Mimos, millenniums, startups, big fat corps, ternos, bermudas e frutas para acompanhar

Photo by Alex Kotliarskyi on Unsplash

Vou começar o artigo de forma bem errada: Isso não era para ser um artigo. Era só um comentário sobre a notícia Os mimos das startups fazem mesmo os funcionários serem mais produtivos? Mas acabou sendo um pouco mais extenso que o LinkedIn autoriza para um comentário. Certo ele.

A discussão é bem interessante. Até no texto, há a afirmação “Usar terno e gravata, em um ambiente cinza, não irá fazer ele produzir mais”. É verdade. Mas será que usar bermuda e chinelo vai (fazê-lo produzir mais)?

Será que é “só” uma questão de dress code, ambientes abertos, máquinas bonitas, parede coloridas, post-its em todo lado, comidinhas bacanas disponíveis? Contribuem? Contribuem. Não sei se é exatamente esse o ponto. Não acho que é “só” isso ou que uma régua mede todos da mesma maneira. Pelo que vi na minha carreira, a grande maioria das empresas da indústria da internet/mídia/e-commerce, tomam uma direção de acordo com a média do mercado. Algumas regalias, mas não tanto assim.

Pessoalmente, acho que alguns pontos precisam ser levados em conta:

  • A cultura corporativa precisa ser bem calibrada. Corre-se o risco de tratar adultos como crianças e acharem que eles só tem direitos e se esquecerem que no final é business e todos temos deveres. E pior, criar rockstars ou divas que por produzirem mais que seus pares, tem direito de ir além das concessões. Lembro-me de uma passagem, em que um desenvolvedor veio com uma camisa regata, em um dia de calor diga-se de passagem, e quando ele veio à minha mesa para conversar fui surpreendido por um mamilo me olhando. Fui pego sem prévio aviso.
  • A cultura corporativa precisa ser bem calibrada. Isso. De novo. Trabalhei em uma empresa que havia uma sala de descompressão com videogames. Uma sala enorme. Mas ninguém usava. Pegava “mal” ser visto ali com tanta coisa acontecendo e tantas entregas com deadline. Ou seja, como Hobbes já previa, é o homem-lobo atacando sempre que possível.

Acredito que uma remuneração justa (arredondando pra cima), tratamento humano que se estende além de como esses funcionários são tratados por seus líderes à limpeza do ambiente de trabalho — incluindo banheiros — e valores corporativos claros e sendo respeitados por todos é um caminho a ser explorado. Um ponto interessante do texto referência é essa passagem “São atitudes que muitas empresas não praticam e fazem uma grande diferença na produtividade e inclusive no orçamento. Sai muito mais barato do que fazer uma viagem de final de ano em um resort e o pessoal valoriza mais”. Como havia colocado: (no final) é sempre business e grana. Essa visão over-romantizada é que é o problema. Devemos tratar adultos como adultos e direitos e deveres com equilibrio.


Originalmente publicado no LinkedIn em 13 de agosto de 2018.