#residênciadata_labe: primeira temporada

Como construímos a ideia da #residênciadata_labe.

parte da equipe da #residênciadata_labe

Encerramos a primeira residência oficial do data_labe. O processo se finaliza com a publicação de duas reportagens financiadas pelo Edital de Jornalismo Investigativo do Fundo Brasil de Direitos Humanos. Abrimos uma chamada pública para comunicadoras e comunicadores da Maré que quisessem produzir conosco duas reportagens e recebemos mais de trinta inscrições. A Jéssica Pires e a Juliana Sá viveram essa história com a gente.

As pautas foram previamente levantadas a partir de temas que vinham instigando a gente na favela: a comunidade angolana, que presenciávamos muito e conhecíamos pouco, e a relação das mulheres mareenses e o sistema penitenciário, a partir de muitos conteúdos que vem sendo veiculados sobre questões de gênero e aprisionamento em massa.

Os dois temas são muito complexos e sensíveis. O trabalho nos exigiu um outro nível de relacionamento com a comunidade, estabelecimento de vínculos de afeto e confiança. Aprendemos a lidar com muitas recusas e desconfianças. Desenvolvemos também empatia e o entendimento metodológico de que o nosso papel enquanto jornalistas (e a própria função do jornalismo) não poderia se sobrepor aos limites do que significava a exposição de narrativas pessoais atravessadas por tantos estigmas.

Nossa principal dificuldade foi com o conteúdo audiovisual. A exigência das personagens de não terem as imagens e, em alguns casos, as identidades reveladas nos fez desistir da ideia inicial que tínhamos dos muitos ensaios fotográficos e alguns mini documentários (o que ainda é um sonho). Por outro lado, conseguimos construir narrativas respeitosas, consistentes e com perspectivas diversas sobre temas tão caros pra entender a sociedade brasileira contemporânea.

A primeira temporada de residência data_labe foi um sucesso! Em primeiro lugar porque conseguimos produzir conteúdos relevantes sobre temas relevantes. Depois, e de forma alguma menos importante, porque conseguimos agregar pessoas incríveis para um processo colaborativo, intenso, profundo de construção de metodologia, afeto, parceria e jornalismo.

Tudo isso coincidiu com o nosso momento de institucionalização e abertura de processos burocráticos para isso. O que poderia ser só turbulência foi também um momento de muita troca e generosidade, graças também a essas sortes do universo de colocar pessoas maravilhosas nos nossos caminhos.

Ainda precisamos acertar muitas arestas e estamos exatamente nesse momento. Sistematizar melhor nosso fluxo de trabalho, nos afirmar com coragem no campo da produção jornalística, lapidar as metodologias de formação e produção. A gente chega lá, talvez mais rápido do que nós mesmos imaginamos. Erramos e aprendemos muito. No final das contas o resultado me enche de orgulho.

Os aprendizados desse processo já estão sendo aplicados na segunda temporada da residência data_labe, que começou em junho. Em parceria com a Escola de Jornalismo da Énois, nossa super parceira de São Paulo, estamos construindo o Checazap. Abrimos outra chamada pra jovens comunicadores de favelas do Rio de Janeiro na perspectiva da afirmação e continuidade da dinâmica de agregar gente nova pra conhecer, trocar e produzir com a gente.

Inauguramos assim as residências como principais fluxos para nosso eixo de formação. A cada nova proposta de produção vamos convocar comunicadores, dateiros, artistas e ativistas (de acordo com a demanda rs) a colar com a gente para processos imersivos de troca de aprendizagens e construções em colaboração. Que nosso laboratório seja sempre um espaço para ajuntamento de gente, ideias e contribuições para pensar o mundo e fazer política. Vamo que vamo! :)