Quem tem medo de virar cientista de dados? (1/3)

Olá! Aqui são os pizzaiolos do Pizza de Dados e fomos convidados pelo Data Bootcamp a falar um pouco sobre como é mudar de área. Como todos aqui no Pizza de Dados mudaram de suas áreas iniciais, nos juntamos para fazer um supertexto (dividido em 3 partes) tentando saciar um pouco das perguntas que nós fizemos (e nos foram feitas) nesse processo. Nós acreditamos que a decisão de mudança de carreira não é simples e nem fácil, e por isso queremos ajudar 🙂. Claro, cada um tem uma história de vida bem diferente e realidades completamente distintas, mas a ideia é tentar ajudar usando nossa tripla experiência.

Gif que mostra um personagem lego balançando os braços ao ar com uma expressão de desespero em que a câmera abre mostrando containers pegando fogo e outros personagens lego correndo em semelhante desespero enquanto chegam uma ambulância e carro de bombeiros lego.

Então pra gente surtar junto, separamos em três grandes grupos:

1. Será que eu vou conseguir?

2. Será que vale a pena?

3. Será que alguém vai me contratar?

Cada um desses grupos vão ter várias perguntas pra gente atacar uma a uma. No post de hoje vamos focar no primeiro grupo, uma conversa um pouco mais motivacional.

1. Será que eu vou conseguir?

Essa primeira pergunta é relativamente “fácil” de responder: você só vai descobrir tentando. E veja bem: isso não quer dizer que você precisa largar tudo e sair correndo atrás de um emprego. Talvez você já tenha começado a aprender e só está inseguro(a) quanto aos seus conhecimentos e se já começou, de uma certa forma você já conseguiu 😋.

Quando você se pergunta “Será que eu vou chegar lá?” dá a impressão que existe um “lá” e a verdade é que não existe um ponto final. Não existe um cientista de dados pronto. Não existe um profissional perfeito. A construção do seu conhecimento deve ser diária e gradual. Ela nunca vai ter fim e isso é algo maravilhoso! Pra sermos sinceros, a quantidade de cursos que vendem a ideia de “8 simples passos para ser um cientista de dados” ou “1 mês para ser MESTRE em ciência de dados” desanima a gente. Especialmente quando vemos que um dos passos simplesmente é aprender matemática. Então não existe um ponto final. Então se você quer saber se vai conseguir chegar defina um adequado para uma quantidade de tempo adequada 🙂

Tirinha por Sarah Andersen. Descrição: No primeiro quadro aparece uma perna com a expressão "baby step", que significa passo de bebê ou pequeno passo. No segundo quadro aparece a personagem de Sarah se cobrindo com um cobertor, dando outro pequeno passo com uma expressão incerta. No terceiro quadro Sarah aparece novamente com o cobertos dando outro pequeno passo ainda parecendo incerta. No quarto quadro ela está dá mais um pequeno passo mas agora com uma expressão de felicidade no rosto. No quinto e último quadro Sarah olha para traz e é possível ver um lindo campo de flores com vários passos em seu rastro, mostrando o quanto ela já caminhou.

Se você não começou a estudar nada da área, a insegurança é normal. Mas lembre-se: uma longa caminhada começa num primeiro passo. E, adivinha? O primeiro passo é o mais difícil. Pessoalmente, acreditamos que o grande determinante se você vai conseguir ou não se inserir em uma área nova, é se você gosta do assunto e tem determinação para passar um bom tempo estudando-o. Óbvio que ninguém aguenta trabalhar 24h por dia. E ler sobre coisas técnicas é trabalho, mesmo você gostando. Gostar de algo aumenta sua probabilidade de não largar e continuar se esforçando naquilo, mas não é o único fator na equação.

Se você está pensando em mudar para área de Ciência dos Dados, como nós, recomendamos o Guia do Cientista de Dados das Galáxias para descobrir materiais para estudar. Evite cair em armadilhas, trilhe seu caminho! E para isso basta dar o primeiro passo, basta começar, de qualquer lugar. Escolha uma área que te interesse, um dataset que você acha legal estudar… Qualquer coisa que te traga motivação e vá atrás disso. De maneira geral, recomendamos 3 tópicos fundamentais para quem quer começar:

  1. Estude programação: não apenas como salvar uma variável e abrir uma planilha. Estude qualidade de código, testes, escalabilidade. Essa é uma característica muito importante para você fazer um modelo que consiga “sair do papel” e ir pro mundo real;
  2. Evolua no inglês: temos materiais acessíveis mas a verdade é que os artigos, as documentações e posts dos melhores profissionais estão em inglês. Não acreditamos que você precise ter um inglês perfeito pra começar, mas para evoluir, vai ser bem importante;
  3. Estude o que lhe motiva: escolha um desafio que te interesse e descubra as ferramentas que melhor se encaixam para resolvê-lo. Estudar qualquer tema de ciência de dados sem praticar em dados que você tem interesse, simplesmente perde o sentido depois de um tempo.

E se você acha que mudar de área é algo muito atípico, você se engana. Histórias de pessoas que mudaram de carreira não faltam. Tem algumas bem doidas pra você se inspirar:

1.1 E Como aprender ciência de dados?

Como falamos antes, o Guia do Cientista de Dados das Galáxias é um excelente ponto de referências de materiais. Tem essa palestra da Letícia falando um pouco sobre como a área da ciência de dados é vasta e como você pode começar a aprender.

No entanto, cada um tem um jeito único de aprender. Para o Gustavo, é importante aprender os conceitos já tentando aplicá-los. Já a Letícia gosta de ter um pouco de teoria antes de aplicar qualquer coisa. Um livro que pode ajudar muito você a aprender melhor, é o livro da Doutora Barbara Oakley, Aprendendo a Aprender. Além do livro, ela ministra um curso permanente no Coursera com o mesmo tema. A história dela por si só já é um grande exemplo que pode motivar você, ela mudou para a área de exatas aos 40 anos e virou doutora no assunto! Ela desmistifica vários preconceitos que temos, como por exemplo a área ser chata. Todas as dicas e recomendações são baseadas em estudos neurológicos e de especialistas das mais diversas áreas. Vale a pena 😋.

Outro ponto importante é procurar um ambiente que fomente a busca por conhecimento e se cercar de pessoas que tenham uma boa atitude quanto a isso. Promover e encontrar um ambiente em que “não existem perguntas ruins” ajuda bastante a estimular a busca por conhecimento, seja em fóruns, grupos do Telegram ou no ambiente de trabalho. Nesses ambientes você não vai precisar se acanhar por fazer perguntas sobre conceitos básicos e de assumir que ainda não sabe algo. Procure evitar ambientes tóxicos. Pessoalmente, não apreciamos ambientes com clima de competitividade, busque lugares em que você se sinta à vontade para crescer e compartilhar o seu conhecimento. O importante é criar uma atitude construtiva em relação ao aprendizado e se cercar de pessoas e de comunidades que incentivem isso.

Ah! E pergunte. Pergunte muito. Não tenha medo de se expor. Nesse texto a Leticia dá algumas dicas de como construir suas perguntas para aumentar a chance de elas serem respondidas online e como você fazer a pergunta no lugar certo pode ajudar muitas pessoas .

Seguem alguns links de comunidades de Python e Ciência de Dados (em português) no Telegram que possuem um ambiente propício para a busca e o compartilhamento de conhecimento:

1.2. Eu não sei tanto quanto o pessoal que faz isso.

Não é produtivo ficar se comparando com outros, por mais que você acredite que eles sejam semelhantes a você. Você jamais deve medir os outros com a sua régua. Cada um teve um caminho, uma história e uma quantidade de estudos nas costas. Você trilha o seu caminho e deve focar nele, não no caminho dos outros.

É sempre importante ter referências de onde quer chegar e pessoas que você admira para se inspirar, mas nunca se esqueça o quanto essas pessoas estudaram e se dedicaram para chegar lá. Sempre use-as como motivadores e não comparativos. No WikiHow tem um post bem legal sobre como você pode parar de se comparar com os outros. As dicas resumidamente são:

  • Encontre a origem do seu comportamento comparativo
  • Aprecie o que você tem
  • Remova ou troque seus pensamentos de comparação
  • Atinja seus objetivos
  • Use redes sociais de maneira saudável

Esse vídeo do Mário Sérgio Cortella também é bem legal pra quem está passando por uma série de mudanças.

1.3. Eu não me imagino sendo tão bom quanto as pessoas que eu vejo fazendo isso.

O ditado já dizia: “A grama do vizinho é sempre mais verde!”. Já falamos no item anterior como se comparar é algo extremamente negativo. Mas esse ponto temos que ir além: todos nós somos, de uma forma ou de outra, inseguros. Alguns bem mais que outros. Existe um fenômeno bem documentado chamado Síndrome do Impostor que ocorre em ambientes extremamente competitivos. Basicamente, é um sentimento de que você é uma fraude e que um dia, alguém vai descobrir que você “não é tão inteligente assim”. Essa palestra da Leticia conta um pouco da síndrome do impostor e como ela se sentiu ao trocar de área.

A moral da história é: muitas vezes nós somos duros demais com nós mesmos e isso atrapalha a gente. Nem sempre você é a melhor pessoa pra dizer em que nível você está 😉. E você pode estar só começando, e está tudo bem! Como diria um vídeo sensacional do Jake Parker: “Porque você quer ser perfeito hoje se você sabe que vai ser melhor amanhã?”

1.4 Como eu vou fazer pra aprender TUDO isso?

A pessoa que mais precisa ter paciência com você é você mesmo. São muitas coisas ao mesmo tempo e cada um vai dizer que um determinado tópico é de extrema importância. Se você está entrando em Ciência de Dados vai precisar aprender muitas coisas, de fato. Mas calma! Você não precisa saber de tudo isso e, de fato, você não vai conseguir saber de tudo. No Pizza de Dados, sempre repetimos um lema: Unicórnios não existem. Não tente ser um! Vai com calma, ok?

Gif em que uma linha se expande para um triângulo, para um quadrado e para formas geométricas com um lado a mais até alcançar 8 lados escrito a expressão "Breathe in" que significa inspire. Após se expandir as formas geométricas se retraem de volta para uma linha e então um ponto mostrando a expressão "Breathe out", que significa expire.

1.5 Será que vão ter paciência para me ensinar as coisas?

Procure grupos e ambientes que fomentam o crescimento e compartilhamento de conhecimento. É bem comum você se encontrar em um ambiente tóxico, seja no emprego novo e até mesmo com pessoas próximas a você. Segure firme: é bem difícil e desmotivador passar por isso. O importante é focar em si mesmo e procurar outras pessoas e comunidades que sejam mais abertas, e tenham uma atitude melhor com relação ao aprendizado. Aqueles grupos de Telegram que citei acima são bons exemplos.

E lembre-se: as coisas podem dar errado. Nem tudo são flores. É importante ter perseverança quando as coisas não vão bem. Nesse texto a Letícia conta como foi frustrante o começo da carreira dela na área nova e como ela pensou várias vezes em desistir.

1.6 Eu não sei se existe uma área específica para o que eu quero fazer.

Não necessariamente vai existir uma área bem definida para fazer aquilo que você gosta. Principalmente falando em Ciência de Dados, já que a mesma ainda está sendo definida enquanto escrevemos esse texto. Nossa sugestão é tentar aplicar a Ciência de Dados no mundo em que você vive e partir daí. Procure desafios que te motivem como o Desafio do Titanic do Kaggle ou Ativismo Social como o que o Turicas faz no Brasil.IO ou a Operação Serenata de Amor faz com os deputados. Mas a partir desses interesses iniciais comece a procurar oportunidades de ir trabalhando naquilo que você gosta. Você pode ajudar a mudar a realidade da sua empresa ou contribuir com algo que já está rolando. Conforme for encontrando os desafios, o que você gosta e o que você não gosta começam a ficar mais claros.

1.7 Será que eu realmente tenho algo a agregar?

Esse é o ponto principal: a resposta é SIM! E isso vale para qualquer área que você esteja pensando em se inserir. O fato é que diversidade gera produtividade.

Várias cabeças que pensam igual chegam sempre às mesmas conclusões. Por outro lado, pessoas de vivências distintas pensam de formas diferentes. Um passo diferente traz experiências tão distintas que podem agregar infinitamente. E a troca de ideias estimula a criatividade e faz com que o grupo chegue à soluções mais interessantes. Portanto nunca pense que o tempo que você passou aprendendo outra coisa foi desperdiçado.

Resumo: o simples fato de você vir de uma área diferente significa que você tem MUITO a agregar. Isso não quer dizer que todas as pessoas percebem que isso é uma coisa boa, viu? Nem todo mundo é inteligente e sensível o suficiente para perceber e entender isso. Por isso, saiba vender seu peixe: o que te torna diferente é o que te torna uma pessoa única.


Essa foi a primeira parte das perguntas que queríamos abordar nesse texto. No próximo post vamos responder à segunda pergunta: Será que vale à pena? Vemos vocês lá! 😘