O que dizer dessa residência que mal acabou e já considero pacas?

Uma carta de amor ao data_labe.

Me inscrevi pela segunda vez no processo de seleção para a residência de três meses do data_labe em maio deste ano. A proposta da chamada era a criação de uma pequena agência de checagens, em parceria com a escola de jornalismo Énois, de São Paulo. Não achei que fosse conseguir a vaga. Tinha pouco contato com jornalismo de dados e produção gráfica. Pensei que isso seria um obstáculo. Fiz todo um trabalho psicológico para não ficar triste com o resultado negativo. Pouco tempo depois, recebi um e-mail informando que havia conseguido a vaga. (meme de pessoa muito feliz). Desde a primeira reunião que tivemos, senti que o processo de pensar e de fazer da equipe seria democrático (no sentido positivo da palavra). E estava certa. Da união entre Énois e datalabers nasceu o CHECAZAP.

Uma carta de amor ao data_labe

Durante nossa convivência, me senti acolhida e respeitada, mesmo com as diferenças entre nossas personalidades. Aprendi a entender o jeito, o olhar e a fala de todos da equipe. Percebia quando estavam tristes e quando estavam felizes, quando tudo ia nos conformes e quando nada ia bem. Aprendi a trabalhar com diferentes pensamentos e opiniões. Absorvi tudo o que essa equipe-família me ofereceu, como profissional e como ser humano. Jordan e Amanda atualizaram minhas configurações de admiração por alguém. São os melhores Data Brothers ever. Gil (Mamãe 1) recebeu esse apelido por dar alimento, carinho e dinheiro para a gente. Clara (Mamãe 2), por ser firme e doce sempre quando necessário. Fernanda e Juliana me ensinaram que não precisamos “fazer o filho sozinhos” para que ele seja perfeito e amado. Construir juntos também pode ser legal (quem diria). Giu e Eloi me ensinaram que aprender nunca é demais e que devemos transmitir o que sabemos como se fosse uma virtude. Hannah me mostrou que a adaptação ao que é diferente se faz necessária no dia-a-dia, e me apresentou ao app Todoist. Pedro me mostrou que aquarianos são doces e engraçados. Agradeço a todos.

Quem é a linda que tá checando as Fake News?

Mas como nem tudo são flores… fluxo de trabalho sinistro! Quantos grupos, quantas falsas verdades, quantas afirmações mentirosas. Quanto banco de dados. IBGE. Paraná pesquisas. Deus é maior. Folha do País. Achei que enlouqueceria. Muito além de entender sobre jornalismo de dados, estatística e criação de narrativas ideológicas, nessa residência refleti sobre o que são as notícias falsas que tanto checamos. Ainda tento compreender o que é verdade. O que leva a criação e o compartilhamento de uma mensagem que pode prejudicar fatalmente a vida de alguém? As pessoas não checam antes de compartilhar? E se checam, compartilham por quê? Por uma questão de bem e mal, de caráter? Simplesmente por ignorância ou descompromisso? Quem ganha com isso? Quem perde? E meus ideais? Eles interferem no julgamento que faço sobre as diferentes visões de mundo? Será que o outro também me analisa da mesma forma? E essa necessidade de análise? Será que, de certa forma, coloco quem é diferente de mim em posição inferior? Como na caverna do dragão: nunca saberemos.

Finalizo minha carta de amor à casinha. Não vou falar sobre o trabalho cotidiano da residência porque foi como qualquer fluxo de trabalho relacionado à fact-checking (checar / recolher / chorar / pesquisar / consultar / comer / gargalhar / Quem é a linda? / Cadê o Pedro? / checar / Devolve minhas fake, SP / Caraca, planilha de tudo / pesquisar / formulário / A bolsa caiu? / Fake News / Cadê Fake News, Brasil? / consultar / repete) mas eu não faria nada diferente.