Buscando dados sobre a comunidade angolana no Brasil

Este texto faz parte do trabalho de levantamento de dados que serviram de insumo para a escrita da reportagem Maré Angolana que desenvolvemos aqui no data_labe entre abril e junho de 2018, na ocasião da primeira temporada de residências com jovens comunicadores populares.

Foto: Jéssica Pires

Assim que começamos o mapeamento das informações que gostaríamos de trazer na matéria, fizemos uma solicitação no Sistema Eletrônico do Serviço de Informação ao Cidadão - E-SIC. Este texto vai trazer alguns aspectos sobre essa consulta, fontes de informações apontadas nela e ainda outras que conseguimos mapear.

Apesar de termos um Sistema de Tráfego Internacional (STI), que concentra informações referentes ao atendimento de angolanos, e outros estrangeiros, em todos os pontos de migração do país, não podemos contar com uma análise histórica desses atendimentos, pois só está disponível para o cidadão, dados a partir do final de 2016. Esse ponto merece uma provocação com relação ao tratamento e importância dada a esses dados, pois temos no Sistema de Informações do Arquivo Nacional (SIAN), a possibilidade de pesquisar a quantidade de entrada de imigrantes no Porto do Rio de Janeiro que datam de 1875.

Saber sobre a movimentação dos angolanos que passam pelos pontos de migração no Brasil seria um dos aspectos do perfil que pretendíamos levantar. No entanto, desconsideramos continuar a busca, porque o foco estava no perfil de angolanos que decidem morar no Brasil. Para isso usamos a base do Registro Nacional de Estrangeiros (RNE) do Sistema Nacional de Cadastramento de Registro de Estrangeiros (SINCRE) que fica disponível no site do Observatório de Migrações Internacionais (OBMigra)

A base possui um histórico que vai de 2000–2016, por isso é bom contar com processos automáticos de extração. Aqui usei a contribuição do Leonardo Diegues.

Através dessa base é possível saber, por exemplo, o detalhamento de qual lei de amparo foi associada ao estrangeiro que conquistou o registro, ano em que fixou residência, idade, estado civil. No entanto, não sabemos o período concedido, e nem o quantitativo de registros ativos no ano.

Para desenhar o fluxo migratório de outros períodos, recorremos a um trabalho acadêmico de mestrado: MIGRAÇÃO FORÇADA -Uma abordagem conceitual a partir da imigração de angolanos para os estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, Brasil (1970–2006)- da Mariana Recena Aydos que traz análises dos censos demográficos e do estudo “Condições de Vida da População Refugiada no Brasil” (CVPR) do Núcleo de Estudos de População da Universidade Estadual de Campinas (NEPO/Unicamp) no ano de 2007.

Era interessante também entender aspectos sobre os angolanos que estão no mercado de trabalho, e encontramos informações sobre isso no mesmo site do OBMigra. No RAIS banco de dados que relaciona os trabalhadores de empresas que possuem CNPJ. A série disponível vai de 2010–2014, porém utilizamos apenas o ano mais recente disponível, porque ela agrega todos os registros de anos anteriores. O ponto de atenção aqui é a necessidade de filtrar contratos de trabalhos ativos se o interesse for a posição em Dez-14.

Por último, analisamos o perfil da participação de angolanos no ensino superior, os microdados estão disponíveis no site do INEP. Para a dimensão “aluno” utilizei o DM_ALUNO — uma base relativamente grande (quase 6GB) porque contém dados sobre todos os estudantes de nível superior no Brasil. Para os iniciantes em R sugiro consultar o tutorial de importação para bases grandes (.ffdf) no LEIA-ME que consta na documentação baixada.

Utilizamos o programa R para extração e tratamento dos dados e o Public Tableau para esta visualização interativa.