A verdade é teimosa — o ponto principal de uma transformação

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Nas últimas semanas, abordei o tema da transformação digital nas empresas pela perspectiva da postura dos gestores e também da maneira como a companhia lida com os seus funcionários ao longo desse processo. Hoje, quero falar daquele que é o ponto principal para o sucesso de qualquer TD: o compromisso e participação ativa dos executivos sênior — CEOs, COOs e outros cargos C-level.

Não se enganem. Apesar de às vezes pouco abordado quando se trata de uma transformação digital, o papel desses diretores é fundamental. A atuação permanente e firme dos executivos é decisiva para o sucesso dessa iniciativa e qualquer outra empreitada que promova mudanças profundas no funcionamento da empresa. Por outro lado, processos bem planejados podem ir por água abaixo se esse pequeno grupo de lideranças não estiver totalmente imbuído do seu espírito.

Levantamento da Wipro Digital mostrou que um em cada cinco executivos sênior admite que, no fundo, acredita que projetos de transformação digital são perda de tempo. Ou seja, 20% desses processos caminham para o fracasso e têm tudo para arrastar consigo toda a empresa. São inúmeros os casos de empresas há décadas estabelecidas no mercado e que desapareceram ou perderam muito dinheiro nos últimos anos justamente por não saberem como se reinventar em um mundo digital.

Como diz o título de um livro da jornalista Miriam Leitão sobre a recente crise econômica brasileira, a verdade é teimosa. Por isso, muitas outras empresas, no Brasil e no exterior, terão o mesmo destino no futuro próximo. E tudo por conta da arrogância desses diretores e sua incapacidade de enxergar que uma transformação digital completa não é apenas um modismo ou algo para angariar mais uma fatia do mercado, mas sim um imperativo, algo que tem de ser feito o mais rápido possível (mantendo qualidade e planejamento, é claro!).

O que esses executivos não querem (ou não são capazes de) compreender é que a onipresença da tecnologia alterou por completo a forma como uma empresa deve agir, desde a maneira como os produtos são desenvolvidos até os canais pelos quais ela interage com seu público. Assim, a transformação digital não pode se restringir à digitalização/automatização de determinados processos. Ela significa uma reavaliação sobre qual o core business da companhia.

Não há mais espaço no mercado para empresas unidimensionais, que apenas oferecem seus produtos e esperam que o público aparecerá em suas lojas. As companhias do futuro são empresas de tecnologia com expertise para solucionar uma necessidade do cliente — seja conseguir um carro numa tarde chuvosa ou comprar um sofá para a sala de casa — na hora, do jeito e pelo dispositivo que ele quiser.

A arrogância e estreiteza de raciocínio desses diretores é o que abre a porta para tantas startups e pequenas empresas. Elas já entenderam que a reinvenção contínua para atender os anseios do público é o único caminho para o sucesso e vão engolir os big players que não souberem como mudar sua postura. Como já é conhecido no artigo da HBR e confirmado pelo Seth Godin, safe is risky. Risco não é decidir quando ou se é necessário fazer a transformação digital. Risco é não fazê-la. É por isso que o C-level é essencial. São eles que garantem o cumprimento dos planos de TD e eles que podem sabotar esse processo e, com isso, sabotar todo o futuro da companhia.