Pagamentos instântaneos, tecnologias e transferências de valores

Danilo Ferreira
Apr 24 · 3 min read

Seguirei falando hoje sobre o processo de mudança profunda nos meios de pagamento no Brasil com base no relatório Meios de Pagamento da Fisher (veja o artigo da semana passada aqui). Quero abordar mais detidamente o sistema de pagamentos instantâneos e a tecnologia Near Field Communication (NFC).

O pagamento instantâneo pode ser considerada a novidade mais disruptiva no setor de meios de pagamentos surgida nos últimos anos. Seu conceito é simples: um sistema que funcione 24 horas por dia, 7 dias por semana e que seja autorizado e liquidado em poucos segundos. Além disso, a taxa de transferência entre comprador e vendedor é reduzida a centavos.

Atualmente, toda compra feita com cartões de débito e crédito ou transferências bancárias só pode ser liquidada dentro do horário comercial e o valor de apenas uma transação pode superar os R$ 140, trazendo prejuízo e liquidez muito menor para o comerciante. Essa situação e a emergência de novas formas de pagamento já pressiona as operadoras de maquininhas, que têm reduzido suas taxas recentemente.

Tudo isso está em vias de mudar através dos pagamentos instantâneos, que ainda reduzem o tempo das operações. Para essa modalidade de pagamento, basta o uso de um smartphone equipado com leitor de QR code. Há duas formas de procedimento: o comprador lê o código do comerciante e transfere o valor ou o vendedor lê o código do cliente e o pagamento é processado.

Dessa forma, o sistema de pagamento instantâneo é mais simples, rápido, seguro e barato que os meios de pagamento convencionais que temos hoje à disposição. Por conta disso, esse modelo se torna cada vez mais forte em todo o mundo. China e Índia lideram o mercado na atualidade, com mais de 70% das transações nesses países já sendo realizadas instantaneamente. Na China, além disso, o uso de cédulas e moedas está praticamente abolido.

Aqui no Brasil, o Banco Central anunciou, no final do ano passado, a criação de um grupo de estudo para formular as regras do setor, que devem entrar em vigor no segundo semestre de 2020 ou no início de 2021. O sistema, a princípio, será centralizado no próprio Bacen, diferentemente da China, por exemplo, onde Alibaba e Tencent possuem suas estruturas de pagamento instantâneo.

Outra inovação a caminho é o NFC. Já implantado no Brasil pelo banco Santander, o sistema de comunicação em campo de proximidade poderá liberar o comerciante do uso das maquininhas tão difundidas hoje em dia. Isso porque a tecnologia exige apenas a aproximação do celular do comprador a um dispositivo do vendedor para que o pagamento seja autorizado. Claro que há também Samsung Pay, Google Pay, Apple Pay e até meu relógio Garmin tem seu sistema de pagamentos. O que falta é o banco ter um cartão de crédito tokenizado (mas isso é outra história).

A velocidade também é a tônica desse sistema uma vez que ela não exige que o cliente insira sua senha para efetuar o pagamento. Além disso, outros aparelhos equipados com essa tecnologia podem substituir o smartphone. O Santander, por exemplo, disponibiliza uma pulseira com NFC embarcado que é capaz de autorizar as transações em milhares de estabelecimentos habilitados em todo o país.

Por fim, a NFC não serve apenas para pagamentos simples em restaurantes e lojas. Essa tecnologia pode ser utilizada, por exemplo, para recarga de cartões de transporte público ou mesmo para a realização de check-in em um aeroporto pois seu conceito é de transmissão de uma pequena quantidade de dados de um aparelho para outro.

Combinados, pagamentos instantâneos e NFC estão na linha de frente de um processo de inovação dos meios de pagamento no mundo que tornarão nossas compras mais práticas e seguras, além de trazer facilidades para os comerciantes. Uma situação de ganha-ganha que o mercado brasileiro precisa embarcar.

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