A miséria ama companhia

Quem acompanha as tuas frustrações?

Trânsito.

Mais uma vez, trânsito. Muito trânsito…

Acompanho o rio Tietê, no banco de traz do UBER. Graças a Deus pelo ar condicionado.

“Senhor, duas horas até seu destino.”

Sim, trânsito.

Enquanto isso, fone no ouvido. Dar um “play”. Mente começa a vagar de exaustão e ouço: “a miséria ama companhia”.

O palestrante chocou a platéia e a platéia de um ouvindo o Podcast.

Foi um gatilho revelador de um pensamento antigo que brotou em uma sequoia.

O efeito colateral

Um dos maiores problemas que tenho visto trabalhando com “millenials”, com as personalidades, com as empresas, e nos lugares que falo, são os pais, as mães, ou os parceiros que são frustados pela vida.

Eles se arrependem de não ter tomado aquela decisão, ou aproveitado aquela oportunidade e estão infelizes consigo mesmos. O resultado em maioria dos casos é que descontam isso nos filhos, família e parceiros. É o efeito colateral do vitimismo.

As vitórias lembram os fracassos particulares, as conquistas lembram os erros de outrora. Porém, não basta sentir isso sozinho. Há a necessidade de descontar isso no outro para amenizar a tortura dos demônios internos. Por isso: a miséria ama companhia.

A chave para si

A autoconsciência é a chave disso. Não, não sou guru, e isso tambem não é “coaching” (odeio esse termo… um dia escrevo um post sobre isso também) entretanto segue uma dica de amigo. É importante sempre estar consciente do seu passado. Isso é fácil, porém interpretar bem seu presente é o difícil. Não é somente interpretar pontualmente aquilo que está acontecendo como uma reação impulsor de uma situação do seu presente.

Realmente é “interpretar bem” seu presente, levando em consideração de onde você veio, e, com clareza, pensando no seu futuro. Isso pode transformar radicalmente as decisões para um futuro melhor.

Fácil escrever isso, difícil viver isso.

Trabalho de cada dia

Trabalho minha autoconsciência todo os dias.

Cresci vendo minha mãe lavando o chão dos banheiros da universidade para a gente sobreviver.

Lembro de ver pouco o meu pai, pois ele precisava ralar estudando 14–18h por dia para manter a média dos mestrados e doutorado, assim teríamos a bolsa de estudos.

Lembro de ir pra sorveteria somente 3x na minha infância.

Cinema? Raras vezes.

Brinquedos? Eram de centros de doações.

Roupas? Um lugar chamado “Good Will” e do Exército da Salvação (doações).

Havia, em muitos casos, pouca comida em casa. Meus pais deixavam de comer para a minha irmã e eu ter algo no prato.

Minha irmã mais velha muitas vezes deixava de ter o dela para eu ter o meu.

Não é por isso que tenho raiva. Não é por isso que sou “vítima” ou “oprimido”.

Vejo que tenho sorte. Muita sorte. Provavelmente mais do que você.

Quando você é um imigrante em uma terra que não é sua, você guarda todo centavo que entra, e gasta o mínimo do mínimo. Entendo isso porque vivi isso. Isso me proporciona, de forma extrema, algumas virtudes:

Eu entendo que as coisas não vem fácil, e assim não vão fácil.

Entendo o valor de trabalho duro.

Entendo o valor de ralar para alcançar algo.

Não vivo pro final de semana, não odeio minhas segundas-feira. Não. Elas são minhas para realizar o que eu desejo.

Aqui não é berço de ouro, são anos e anos sem férias, anos e anos trabalhando muito, e estudando muito. Me considero feliz com o contentamento de “hoje” e “agora” mas tenho uma ambição imensurável para o meu futuro.

Se você leu até aqui, leve isso contigo:

Eu sei de onde vim.
Eu sei para onde quero ir.
Eu vou traçar minha jornada.

Te vejo do outro lado. Estarei acompanhado com minhas alegrias de cada dia.


Obrigado por ler! Escrevo para a geração “Millennial”, que, assim como eu, luta com a fé e sente que algumas coisas precisam ser repensadas. Leia mais postagens aqui: www.danielromagnoli.com

Se puder ❤ este texto! Comente e eu retorno para você em 24hs… se eu não estiver no Snapchat.