O Mapa da Comunicação Comunitária

O data_labe nasceu como um laboratório de investigação, escrita, análise e visualização de dados sobre as favelas, os sujeitos habitantes desses espaços e as questões que os afetam. É preciso falar de nós por nós mesmos! E as atividades seguem a todo vapor por aqui. Durante os últimos meses nós trabalhamos a fundo na busca por veículos de comunicação comunitária da metrópole que suprissem um desejo que habita nossos corpos: a criação de narrativas independentes sobre os territórios populares e seus moradores. É por isso que criamos o Mapa da Comunicação Comunitária.

http://mapa.datalabe.org/

Passo a passo

A primeira etapa do data_labe consistiu em desenvolver um site para abrigar nossos produtos — vídeos, gráficos, matérias, mapas. Cada um des cinco jovens residentes aqui no data_labe foi responsável por assimilar o universo dos dados e produzir visualizações acerca de temas que lhes eram caros. O resultado é o datalabe.org. Esperamos que ele sirva, primeiramente, de repositório dessas nossas primeiras experiências e que ele avance na construção de uma comunicação mais democrática e plural.

A segunda etapa do nosso planejamento anual está sendo gestada há alguns meses. Na busca por sujeitos e coletivos que produzem narrativas locais, nos deparamos com a base de dados produzida pelo projeto Direito à Comunicação e Justiça Racial, desenvolvida em 2014 pelo Observatório de Favelas, com apoio da Fundação Ford. A pesquisa buscou investigar como funcionam algumas iniciativas de comunicação popular do Rio de Janeiro; qual é o lugar da agenda antirracista para essas; e como organizações comprometidas com a promoção da igualdade racial têm utilizado estratégias e ferramentas de comunicação em suas práticas ativistas.

[Nesse link você tem acesso à publicação produzida pela equipe da pesquisa. É o ouro!]

A partir da base de dados gerada pelo projeto Direito à Comunicação e Justiça Racial, nós fomos discutindo outros conceitos de comunicação popular, sua importância e atualidade para a disputa pela comunicação no Brasil. Focamos nos veículos já articulados, produzidos, difundidos ou protagonizados por sujeitos, coletivos e organizações de favelas e outros territórios populares. Excluímos os blogs pessoais, veículos que não produzem conteúdo próprio ou só replicam conteúdo de outros e os que estão inativos. Eliminamos também as organizações sociais e selecionamos 27 dos 70 veículos presentes na pesquisa. Destes, 14 responderam a um questionário que proporcionou a construção de uma nova base. Aí fomos em busca de mais veículos. Produzimos uma campanha no Facebook e entramos em contato com parceiros e veículos da nossa rede. Vinte e dois responderam à pesquisa. Estabelecemos alguns filtros e focamos no que entendemos como “veículos de comunicação comunitária”. Com isso, o mapa está sendo lançado com 29 veículos que correspondem à nova base de dados que geramos. Esta base é aberta e participativa. Isso quer dizer que mais veículos podem se inserir na base, respondendo ao formulário que criamos.

O que queremos?

A base de dados produzida pela pesquisa é só um começo. São 29 veículos dispostos pelo território de toda a Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A ideia é que mais veículos, localizados em outras partes do Brasil, sejam adicionados ao mapa e à base de dados. Assim, esperamos não só contabilizar as iniciativas, mas gerar uma rede de colaboração possível entre esses veículos e ajudar na elaboração de políticas que aumentem os espaços de representação e relevância da comunicação feita pelo povo. Qualquer iniciativa que se encaixe nos critérios estabelecidos pode se inscrever e ser adicionada ao mapa.

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