Quando Mobile First não é mais uma aposta

Todo mundo que trabalha com varejo já ouviu alguém dizendo que “o futuro é mobile”. Há uns três ou quatro anos isso podia ser verdade, mas hoje temos que reformular a frase: o mobile já é o presente e continuar pensando em estratégias de vendas em smartphones e tablets como algo para o futuro demonstra que o seu negócio já ficou para trás da concorrência e está abrindo mão de um mercado enorme de clientes que poderá nunca mais ser reconvertido.

A Black Friday deixou bem clara essa tendência de migração dos consumidores para o e-commerce e, especificamente, para os dispositivos móveis. Entre quinta-feira e domingo, o comércio eletrônico movimentou R$ 3,55 bilhões, 25% a mais em relação ao ano passado enquanto 373 mil pessoas fizeram sua primeira compra online nessa Black Friday. Se as vendas na internet cresceram, o mobile commerce acelerou ainda mais forte. O número de pedidos em celulares e tablets aumentou 38% e o faturamento deu um salto de 48%. As compras mobile já somam um total de R$ 830 milhões e não restam dúvidas de que a Black Friday de 2019 representará um mercado mobile bilionário no Brasil.

Nesse contexto, a questão agora não é mais pensar se devemos apostar nossas fichas no mobile, mas muito mais sabermos como investir em um setor com crescimento tão intenso. Como tudo que envolve o comércio, essas ações precisam estar calcadas em conhecimento — do perfil da marca e, principalmente, dos seus clientes. O achismo não tem vez em um setor tão competitivo e onde um passo em falso pode causar prejuízos de imagem quase impossíveis de reverter.

Adotar uma estratégia Mobile First não significa apenas adaptar sua plataforma para o formato de telas reduzidas de smartphones e tablets. Ela diz respeito, antes de tudo, em prover uma experiência mobile completa e atraente para o seu público. Isso passa por, avaliando o conhecimento que você detém sobre sua marca e seus clientes (repito porque essa é a chave do sucesso no mobile), oferecer métodos de pagamento fáceis e seguros, ter ações de desconto exclusivas para compras via dispositivo móvel e, quando a ocasião exigir, desenvolver um app que entregue funcionalidades para além do website mobile.

E tudo isso sempre mantendo o foco no cliente e em sua experiência. Um estudo da Smartling de 2016 mostrou que 85% dos clientes não perdoam uma experiência ruim de compra mobile e não voltam a utilizar os serviços daquele varejista. No mesmo ano, outra pesquisa mostrou que apenas metade dos consumidores afirmava ter tido boas experiências em plataformas mobile. Este gap é o nó que as marcas precisam acertar se quiserem um bom desempenho em dispositivos móveis.

Não basta migrar para smartphones e tablets. É preciso estratégia, conhecimento, pois qualquer deslize pode ser fatal em um ambiente onde o nível de exigência do consumidor é altíssimo. Se as vendas mobile já são o presente, não prestar um bom serviço pode condenar uma marca a permanecer no passado. Os exemplos que esse conceito é um caminho sem volta não cessam. O Google já criou um modelo de indexação mobile first, afinal de cada 5 pesquisas na internet, 3 são através de dispositivos móveis. Bem como, empresas focadas em desenvolvimento de produtos já desafiam o conceito e vão além: “o que realmente importa são telas, não dispositivos”. Afinal grande parte do público já leva uma vida “screen-centered”.

Referências:
 [1] — Why mobile first is outdated — Intercom
 [2] — Google Mobile First Index — Resultados Digitais
 [3] — Black Friday2018 — E-Commerce Brasil


Originalmente publicado no LinkedIn em 3 de dezembro de 2018.