[01] O começo.

A ideia de escrever um livro me acompanha desde a infância. Brotaram as primeiras poesias assim que aprendi a escrever. Descobri que as palavras eram as minhas melhores amigas. Era nelas que buscava refúgio quando precisava me esconder do mundo. E, contraditoriamente, elas me revelavam.

Nos primeiros poemas, incentivados pela dona Sonia, professora de Português, eu já me via compartilhando algo muito profundo de mim. É certo que havia também, junto do desejo de ser lida, um certo medo. Uma vez ela me sugeriu que enviasse uma poesia para um concurso, e até se prontificou a fazer as correções. Fui buscar a poesia corrigida na sua casa e levei aos Correios, mas o dinheiro não dava. Deixei o envelope com o rapaz que atendia e fui buscar o que faltava. Nunca mais voltei. Ficou lá, esquecida, a minha primeira chance de mostrar ao mundo o que se passava dentro de mim. Eu tinha doze, treze anos…

O tempo passou e eu nunca mais me lembrei dessa história, até que, subitamente, ela me veio à mente. Eu estava num momento de desânimo, um pouco triste até, e de repente, a ideia do livro veio à tona. E junto dela, o poema deixado de lado no balcão dos Correios. Eu sabia que tinha me mudado para Garopaba, essa pequena cidade à beira-mar em Santa Catarina, para atender a um chamado interno, mas ainda não sabia qual era. Percebi que, sim, o chamado era também para que essa história fosse contada. Não apenas a da carta não enviada para o concurso — coisa que nunca tive coragem de contar para a professora -, mas a minha própria história. A história de uma pessoa que percorreu um longo caminho para reencontrar-se com sua essência. Uma história que poderia inspirar alguém. Porque é para isso, afinal, que servem as histórias…

E foi assim que amanheci determinada a fazer aquilo que aos sete anos de idade já fazia meu coração cantar.

Escrever faz meu coração cantar. E se essa história puder inspirar você a buscar aquilo que faz o seu coração cantar, ela será o meu poema chegando onde deveria chegar, a despeito do dinheiro que faltou para o selo nos Correios.

Essa é, então, a minha história. A história de uma menina criada no interior de Minas Gerais, que sonhava em ser alguém na vida, ainda que não soubesse o que isso significava. Saiu de lá porque achava que numa cidade tão pequena não poderia tornar-se o que queria. Estudou, e dentro das suas possibilidades, buscou as oportunidades e transformou-se naquilo que sonhou — para então descobrir que precisava fazer o caminho de volta, pois havia perdido algo importante no percurso.

Esse livro é sobre essa descoberta, sobre esse percurso — o de ida e o de volta. Eu imagino que, para mim, ele será tão revelador quanto poderá ser para você. Assim me coloco diante dessa tela em branco do computador: com o coração e a mente abertos para o que a minha própria história me revelará.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Daniela Reis’s story.