Porque a sua opinião importa

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Falei na última semana sobre a importância do engajamento de funcionários em um processo de transformação digital. Melhor seria dizer que o engajamento da equipe é essencial para o sucesso da empresa de maneira geral. Nesse sentido, gostaria de abordar o conceito de Segurança Psicológica, criado pela especialista em liderança e gestão Amy Edmondson.

Em resumo, o que Amy defende é que os ambientes de trabalho devem ter como foco o estímulo ao debate e à discussão entre os colaboradores e destes com seus superiores. A situação é conhecida de qualquer pessoa no mundo corporativo: o chefe dá alguma explanação e o restante dos funcionários se cala, sabendo que qualquer discordância pode ser motivo para execração pública, dificuldades futuras de ascensão ou mesmo uma demissão.

É exatamente contra esse cenário, muito comum em algumas empresas por aqui, que a autora se coloca. Para ela, ambientes psicologicamente seguros são aqueles onde todos os membros se sentem tranquilos para discordar de quem quer que seja e sabem que atitudes dessa natureza não trazem riscos.

Pelo contrário, Edmondson sugere (e a experiência comprova) que o correto é estimular o debate e contestação constantes pois eles serão responsáveis por trazer à tona um maior número de ideias e opiniões que, ao fim e ao cabo, criarão soluções inovadoras e muito mais adaptadas aos problemas do que as propostas de um chefe iluminado que supostamente sabe mais que todos os demais juntos.

Coloca-se então a questão de como criar esse tipo de ambiente. A tarefa é bem mais difícil do que parece. Fundamentalmente porque, conforme ensina Amy, o ato de discordar (de qualquer pessoa em qualquer situação social) é visto em geral como atitude de alguém ignorante, negativo, incompetente e/ou intrometido. Assim, as pessoas tendem a concordar com as outras, mesmo a contragosto. Muitos de nós já fomos chamados de chatos ou inconvenientes simplesmente por discordar da opinião de um amigo durante um jantar, por exemplo.

Dessa forma, é papel de um bom gestor deixar claro a todo momento que discordâncias não só serão aceitas como devem ocorrer em prol da obtenção dos melhores resultados para a empresa. Algumas posturas simples do chefe ajudam a criar esse clima, deixando todos à vontade para discordar (até mesmo do próprio chefe) e evoluir ao máximo cada projeto.

A primeira ação prática é evitar apresentar suas opiniões primeiro ou antes que a discussão se esgote. Se você abrir uma reunião já apontando o que acha que deve ser o encaminhamento dado às questões, é muito mais provável que boa parte da equipe vai aderir à sua visão e recuar em suas concepções. Em segundo lugar, é importante ser capaz de falar de maneira extremamente objetiva para não dar margem para entendimentos tortos e que possam acabar por levar as discussões por caminhos infrutíferos.

Também é crucial, por outro lado, saber ouvir. Mesmo que você discorde da primeira frase de um colaborador, deixe que ele conclua o raciocínio e responda à questão avaliando o todo e não uma parte da ideia transmitida. Essa postura, aliás, se encaixa no conselho aos gestores que resume toda essa conversa sobre segurança psicológica: esteja disponível.

Boas ideias não surgem apenas em reuniões com hora marcada. Seja acessível a novas ideias e críticas a qualquer momento e demonstre essa abertura não parecendo estar ocupado a cada segundo, pois isso fará os membros da sua equipe temerem interromper você e acabarem deixando de lado uma ideia que poderia ser a chave para o sucesso de um projeto ou da empresa.

Um outro ponto interessante: recentemente no podcast Master of Scale, apresentado pelo Reid Hoffman, abordou-se o assunto de diversidade de pensamento no ambiente de trabalho com a Sallie Krawcheck e o quão limitante é ter uma empresa onde todos pensam igual. Quem puder conferir, esse é o link.

Na semana que vem, vou abordar o outro lado da moeda: os comportamentos que colaboradores devem ter para fazer crescer um ambiente de debates no trabalho.