocupam as páginas, além dos três representantes, estão: Daniel GTR, Nathan Gomes, Patrícia Meira, Júlia Araújo Silva, Karpa MC, Mensageiro, Carolina Hirayama, Fellps, Katia Leal Sena e Lucas Sadrack.

“É legal que tem uma variedade bem interessante. Cada poeta vem com a sua linguagem, com a sua bagagem, com o seu olhar, seu ponto de vista e isso que eu acho que torna uma antologia rica”, disse Lucas Afonso, responsável pela organização da obra. Ele conta que nunca havia feito um livro na vida, mas fazer foi um processo trabalhoso e prazeroso: “Saber que eu tenho vários irmãos e irmãs que tão reunidos aqui, alguns pela primeira vez em um livro, isso é grandioso demais pra gente. Quando é que a gente ia se imaginar num livro de poesia, aqui na Casa das Rosas, na Avenida Paulista, numa situação de protagonismo diretamente da Zona Leste, Itaquera.”, afirma.


“Foi muito transformador conhecer esse universo da poesia falada, da poesia viva, das periferias, dos autores, escritores vivos que dividem realidades parecidas com a minha. Aí foi muito mais fácil me interessar por poesia.” (Lucas Afonso).

Por volta de 2012 conheceu os saraus e em 2013 o slam no Zona Autônoma da Palavra, que está completando 10 anos neste 2018. Em 2015 Lucas venceu a edição anual do Slam da Guilhermina, depois o campeonato brasileiro e representou o Brasil na Copa do Mundo de Poesia em maio de 2016: “Queria muito chegar na parte que eu ganhei e trouxe o troféu, mas não aconteceu. Eu fui até a semifinal. Fui mais longe que o Brasil na Copa, então tá tudo certo.”, competindo com poetas de aproximadamente 30 países, ele destaca como a vivência, a troca de experiências e a poesia o levou para lugares inimagináveis. “Com o tempo eu percebi que mais do que trazer o troféu, eu tinha que trazer esse conhecimento. Tudo que eu adquiri e dividi, que de certa forma não conquistei sozinho. Os que vieram antes conquistam comigo, os que estão juntos conquistaram isso comigo e é uma forma de retribuir, trazer isso de volta”.

Hoje, Lucas Afonso organiza o Slam da Ponta, que existe desde 2015, realiza trabalhos voltados para a educação com crianças e jovens em escolas da Zona Leste, adolescentes em liberdade assistida, já fez oficina de poesia no Hospital Psiquiátrico de Pirituba e, também, na tenda do programa “De Braços Abertos” na rua Helvetia, região central. “Eu sempre tento passar pra molecada que eu trabalho que é uma competição, uma batalha de poesia. Não dá pra falar quem é mais ou menos poeta, qual poesia é melhor, qual é pior, não é isso.”, ele explica. “Se a gente realiza um mesmo Slam com os mesmos jurados, o mesmo público e os mesmos poetas 10 vezes seguidas, talvez o resultado seja diferente 10 vezes. Tudo influencia e é muito incerto.”

Lucas autografando o primeiro exemplar vendido. | Foto: Larissa Teixeira

“Da palavra à estética a periferia é poética”

No I Torneio dos Slams houve um desfalque de última hora na equipe do Slam da Ponta. Andrio Candido não pode comparecer por um problema de saúde. Assim, Lucas e Mariana Felix recitaram e venceram a competição com 11 times.

Em 2018 outra dupla venceu a edição que contou com 14 equipes. Cleyton Mendes e Felipe Marinho representaram o Slam Fluxo e levaram publicação como prêmio.

O II Torneio dos Slams aconteceu nos dias 25 e 26 de agosto. O campeonato é resultado de uma parceria entre a Casa das Rosas e do Encontro Estéticas das Periferias, um festival de cultura periférica que está na 8ª edição e passa pelos 4 cantos de São Paulo, além da região central.

Diferente de campeonatos como o Slam SP, seletiva estadual que classifica para a nacional e, posteriormente, para a Copa do Mundo de Poesias, que acontece na França. No Torneio “A ideia é ter uma confraternização dos slams”, afirma Emerson Alcalde. Ele conta que a proposta de publicar um livro veio da Casa das Rosas, devido a ligação com a literatura e incentivo do autor, que os demais organizadores aderiram “porque o slam é um incentivador da leitura e da escrita e o livro é o suporte disso.”, explica.


10 anos de Slam no Brasil

Emerson também é poeta-performer, produtor e mestre de cerimônias do Slam da Guilhermina e SÓFÁLÁ. Segundo ele haverá diversas expressões para marcar este aniversário como publicações, festas, além de edições especiais do Slam SP e Slam BR. “Esse segundo semestre vai ter muita ação de slam, muitos eventos legais”, finaliza.

Da Massa

Produção de conteúdo feito por alunos de jornalismo da PUC-SP

Larissa Teixeira

Written by

Estudante de Jornalismo.

Da Massa

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