TRANSDADOS — minha busca de dados sobre transexuais e travestis

Performance da modelo Viviany Beleboni na Parada LGBTde São Paulo em 2015

Nós falamos sobre dados o tempo tempo todo, seja em nossos textos aqui pro data_labe, seja no nosso QG no Bela Maré e até em nossos sonhos. Ultimamente, até em minhas conversas, os assuntos que sempre entram em pauta são os dados, e o mais impressionante disso é que eu não consigo parar de falar sobre, quanto mais analiso tabelas e paro pra pensar no poder que esses dados exercem no meu dia-a-dia, mais eu fico interessado em aprender onde eu posso aplicar os resultados que podemos obter a partir das análises. Mas se tem uma coisa muito difícil, é mostrar para as pessoas o quanto esses dados são importantes. E esse está sendo o maior desafio na minha pesquisa.

A minha pergunta inicial era: existe alguma relação entre empregabilidade e pessoas LGBT? Fiquei alguns dias pesquisando e ao ver que o assunto era muito abrangente resolvi mudar, preferi focar em empregabilidade de pessoas transgênero, que inicialmente julguei ser mais fácil. Com o passar do tempo, fui tendo uma dificuldade muito grande para conseguir qualquer tipo de estatística sobre qualquer coisa relacionada a transexuais. Cheguei até a achar que eu não estava me empenhando o suficiente, o que inicialmente me deixou um pouco desmotivado. Mas e durante as nossas conversas aqui no _labe, fomos chegando a conclusão de que isso também é um dado.

Só depois do #Coda-Br realmente vi que minha pesquisa já tinha acabado e eu não percebi. Nos lightining talks, eu conheci o trabalho da Daniela Flor, que fez uma série de matérias sobre LGBTfobia pro HuffPost e esbarrou nos mesmos problemas que eu: a falta de dados. Numa conversa com ela, trocamos figurinhas sobre nossas dificuldades e um pouco sobre nossos projetos que se complementam. No caso dela, ela resolveu fazer um mapa colaborativo, em que qualquer um pode registrar um caso de LGBTfobia. Eu resolvi questionar o motivo desses dados não serem produzidos.

Como mostrar que dados importam? Como mostrar pra fundamentalistas religiosos, por exemplo, dados sobre transexuais? Estão jogados na mesa os meus desafios, e ainda estou estudando formas para que eu possa fazer a informação chegar nos mais diversos públicos, livre de preconceitos iniciais e, assim, criar uma reflexão sobre o quanto a falta de levantamento de dados é prejudicial para algumas camadas da sociedade.

Tendo em vista todos esses desafios, eu resolvi fazer um vídeo mostrando a importância de dados em nossa vida e a influência política que eles podem ter. Tive uma ajudinha da Indianara Siqueira nesse processo, onde fui apresentado à CasaNem — um espaço de apoio à pessoas trans no centro do Rio. Além disso, vou mostrar, em um gráfico, a comparação dos dados de transexuais e travestis que consegui coletar através da Secretaria Nacional de Direitos Humanos e pelo Grupo Gay da Bahia onde é possível ter uma noção melhor da precariedade da coleta de dados.

Que isso sirva para dar maior visibilidade à comunidade trans, que ajude a diminuir a Transfobia no Brasil, onde mais se mata transexuais e travestis no mundo, e que reforce uma nova narrativa sobre essa população negligenciada pelo poder público e pela sociedade. Avante!

Nota: Finalizei meu processo de busca sobre esses dados que você pode ler aqui: http://datalabe.org/transdados/