A aposentadoria do papel-moeda

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O ano de 2017 representou um marco para os serviços de pagamento no país. Pela primeira vez na História, o volume transacionado por meio de cartões superou o volume das transações em dinheiro. Ao todo, as compras com cartão de débito, crédito e pré-pagas somaram R$ 1,36 trilhão contra R$ 1,31 trilhão em movimentações com cédulas e moedas. Os números fazem parte do relatório Meios de Pagamento, da Fisher VB.

O caminho é sem volta. Quando os dados consolidados de 2018 forem divulgados, essa diferença estará ainda maior e só se aprofundará nos próximos anos até 2030 quando, segundo estimativas do mercado, as transações em dinheiro estarão praticamente abolidas em nosso país. Antes disso, essa situação já estará consolidada na China, União Europeia e Estados Unidos.

Em nosso país, atualmente, 52% do público realizou operações com cartão de crédito no ano passado e 46% com débito. Em 2013, esses índices eram de apenas 35% e 39%, respectivamente. Por outro lado, já há um pequeno grupo de 4% dos entrevistados que afirmaram não ter usado dinheiro em nenhuma transação de 2018. E até o uso de transferência eletrônica aumentou, indo de 11% para 19%.

Esses dados, no entanto, são apenas a ponta do iceberg de um movimento profundo que vai alterar a maneira como o brasileiro realiza suas transações financeiras. Os números já mostram que os primeiros passos de meios de pagamento inovadores e de uma abertura importante do mercado estão sendo dados.

Hoje em dia, de acordo com o levantamento da Fisher, há 114 fintechs de meios de pagamento operando no Brasil. Em agosto de 2015, elas eram apenas 19. E seus números se tornam cada vez mais superlativos. No ano passado, a PagSeguro realizou abertura de capital no valor de US$ 2,3 bilhões enquanto a IPO da Stone angariou US$ 1,5 bi. Isso levou a uma desconcentração do setor. Cielo e Rede, que somavam 93% do mercado em 2009, hoje respondem por 56%.

Mais concorrência e competição entre os players se traduz em melhores serviços e ofertas para os usuários, sejam compradores ou vendedores. Hoje, por exemplo, há uma infinidade de “maquininhas” anunciadas na televisão com diferentes modelos de negócio. Esse cenário se tornará ainda mais diverso nos próximos anos, com a entrada de empresas não financeiras no bolo, como Ambev, Uber e Cosan, todas já com suas soluções de pagamento próprias.

Muitas outras ações já foram iniciadas e tantas outras estão a caminho, como o uso de blockchain, tecnologia que visa aumentar a segurança das operações ao mesmo tempo em que eleva sua velocidade e elimina a necessidade de intermediários. Também estarão cada vez mais em voga as soluções de pagamento instantâneo, que preconizam uma nova estrutura de autorização e liquidação, e o NFC, sistema de pagamento sem fio por proximidade.

Essas e demais inovações já são uma realidade em muitos países e ganham cada vez mais peso no país com mudanças importantes na legislação e incentivo do Banco Central. Os próximos anos serão de alterações completas na forma como o público faz seus pagamentos e apenas os players mais ágeis estarão aptos a responder ao novo paradigma com soluções que garantam segurança, velocidade e melhores preços para os clientes nas duas pontas da cadeia.