Renascimento

De democracia saudável a gente não tem nada

Um retrato

Quando a poeira abaixar, e quando isso ocorrer por definitivo, aí sim nós teremos uma ideia do que a gente fez — até agora — para merecer o inferno astral pelo qual o Brasil vem passando.

Não que o Brasil — espiritualmente, estrategicamente — não seja um lugar escolhido por Deus para representar o inferno na Terra. Disso a gente já sabe desde sempre. Desde que alguém resolveu falar com mais clareza e com menos polidez, com menos papas na língua.

O que o impeachment de uma presidente significa para um país? Para uma democracia viva, significa a morte dela.

Para o nosso país, que de democracia saudável não tem nada, significa, mesmo que de maneira temporária (ilusória, por quê não?), uma oportunidade de renascimento.

Eu digo isso para espantar aqueles que veem em Temer algo mais que um ventríloco — assumindo que políticos sejam, em sua maioria, mais que bonecos a disposição. Às vezes sob o alvedrio do povo, mais que sempre à disposição do mal mesmo.


Algo que eu escrevi ano passado, bem na época do furdúncio do impeachment, e que mantive como rascunho durante todo esse tempo no Medium. Não terminei de escrever tudo. Lembro de ter desanimado e depois de ter perdido o fio da meada.

Não mudaria muito o que escrevi aí. O Brasil ainda representa o inferno civilizacional para mim. Ainda estamos na merda cognitiva. É melhor a gente pensar em algo além mesmo.

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