10 coisas que aprendi em 10 anos de Ágil — uma retrospectiva

Photo by Patrick Perkins on Unsplash

Inspirado em um artigo com título similar de um diretor com quem trabalhei, vou expor a minha experiência com a metodologia ágil nesses 10 anos de estrada.

Importante: Em nenhum momento estarei sentado no trono da verdade. Essas são impressões baseadas nas experiências que tive. Tenho plena convicção que pessoas podem ter tido percepções diferentes de experiências similares.

Segue a lista:

  1. Ágil funciona e é muito eficaz. Mas precisa ser implantado da maneira certa. Umas das principais, se não “A” principal, vantagem é evidenciar problemas. Saber como endereçar esses problemas é a chave para o sucesso da implantação da metodologia na organização.
  2. Independente de post-it colorido, quadro na parede e reuniões em pé, no final não vamos esquecer: se trata de business. Ou seja, não vamos achar que é terapia em grupo, abraçar árvore, uma maneira mais legal e divertida de organizar o trabalho, nada disso. É grana. Como motivar as pessoas e deixar o imprevisível menos doloroso. Muita gente pirou nessa idéia de diversão, se expôs de uma maneira negativa e confundiu Ágil com bagunça.
  3. Como o problema de dar martelo para macaco é que tudo vira prego, o ágil foi o martelo na mão de muita gente. Para quem só conhece o Ágil, ele é a bala de prata para tudo. Isso deve ter feito muita empresa/pessoa ter entendido o conceito errado. Junto com um curso de ágil deveria vir uma introdução ao modelo cascata e a maneira tradicional de gerenciar projetos (PMBOK). Falava lá atrás e repito: nem todo projeto a melhor opção adotar Ágil. Eu não faria um projeto de uma ponte com Ágil. Falhar não é uma opção nesse contexto. Também não há “A” melhor metodologia para gerenciar projetos. Como sempre a palavra é “depende”. Depende do produto, da empresa, das pessoas, etc.
  4. Muito picareta nadou (e ainda nada) de braçada falando sobre Ágil. Mas as pessoas realmente sérias continuam sendo fáceis de se identificar. Quem é, é.
  5. Enquanto Ágil é considerado uma ferramenta ou uma metodologia, ele não decola na empresa. Ele só funciona quando vira um mindset.
  6. A melhor maneira de começar Ágil é pelo produto e não pelo desenvolvimento. Houve muita evolução nesses 10 anos em relação ao papel do Scrum Master, do time, mas não tenho a impressão que o papel do PO (Product Owner) também ganhou essa notoriedade. Mas ele é fundamental. Ele é quem formata as entregas de maneira inteligente. Garbage in, garbage out. Assim como tem a frase “you can’t overtrain a bad diet” para quem gosta de academia. Você não consegue compensar a falta de um bom PO com um time excelente.
  7. Considerando que estamos vivendo em uma segunda geração Ágil, vejo os membros do time com uma postura muito mais de aceitar as regras do que questionar cada detalhe. O que faz pessoas que conheceram o Scrum há 10 anos ter nostalgia e pensar “…no meu tempo era diferente”. Mas talvez seja só um reflexo de gerações diferentes.
  8. Aprendendo sobre coaching, tive a impressão que termo coaching foi a buzzword dos anos 90 que teve seu conceito completamente deturpado no mainstream durante os anos 2000. Assim como Ágil é hoje. Uma palavra quase saturada que serve se encaixa praticamente em qualquer contexto relacionado a projeto quando se quer parecer ter uma versão da sua empresa que é digital, que busca inovação, descolada e blá blá blá.
  9. Ainda escuto, em 2018, “as pessoas estão com dificuldade para lidar com isso porque Scrum é relativamente novo”. Esse “novo” é relativo à empresa, pessoas, mas o conceito é bem antigo. Nesse passo, as pessoas vão falar daqui a 5 anos sobre uma novidade que está mudando a computação chamado cloud computing. E apesar de ter sido pensado em um contexto de desenvolvimento de software, é muito legal ver pessoas do mundo fora de TI se interessando em usar ferramentas e absorver valores da cultura Ágil.
  10. Transformação digital não é algo novo e soa mais estranho ainda pensar que é novidade para profissionais de TI. Sério. Ser TI é ser digital e consequentemente acompanhar a evolução do mercado. Concordo que este termo é algo completamente novo para os demais profissionais e suas respectivas áreas, entretanto, ouvir sobre transformação digital vindo de alguém de TI (ainda mais de uma empresa ultra tradicional) como se fosse uma super novidade soa como um tiozão que se divorciou e acabou de comprar um carro conversível, fez uma tatuagem e comprou um boné de aba reta. Você continua quadrado. Só que agora um quadrado de óculos escuros.

Para finalizar, ressaltaria a importância das pessoas conhecerem o conceito tradicional de gerenciamento de projeto. O PMBOK é um guia muito consistente e tem processos adaptáveis ao mundo Ágil. Vale a pena conhecer.

E você, qual foi seu aprendizado trabalhando com Ágil? Seria legal entender o seus pontos de vista. Compartilhe!


Originalmente publicado no LinkedIn em 14 de maio de 2018