Cabo das pessoas

Um mês na Mother City e não poderia ter sido diferente: não foi muito bem como eu imaginava.

Calma, não desista ainda; aqui não vem um texto sobre viagens frustradas. Como vivo longe, mais lá do que cá nas ideias, muita coisa tinha passado pela minha cabeça, muita mesmo. Altas fábulas. Entretanto, no dia em que embarquei em GRU eu estava tranquilo que aconteceria o que tivesse que acontecer, bem Zeca Pagodinho deixa a vida me levar.

Eu esperava o hostel com uma vibe e ele tem outra. 90% do staff é fixo, pessoas locais que trabalham muito, ganham pouco e dormem no emprego. Não dá, obviamente, pra esperar aquela excitação com conhecer gente nova toda semana mas, por outro lado, quem tá de passagem tem a chance de conhecer essa galera real, que não é a da bolha, das garçonetes de Camps Bay saídas de SOS Malibu.

Em contrapartida fiz amigos de outros hostels, sobretudo um deles que é tudo isso que eu imaginava. Voluntários calorosos, na pegada de curtir com os hóspedes, de aproveitar juntos. Assim eu tenho um pouquinho disso que eu imaginava. Não no dia a dia mas ao menos nos finais de semana.

O trabalho no bar que não é tão legal quando todo mundo pensa, porque as vezes é tedioso, às vezes a hora não passa, você tá cansado, porque é trabalho e ponto. E que é legal na hora de definir a trilha sonora da noite, de servir shots pra dez pessoas virarem de uma vez, e principalmente de receber gorjetas :)) hehe

E sim, passou batido no penúltimo parágrafo mas fiz amigos. Conheci gente boa, gente foda, gente tão diferente e tão igual. Gente que cansou, que pediu demissão, que foi mais esperta e não esperou cansar. Gente com história pra contar, gente interessada em ouvir. Gente do Brasil que acolhe, gente de qualquer lugar que não tá nem aí pra quem emitiu seu passaporte. Gente que me fez reafirmar meus valores, gente que me fez repensar.

Gente é foda. É isso definitivamente que me conecta e me impulsiona, que me emociona.

Porra, o Afrika! O Afrika que tem 9 anos e mora aqui no hostel com a Zozo, sua mãe que é recepcionista. Gente que eu já sinto falta antes da distância existir. O Paulo from Sao Paulo que a rede de contatos me apresentou e todo mundo que veio através dele. O Bernardo, o cara mais engraçado de Cape e com uma energia absurda. O Sérgio que foi meu veterano de bar e hostel. A Rommy, a Eleonora, os suíços, os brasileiros, enfim, todo mundo.

Tem gente que passa 3 dias pela nossa vida e marca pra sempre. Numa viagem é assim. Numa viagem longa mais ainda.

Em um mês essa foi minha viagem. Mais do que os hikings, a paisagem, os cafés ❤; as pessoas. Um mês foi foda. Vamo pro próximo!

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