Tendências do Varejo para 2019

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Nos últimos anos, o setor do varejo tem sido sinônimo de inovação com tendências que antecipam e respondem às mudanças das nossas vidas cada vez mais conectadas e são seguidas por diversos outras áreas da economia. Para 2019, a previsão não é diferente e uma série de tecnologias e novidades que vêm sendo planejadas e prototipadas recentemente devem ganhar maior espaço e importância nas ações das principais varejistas do Brasil e do mundo.

Vale dizer: não se trata aqui de alterações mínimas ou cosméticas, mas de mudanças profundas em toda a estrutura do varejo, sobre os três pilares que sustentam qualquer negócio — ponto de venda, pagamento e frete. Esses três fatores já estão passando por transformações e os próximos 12 meses aprofundarão ainda mais essa tendência.

O ponto de venda, seguramente, passará pelas maiores mudanças. Um conceito que vai ganhar relevo neste ano é o Ponto de Venda Mágico (Magical Point of Sale ou M-POS, em inglês). Em linhas gerais, essa ideia preconiza que pontos de venda — físicos ou virtuais — permitam interação crescente do consumidor, com uso de técnicas de realidade aumentada para oferecer as melhores experiências de compra para os clientes. É o caso por exemplo da sueca IKEA. A empresa criou um aplicativo onde o público pode utilizar a RA (realidade aumentada) para conferir como uma nova cadeira ou um móvel ficarão em sua casa, se eles cabem no espaço previsto para eles e outros detalhes.

Esse conceito de M-POS também passa por aprofundamento vigoroso do uso de dados para encontrar os produtos de maior interesse do consumidor. Na terminologia mais moderna, a análise será pós-demográfica. Ou seja, fatores como idade, gênero e local de residência importarão cada vez menos. A personalização de ofertas e ações de marketing estará mais baseada na consciência e emoções do cliente. Se isso parece futurístico demais para você, pense no rápido desenvolvimento de tecnologias de reconhecimento facial, que usamos hoje em dia até para desbloquear nossos smartphones. No metrô de São Paulo, por exemplo, anúncios já são apresentados em algumas estações — da linha amarela — a partir das expressões dos passageiros voltados para a tela. O futuro não está tão distante assim.

Se no ponto de venda, o objetivo é prover mais e melhores maneiras de experimentar e testar os produtos, nas questões de pagamento e frete a ideia também é garantir ao consumidor o maior número de opções possível para que ele decida a fórmula que mais lhe convém para pagar e receber um produto.

Quanto ao pagamento, formas de pagamento não convencionais, que não sejam simplesmente passar um cartão de crédito nas maquininhas hoje quase onipresentes, das grandes lojas de departamento aos táxis e vendedores ambulantes. Métodos de pagamento virtuais por aplicativos são a nova tendência. Principalmente com o uso de digital wallets por grandes players do varejo que já têm a sua reputação consolidada. O grande desafio é garantir a segurança dessas transações e dos dados dos usuários para que o público tenha de fato interesse em migrar para formas alternativas e que podem trazer maiores lucros às empresas, que sofrem com as taxas das operadoras de cartão.

Já no frete, a tendência de 2019 está associada à redução de prazos e informação. Nos Estados Unidos, o serviço Prime da Amazon subiu o sarrafo para as concorrentes ao assegurar qualquer entrega em apenas dois dias. Por aqui, o cliente se torna mais e mais interessado que seu pedido chegue quase tão rápido quanto uma compra em loja física e, para isso, está disposto a pagar quantias maiores. É quando entra o segundo fator dessa equação. Quem compra pela Internet, sabe a ansiedade de aguardar sua encomenda e as empresas começam a responder a isso com atualizações constantes sobre o status do pedido, os processos de preparação e envio. É uma novidade simples, mas que sem dúvida aumentará a satisfação do público e as chances de fidelização dos clientes.

O que as tendências para 2019 apontam é para uma busca crescente por parte das empresas por elevar o nível da experiência de compra de seus consumidores, oferecendo informações relevantes com uso de alta tecnologia ao longo de todo o percurso de venda, da primeira faísca de interesse do cliente pelo produto à entrega final. Em resumo, a previsão dos principais analistas de varejo é que este ano nos reserva uma mudança de paradigma, onde o Customer Experience (CX) será substituído por Intimacy Experience (IX), experiências cada vez mais únicas e íntimas com cada consumidor.

Referências
[1] Future of Retail — Trend Watching 
[2] 5 Trends That Will Redefine Retail in 2019 — Forbes 
[3] 8 tendências dos grandes varejistas para 2019 — Cake


Originalmente publicado no LinkedIn em 8 de janeiro de 2019