O seu papel na transformação

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Na semana passada, falei sobre o conceito de Segurança Psicológica da especialistas em gestão Amy Edmondson e sobre o papel que gestores devem adotar para orientar a criação de ambientes psicologicamente seguros em suas equipes. Resumindo brevemente o que foi dito anteriormente, esses ambientes são aqueles em que a crítica e a discordância são estimulados a fim de se obter insights e resultados cada vez melhores.

Hoje, quero abordar o papel que os colaboradores têm na construção de um clima psicologicamente seguro nas empresas e tratar dos importantes benefícios que essa postura poderá trazer para o desempenho da companhia.

Em primeiro lugar, o mais importante para um funcionário sem cargo de chefia na empresa é não ter medo de abrir uma discussão quando sentir essa necessidade. É bem verdade que a depender do tipo de gestor com o qual você lida qualquer dissenso pode ser motivo para muita gritaria na frente dos demais colegas. Contudo, é essencial não se intimidar.

No contexto atual de transformação digital e estruturas corporativas cada vez mais ágeis e maleáveis, esse perfil de chefe está com os dias contados. As empresas estão se dando conta que concentrar poder de decisão em poucas mãos e ter um grande número de colaboradores que apenas seguem instruções, sem criar soluções a partir das dificuldades reais enfrentadas no dia a dia, é o caminho mais seguro para o fracasso.

Assim, vale repetir: não importa qual é a postura do seu gestor (mas tomara que ele seja aberto ao diálogo, pois isso facilitará todo o funcionamento da companhia), não deixe de expor suas dúvidas e questionamentos sempre que eles surgirem. E mais: não tenha medo de errar. O novo paradigma empresarial introduzido pela lógica das startups preconiza o fail fast. Ou seja, erre o mais rápido possível para evitar custos adicionais e ser capaz de inovar antes da concorrência.

E é exatamente por isso que o conceito de segurança psicológica se reveste de extrema relevância nos dias de hoje. Apenas em ambientes com estímulo ao debate, é possível pensar de maneira aprofundada sobre processos e projetos para corrigi-los ao primeiro sinal de problema.

Isso vai gerar um ciclo virtuoso em que o acúmulo de discussões levará a uma probabilidade muito maior de se encontrar saídas inovadoras para as dificuldades do que em ambientes onde apenas uma cabeça pensa e as demais apenas aceitam e executam as ordens dadas de cima para baixo. E este é a única maneira possível de alcançar essa meta. Sem examinar as questões por todos os lados e ouvir diferentes opiniões, as soluções serão sempre unidimensionais e, muito possivelmente (para não dizer com certeza), não estarão ajustadas às demandas do mercado.

Esse, afinal, é o grande papel que os colaboradores devem desempenhar nas empresas mais modernas: serem os responsáveis por manter sempre acesa a chama do debate de ideias e a busca por soluções disruptivas para que dessa troca constante de experiências e opiniões surjam os caminhos para atender sempre da melhor forma possível os clientes, objetivo maior de qualquer companhia.