Uma semana de Serenata de Amor

Alguns de vocês sabem que eu comecei a fazer parte do projeto Serenata de Amor essa semana. Projeto que tem como objetivo ajudar a combater a corrupção usando técnicas de machine learning e data science.

Por causa desse projeto e dessa participação algumas pessoas vieram falar comigo. Em particular uma menina super dedicada e interessada no mundo da tecnologia que conheci na python Brasil 12. Essa minha amiga me fez a seguinte pergunta:

Je como você fez pra superar as dificuldades de começar a trabalhar como desenvolvedora?

E foi isso que me deu a ideia de escrever esse post pra contar um pouquinho sobre como que foi essa semana…

Um pouco do meu background

Eu fiz um curso chamado Informática Biomédica. Entrei na faculdade em 2011 e depois de vencer todos os chefões do curso finalmente vou pegar meu atestado de conclusão de curso dia 3 de fevereiro.

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Na faculdade, além de fazer amigos, descobri o maravilhoso mundo do código. Entrei em contato pela primeira vez com conceitos de ciência de dados (data science) quando participei voluntariamente da organização de um curso de verão sobre Bioinformática usando R.

Aaah Bioinformática…

A união perfeita e quase mágica de arquivos gigantes carregando dados genéticos, conceitos estatísticos e computação, seria esse o paraíso? Não sei! Mas pra mim era o mais próximo disso que eu poderia imaginar… Então após o fim do curso, e de volta as aulas, decidi que queria fazer uma iniciação científica naquela área.

Desde então analisar dados é algo que muito me interessa e parte da minha lista de paixões. Mas o tempo passa e a faculdade te permite conhecer novas pessoas, novas oportunidades. Eventualmente chegou o momento que conheci a comunidade pythonica e desenvolvedores que, além de escrever código à trabalho, também o faziam por diversão.

Meu mundo sofreu um terremoto. Eu sempre gostei de escrever código, e por mais que eu amasse aquilo, faltava alguma coisa. Esse alguma coisa ficou claro quando comecei a participar do grupy-rp. Se reunir com amigos, falar de código ou não, escrever código juntos ou ir ao cinema ver o novo star Wars passou a fazer parte da minha realidade e eu me sentia em casa.

R me mostrou algo que eu gostava e Python trouxe algo que faltava pro meu dia a dia de código. Eventualmente eu terminei minhas iniciações científicas e acabei aceitando a ideia de um estágio como desenvolvedora Python+Django.

Mas pera ae moça, tu num trampava com bioinformática?

É! Mas eu nunca me fechei para outras possibilidades. Então, o estágio surgiu e eu fui lá com a cara, um pouco de coragem, muito nervosismo e o tutorial do django girls feito nas costas pro estágio. Sete meses de muito aprendizado. De muita leitura de documentação. De muitos eu ‘não sei’ mesmo sabendo. E de muitos ‘finalmente deu certo!!!’.

Participar do grupy e fazer o estágio me deu confiança pra fazer um TCC escrito em Python. Falei com meu orientador e ele topou me ajudar a transformar a ideia de uma pipeline de processamento em NLP em realidade. Em quatro meses aprendi tudo que consegui sobre NLP e Python na prática.

De Python e R ao Serenata

Fazer parte do grupy teve suas vantagens. Ajudar a organizar o Caipyra, estagiar e também participar do Sprint no Serenata. Lá eu conheci o projeto, contribui com o Jarbas e vi surgir a possibilidade de contribuir com a parte de processamento de dados 😍.

Mas o clima de encerramento de facul não me deixou dar mais atenção a minha parte favorita do projeto. Eventualmente, o Eduardo Cuducos me mandou uma mensagem perguntando o quanto de data science eu sabia. Conversa vai e conversa vem o cuducos me colocou em contato com o Felipe B Cabral… Muitos desencontros depois, conseguimos finalmente fazer uma videoconferência pra alinhar as ideias e eu aceitei a proposta de participar do fim do projeto.

Todos à bordo!

Na segunda-feira, 20 minutos depois da reunião com o Cabral, fizemos uma reunião com Irio, e logo em seguida com o resto da equipe. Ao fim desta equipe o Cabral muito seriamente me fala: Olha onboarding (entrar para uma equipe/projeto) é um processo muito difícil, e você tá passando por um agora.

Yep eu caí de paraquedas no projeto.

Aquele cara sozinho ali sou eu chegando na equipe =P

No meio da maratona de denúncias.

Querido diário…

Loucura não?! Não. E posso dizer com toda certeza que não foi loucura por causa da equipe que toca o projeto.

Ainda na segunda depois de conhecer a equipe virtualmente. (Mencionei que o trabalho é remoto?). O Irio conferiu comigo se eu conseguia rodar localmente a Rosie e o Jupyter Notebook enquanto me falava sobre o processo de implementação da Rosie, que parte de como iniciar uma análise com um notebook novo ou melhorar um já existente, segue para escrita de testes para um modelo que queremos implementar (TDD) e finalmente implementar de fato o modelo. Tudo isso me foi reforçado na segunda. E eu fiquei com dois notebooks pra ler e entender de dever de casa.

Prática, prática e mais prática!

Como forma de praticar tudo que me foi passado, na terça-feira, depois da reunião diária às nove, eu continuei lendo e entendendo os notebooks e à tarde a Ana Schwendler me explicou com mais detalhes o processo de transformar um notebook em algo concreto na Rosie. Então passamos a tarde toda escrevendo testes pra um novo modelo de classificação na Rosie.

Nesse dia também aprendi que ler nossos sinais de cansaço é importante para escrita de código de qualidade. Ideia que foi reforçada na quarta quando foi a vez de parear com o Irio para finalizar a implementação do classificador e chegou uma hora que o classificador, que deveria ser simples, começou a ficar com um código muito obscuro e complexo. Nessas horas, o único remédio é uma pausa para o café.

No fim da quarta eu tinha feito o meu primeiro pull request como membro oficial do core team do serenata.

Ainda na quarta que vi a Rosie funcionando e classificando os reembolsos pedidos por parlamentares como suspeitos e fiquei sem palavras.

Participar do serenata não é apenas escrever código, e essa semana rolou hackathon de denúncias. Por isso na quinta, depois de acompanhar o Irio Musskopf fazendo algumas denúncias no site da Câmara, chegou a minha vez de fazer denúncias também! O Antônio Pedro, nosso especialista em denunciar as suspeitas encontradas pela Rosie, fez um pequeno treinamento comigo e lá fui eu…

Passei o resto da Quinta e a Sexta focada em ajudar a fazer as denúncias, resultado do hackaton? Você pode ver nesse post aqui:

Pessoalmente?! Embasar as denúncias é difícil principalmente quando muitos dos reembolsos não possuem recibos disponíveis… Mas fizemos nosso melhor.

Uma semana depois de dizer: Sim!

Onboarding é realmente um processo cansativo e pode ser trabalhoso. Mas tirando o cansaço pra pegar o ritmo de começar a trabalhar num projeto novo eu passei por essa semana sem maiores turbulências.

Essa semana foi intensa. Intensamente boa, conheci uma equipe maravilhosa que me recebeu super bem. Extremamente instrutiva, aprendi várias coisas novas ao praticar pair programming. Insanamente legal, achar um projeto em que você acredita e trabalhar nele faz toda diferença na vontade de sair da cama pela manhã e trabalhar o dia todo.

Para a minha amiga

Só vai gata! Não tenha medo de falar ‘pera aí! Entendi não, dá pra explicar de novo?’ ou ‘Olha lendo tudo isso, fiquei com dúvida nesse ponto’. Se você faz parte da equipe, aceite que há um interesse mútuo que você esteja ali. Não tenha medo de pedir ajuda pode parecer difícil no começo mas faz parte do processo ;)


À equipe do Serenata, que essa amizade seja duradoura. À minha amiga, força gatona que você tá no caminho certo. Aos amigos naquele suporte, amo vocês.