datalabe.org

Há exatos seis meses começamos os trabalhos aqui no data_labe. Fomos nos entendendo aos poucos, conhecendo um universo novo e impressionante. Não só as ferramentas de busca, coleta, análise e visualização de dados, mas tudo o que isso trouxe para a construção das nossas vidas. Somos compostos de uma busca identitária incessante. Porque mulheres, porque negrxs, porque gays, porque periféricxs. E temos entendido que essa construção é coletiva, política, tecnológica e informacional.

Apresentamos o datalabe.org

Foto: Leonardo Carrato

Queremos uma ferramenta que disponibilize nossas experimentações no universo dos dados. Que sirva de canal para os debates que temos entendido fundamentais para a construção de sociedades mais justas. A invenção de novas narrativas sobre nós mesmos é fundamental para a disputa por um imaginário mais rico e plural dos territórios populares e pela consolidação do que entendemos como democracia em um Brasil em transição.

Sem querer pressupor leituras únicas, as pesquisas dão conta de um recorte diverso daquele senso comum:

O primeiro trabalho que apresentamos é uma análise dos temas mais abordados no Twitter e nos jornais online [Extra e O Dia] sobre a Baixada Fluminense entre os dias 01 e 15 de junho de 2016. O projeto do Fábio Silva permite entender um pouco os jogos envolvidos nas narrativas construídas pelos veículos de comunicação “tradicionais” e estabelecer um paralelo possível com o que se vive na realidade de uma Baixada bem mais diversa do que se pinta nos jornais. Veja aqui.

Na sequência apresentamos o trabalho da Paloma Calado. Ela constrói um mapa das escolas da região do Complexo da Maré e Complexo do Alemão (que abrange Bonsucesso, Manguinhos e Ramos) e alerta para um preconceito recorrente — a média dos alunos do ensino médio das periferias que prestam o ENEM. Aqui o link.

Seguimos com o confronto proposto pelo Eloi Leones na busca por dados que localizem travestis e transsexuais no Brasil. Não é difícil imaginar os obstáculos para alcançar os objetivos. Infelizmente o resultado é nada surpreendente, mas traz desafios concretos. Descubra.

O trabalho da Vitória Lourenço é um ensaio: “Quem são as mulheres-mães que mais morrem no Rio de Janeiro?” Ela levanta dados do DataSus e traça um retrato da morte materna no estado do Rio entre os anos de 2009 a 2013. Aqui você vê a análise.

Por fim, o projeto da Fernanda Távora, desenvolvido em parceria com a Coding Rights, traz uma apuração dos dados que as concessionárias de ônibus da cidade do Rio detém dos usuários. Ela também faz relação entre os poucos consórcios e seus poucos controladores e traz para a superfície um tema urgente: quem anda nos vigiando na cidade?

Os próximos passos são promissores. Queremos transformar o data_labe em um laboratório permanente de trabalho com dados na favela. Os desafios são incontáveis e nossa empolgação incontida. A partir de agora seguimos propondo novas visualizações, levantando pautas e difundindo a cultura de dados para construir políticas mais transparentes e efetivas para os territórios populares.