Um diálogo que explica muita coisa

Um diálogo (?) interessante entre dois cidadãos, o A e o B. Via Andre Luis Duarte Oliveira no grupo aberto DAGOBAH no Face.

A — Não vai ter golpe!

B — Você acha que é golpe?

A — Claro!

B — Por quê?

A — Estão rasgando a Constituição!

B — Mas quem é responsável por decidir se a Constituição está sendo respeitada ou não?

A — Olha…

B — Não é o Supremo Tribunal Federal?

A — Sim, mas…

B — E o Supremo não se pronunciou, a pedido do Governo, por sinal, estabelecendo qual rito deve ser seguido para que processo de impeachment seja constitucional?

A — O Judiciário é todo corrupto!

B — O PT indicou 8 dos 11 ministros do Supremo.

A — Dilma foi legitimamente eleita por 54 milhões de votos!

B — A Constituição só prevê impeachment de presidente que tenha sido eleito. Se a eleição foi legítima, o TSE vai decidir em setembro. O impeachment é sobre o crime de responsabilidade.

A — Mas Dilma não cometeu crime nenhum!

B — Mas não é isso que está sendo discutido?

A — Como assim?

B — Ué, ninguém tem certeza se Dilma cometeu crime. É justamente isso que o Congresso vai julgar.

A — O Congresso é todo corrupto!

B — Muitos dos corruptos são aliados do governo e estão contra o impeachment. Corrupto ou não, esse é o Congresso que temos, eleito pelas mesmas pessoas que elegeram Dilma. Mas, ao contrário de Dilma, ninguém põe em dúvida a legitimidade da eleição do Congresso.

A — E o Cunha?!

B — O que tem o Cunha?

A — O Cunha é um bandido!

B — Claro. Deveria estar preso, vai acabar preso. Mas foi eleito presidente da Câmara democraticamente, conforme manda a lei. Igualzinho a Dilma e Temer.

A — É um bandido no comando do Congresso Nacional!

B — Não. É um bandido no comando da Câmara. O bandido no comando do Senado é o Renan, tão íntegro quanto Cunha e que apoia Dilma.

A — O Cunha só aceitou o processo porque está mal intencionado.

B — Antes de aceitar esse, engavetou mais de trinta. Estava mal intencionado antes?

A — Ele quer se vingar.

B — Claro. Mas não é ele que decide, apenas submete ao plenário. Quem decide é o Congresso.

A — E assume o Temer?! O Temer é um canalha, corrupto, traidor.

B — Temer é o vice-presidente, foi (como é, mesmo?) “legitimamente eleito por 54 milhões de votos”, na mesma chapa de Dilma.

A — Olha…

B — Escuta, o que caracteriza um golpe não é justamente o fato de a Constituição não ser respeitada?

A — Claro, mas…

B — A Constituição diz que a Câmara aprova o processo, o Senado julga e o Supremo fiscaliza. Isso não basta?

A — NÃO VAI TER GOLPE!

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