Gabriela Sofia Antonio
Feb 19 · 3 min read

Dados de qualidade e bem estruturados são incrivelmente úteis e necessários para o desenvolvimento de soluções que melhorem a vida das pessoas e apoiem a criação de futuros desejáveis.

Quanto mais aprendemos sobre a origem, a destinação e a intermediação que é feita com os dados, podemos assumir nossa responsabilidade e participação neste processo, antes de deixar a vontade falar: “para o mundo que eu quero descer” — até porque isso é ZERO produtivo. Ou seja, precisamos entender melhor e desenhar novas formas que levem o “mercado” a lidar de forma ética e saudável — do ponto de vista do usuário — com essa questão.

Qualquer pesquisador conhece as dificuldades para criar uma boa base de dados que irão apoiar decisões estratégicas. Geralmente, eles são obtidos por métodos tradicionais, como questionários, pesquisas de campo etc.

Exemplo disso são os dados de localização gerados pelos celulares de uma população, onde quer que esteja. Enormes quantidades de informações sobre como, quando e para onde as pessoas se locomovem são coletadas e tornam-se extremamente valiosas para quem está planejando o transporte público de uma cidade, o uso do espaço, ou mesmo a localização de uma loja ou uma peça de comunicação.

Dados de localização utilizados para identificar comunidades em Williamsburg, NY. Fonte: CARTO Blog.

Recente artigo do The Intercept levanta algumas questões sobre a complexidade do assunto da coleta de dados. A Replica — Sidewalk Labs, uma nova iniciativa da Alphabet ( holding dona de diversas empresas, entre elas o Google), propõe oferecer um serviço de simulações estatísticas da movimentação de pessoas na cidade, a partir de base de dados de localização atualizada em tempo real. São dados comprados de fornecedores terceiros, coletados a partir da localização dos usuários de celulares.

Governos e empresas que querem adquirir esse tipo de informação, e estão minimamente conscientes do que estão comprando, têm se deparado com questionamentos difíceis de responder, tais como:

De que forma esses dados são coletados?
Como o consentimento do usuário é obtido?

E apesar do discurso de que os dados são anonimizados, o artigo levanta também o questionamento para além da coleta em si, ou seja, o consentimento e a venda dos dados:

Se a SideWalks Labs tem os padrões de localização dos usuários antes de fazer as simulações que são o produto da empresa, não seria possível identificar quem é o usuário com base nos locais que frequenta — onde vai todo dia de manhã, e para onde volta no fim do dia?

Gráficos gerados a partir de dados de localização de celulares coletados, da esq. para a dir. em Beijing (China), Chicago (EUA) e Ho Chi Minh City (Vietnam). Fonte: CARTO Blog.

De fato, apesar de muitas vezes considerarmos o dado “localização” irrelevante quando estamos autorizando os termos de um aplicativo, ele pode levar a muitas descobertas sobre o seu comportamento, o que você consome, como é sua rotina — e até “quem é” você — e geram muito valor para as empresas que os comercializa.

Data is mine é um movimento que coloca o usuário no centro do debate sobre os dados, promovendo e apoiando o desenvolvimento de soluções tecnológicas que viabilizem e empoderem pessoas a tomarem controle sobre seus dados.

Faça parte!
#MeusDadosMinhasRegras #dataismine


Edição: Elisabete Santana — Jornalista, Ethical Sourcing Directrix

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