Como os conceitos de controle e autonomia estão evoluindo

Photo by Patrick Tomasso on Unsplash

O texto dessa semana é inspirado em um artigo publicado por Gustavo Razzetti, especialista em construção e mudança de culturas organizacionais, no Medium. No texto, ele aborda a forma como lidamos com o controle, nossa necessidade de buscar a previsibilidade dos acontecimentos e como essa busca pode se traduzir em infelicidade e problemas de relacionamento com parentes, amigos e colegas de trabalho.

Em linhas gerais, Razzetti afirma que, normal e naturalmente, as pessoas buscam obter uma ilusão de segurança ao tentarem controlar cada aspecto da sua vida. Com isso, o que elas querem é reduzir o número de surpresas ao longo do dia para se sentirem com as rédeas na mão. É isso que faz com que algumas pessoas tenham lugares específicos para cada objeto em casa ou nunca se desviam do caminho para o trabalho, por exemplo.

O autor defende que defendemos alterar o conceito de controle pelo de autonomia. Nele, ainda temos como meta nos sentirmos inteiramente responsáveis pelos rumos de nossas vidas, mas a existência de obstáculos é aguardada ao mesmo tempo em que nos abrimos para o inesperado, que muitas vezes pode trazer resultados bem melhores do que o controle e a previsibilidade integrais.

Trazendo para o mundo corporativo, os ensinamentos de Razzetti, que podemos aplicar em qualquer área de nossas vidas, apresentam uma relação muito intensa com o momento atual, onde o novo paradigma da transformação digital ganha cada vez mais força e adeptos. Isso se deve ao fato desse modelo preconizar justamente menos controle e mais autonomia.

Os chefes e colaboradores de sucesso já nos dias de hoje — e ainda mais no futuro — serão aqueles que forem capazes de implementar esse conceito formulado por Razzetti: abraçar o inesperado, renunciar ao controle irrestrito e permitir que o comando se dilua ao longo da cadeia hierárquica. Essa tese encontra ressonância nos modelos de ambientes psicologicamente seguros de Amy Edmondson que tratei nos dois últimos textos.

A mudança da cultura organizacional no contexto apontado por Gustavo Razzetti é uma faca de dois gumes. De um lado, aqueles em posição de comando precisam deixar a necessidade de controle para trás enquanto, na outra mão, os colaboradores devem ser estimulados e buscarem por conta própria possuir voz mais ativa na definição dos rumos da empresa.

Essa mudança de abordagem não é apenas estética ou voltada para agradar os colaboradores. Ela é, na verdade, a resposta a ser dada pelas companhias às profundas alterações pelas quais seu entorno está passando. Apenas ao permitir que seus funcionários tenham participação nas decisões as empresas serão capazes de ouvir e atender os anseios de seu público.

Apenas renunciando aos diversos mecanismos de controle implantados ao longo das últimas décadas no modelo administrativo as empresas poderão alcançar a flexibilidade necessária para inovar em alta velocidade e criar soluções moldadas ao interesse dos consumidores.

Em resumo, abrir mão do controle e apostar na autonomia — de colaboradores e clientes — é a medida fundamental para que uma empresa explorar suas potencialidades e prosperar no mundo digital e hiper conectado onde o público quer interagir com as marcas de maneiras cada vez mais livres e personalizadas.