Sobre burocracias, tecnologias e acesso à informação

É no mínimo estranho associar burocracia, tecnologia, informação. Até mesmo falar soa ruim, eu sei. É que no começo deste século vinte e um, enquanto os celulares viram super-androids e nós temos a possibilidade de nos conectar em qualquer lugar com pessoas de todo o mundo instantaneamente, burocracias parecem fazer mesmo o menor sentido.

Os novos computadores, agora muito mais compactos e versáteis, projetam tudo via web. São nuvens e mais nuvens com potencial de nos mostrar tudo (ou quase tudo) que precisamos saber de forma muito simples, direta. Ou será que não?

Se as informações estão todas aqui, então como obtê-las? Tenho me debatido com o desafio de cruzar essas informações que me parecem importantes; fazer as perguntas certas e saber procurar. Isso não vem em manuais junto dos computadores. A verdade é que diante dos nossos olhos vemos máquinas poderosas que “habitam” a maior rede de conexão do mundo. Mas como utilizar tudo isso da melhor forma?

Um novo jeito de olhar o mundo: gerando informação via dados, muito além das estatísticas.

No ultimo mês, nós do Data Labe, temos nos debruçado a encontrar informações na forma de dados para entender melhor o mundo a nossa volta. Nos empenhamos em estudar e desbravar um campo que para a maioria de nós era desconhecido. Nos deparamos com muita gente bacana, grupos, pesquisadores, profissionais de todo tipo que estão nesse rolê a mais tempo e dispostos a ajudar (um beijo!!), mas também esbarramos com desafios e problemáticas que inclusive essa galera aí já conhece a muito tempo.

É que nós produzimos dados digitais -ou não- o tempo todo: com nossos celulares e aplicativos, ao sermos atendidos por qualquer serviço público (e privado), ou até mesmo ao prestar vestibular. A produção de dados é uma constante em nosso dia-a-dia e foi inserida de forma tão sutil que a maioria de nós ao menos se dá conta. Esses dados podem estar disponíveis publicamente e podem gerar novas histórias, novas descobertas (para o bem e para o mal, vale dizer). A questão é como ter acesso a eles e como driblar os problemas que um sistema ainda despreparado proporciona.

As instituições que disponibilizam esses dados tem seus próprios sistemas para ceder as informações. Como isso tudo é muito novo, não existe padrão, cada um tem sua linguagem, tipo de arquivo, extensão, o que acaba dificultando um tanto o nosso acesso às informações, mesmo asseguradas por lei; mesmo tendo descoberto que esse acesso pode manter os cidadãos mais informados e empoderados.

Muros e barreiras para proteger dados é uma ideia que soa bacana no primeiro momento, afinal, quem quer seus dados soltos por aí? “Tenha pudor, esconda esses dados! Vai ficar mal faladx!”. Pode parecer piada, pode parecer simples, mas acesso à informação é coisa séria. Informação é poder, e quando pensamos em quem tem acesso aos dados fica mais evidente a quem eles servem e aí o jogo vira.

Tornar dados públicos acessíveis a todxs, é tornar acessíveis as formas como eles estão dispostos. Em meio a tantos avanços nós ainda encontramos dificuldades pra lidar com a constante atualização da tecnologia e seus desdobramentos. Uma coisa é certa: informação é poder, é a possibilidade de compreender e tentar mudar o que nos tanto incomoda.

E seus dados? A quem serve?