Gestão de pessoas: O que precisa mudar?

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Encerrei o texto da semana passada falando sobre a importância da gestão de pessoas (e não do medo) em processos de transformação digital (TD) nas empresas. Hoje, pretendo me aprofundar nesse tema — iniciado há duas semanas nesse artigo aqui — e mostrar como a implementação de novos conceitos na maneira como a empresa lida com seus funcionários é crucial para garantir o sucesso de qualquer TD e, de maneira geral, assegurar a sobrevivência da companhia nos tempos atuais.

Um dos conceitos que mais gosto é a ideia de Management 3.0. Criado entre o final da década de 1990 e início dos 2000, esse conjunto de concepções passou a ganhar ainda mais relevo e importância nos últimos anos a partir da expansão incontrolável da tecnologia sobre todo e qualquer processo das empresas. Em linhas gerais, o que o Management 3.0 defende é que toda a estrutura das organizações precisa ser repensada para responder aos novos desafios que estão colocados hoje em dia.

Em primeiro lugar, o modelo hierarquizado de controle das empresas, onde as decisões são tomadas de cima para baixo e a distinção entre gestores e executores está sempre evidente, precisa ser deixado de lado. Em seu lugar, o Management 3.0 aponta ser necessário enxergar a companhia como um organismo complexo, uma teia ou rede onde uma série de relações sociais em diferentes direções acontecem a todo momento.

Essa mudança de entendimento sobre como a empresa funciona (ou deveria funcionar com vistas a alcançar ganhos de produtividade e facilitação de processos) é capaz de produzir um agregado de mudanças essenciais para qualquer experiência de TD. Os princípios do Management 3.0 vai, por exemplo, empoderar as equipes, dando maior autonomia aos colaboradores, e permitir que todos consigam desenvolver e demonstrar suas habilidades, ao serem colocados para desempenhar as tarefas em que são mais produtivos.

Para isso dar certo, o Management 3.0 também preconiza uma mudança na postura dos líderes. Com o fim do modelo baseado em hierarquias rígidas, o bom líder não será mais aquela figura que tudo sabe e define, mas sim os profissionais que apresentarem melhores capacidades de energizar suas equipes e que saibam delegar funções de acordo com os talentos de seus comandados.

Diferente da lógica do medo que abordei dias atrás, os gestores 3.0 não precisam gritar para se fazerem respeitados nem são obrigados a “mostrar serviço” para agradarem a chefia. O objetivo é focar no maior ativo da empresa: seus funcionários, mantendo-os estimulados para cumprirem suas metas e criarem soluções inovadoras aos novos problemas que o mundo de hoje nos apresenta.

Assim, podemos concluir que as novas ideias sobre gestão de pessoas dentro de um processo de transformação digital visa fundamentalmente dar propósito às ações de cada colaborador, garantindo níveis de satisfação e engajamento elevados para que a decisão sobre trabalhar e permanecer na empresa vá muito além do salário nominal, e que ela passe a envolver outros requisitos também essenciais para a rotina de qualquer trabalhador: felicidade, bom convívio no ambiente de trabalho, sensação de crescimento e ganho de conhecimento, entre tantos outros.