
“Não é certo negligenciarmos o ministério da palavra de Deus, a fim de servir às mesas. Irmãos, escolham entre vocês sete homens de bom testemunho, cheios do Espírito e de sabedoria. Passaremos a eles essa tarefa e nos dedicaremos à oração e ao ministério da palavra”
Atos 6.2–4
Como você viu na parte 1 a história do Evangelho começa ainda antes da história da igreja, depois de observar que na vida de Jesus sempre houve harmonia entre teoria e prática, passaremos aos primeiros momentos da fé cristã.
Para limitar nossa reflexão tomaremos por base o relato de Lucas no livro dos Atos: “Fiz o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar” Atos 1.1 — Almeida Revista, Atualizada e Fiel. Neste texto percebemos duas ações paralelas que marcaram o ministério de Jesus: fazer e ensinar.
Que o ministério de Jesus é marcado por obras maravilhosas nenhum de nós tem dúvidas, algumas pessoas enfatizam as obras de Cristo em detrimento de suas palavras, ou pior ainda, só acreditam nas palavras que apontam para uma prática “aceitável”. Apontamos para profunda teologia que há na mensagem de Jesus, que casa perfeitamente com sua prática.
Agora já na análise dos primeiros momentos da igreja, Lucas decide fazer um paralelo entre a estratégia de Jesus e da Sua igreja. No livro dos Atos, a mesma palavra grega para ensinar (διδάσκειν — didaskein), aparece além de Atos 1.1 em 4.2; 4.18; e 5.28 — variações ocorrem em 5.21; 11.26; 15.1; 18.25; 20.20; e 21.21 só no livro de Atos. Para ilustrar que para igreja há um valor tão evidente no ensino do Evangelho quanto nos atos do Evangelho, exatamente como Jesus propusera.
As pregações e exposições do Evangelho no inicio da igreja, relatadas em Atos ocupam cerca de 25% de todo livro, logo no Pentecoste, por ocasião do derramamento do Espírito, há uma mensagem clara, instrutiva e com largo embasamento teórico que é considerada a gênesis da religião cristã.
Os Apóstolos se depararam com o desequilíbrio do cristianismo nos primeiros momentos, pois a assistência de algumas pessoas estava sendo negligenciada. Foi quando, em um ato de sabedoria do alto, há a separação de funções entre os que se dedicariam a oração e a Palavra, e os que serviriam a mesa. Se o grande objetivo do Evangelho fosse o serviço desnorteado, poderíamos ser facilmente confundidos com uma ONG, sem o ensinamento correto do caminho, forma e método a serem seguidos, todo e qualquer serviço é fraco e fragmentado, resultando em trabalho social vazio, mero desencargo de consciência. Da mesma forma palavras infindáveis sem qualquer aplicação prática são claramente apontadas como sofisma, pois as verdades do Evangelho são para vida. Se nos concentrarmos apenas nas palavras, nossa religião é vã (Tg 1. 22–27).
Concluímos, então, que a igreja de Jesus seguiu seu exemplo, ainda que com muita dificuldade colocaram em prática a fé, ensinavam e faziam. Realizavam maravilhas, curas, ações sociais e também anunciavam a verdade, faziam pregações revigorantes, refutavam as mais complexas doutrinas. Não paravam de fazer para ensinar e nunca pararam de ensinar para fazer. Ortodoxia e Ortopraxia andando de mãos dadas desde sempre.
