O que podemos fazer?

Giovanni Alecrim
Oct 17 · 4 min read

Quais os passos para mudar a relação da igreja com o movimento LGBTQIA+?

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Não é difícil constatar que há muitos erros na relação entre a Igreja e a comunidade LGBTQIA+. Erros de ambos os lados. É preciso reconhecer os erros para que haja perdão e aproximação. Nossas diferenças não devem jamais ser motivo para o afastamento um do outro, mas sim a razão de nossa aproximação. Fico feliz em chegar aqui com muito mais perguntas que respostas. Respostas são pontos finais, perguntas são caminhos a ser trilhados. Respostas são, geralmente, imexíveis. Perguntas são a expressão da fé: certeza do que não se vê. Se não vemos, como podemos ter certeza? Perguntando, agindo pela fé. Precisamos trilhar o caminho das perguntas. Ter a coragem de fazê-las. Não podemos mais cair no discurso mentiroso de quem quer manipular a Igreja de Cristo a agir de maneira homofóbica. Por isso apresento a seguir três atitudes que nos aproximarão da população LGBTQIA+. Com certeza existem outras, e convido você a me dizer quais faltaram nessa lista.

Aceitar e entender

Aceitar é pré-requisito para qualquer relação. Aceitar quem a pessoa é, em qualquer situação, o primeiro passo para nos relacionarmos com ela. Se você deseja construir uma amizade sincera com alguém, você precisa ser aceito e aceitar essa pessoa. Jesus agiu assim. Ele primeiro aceita Nicodemos, Zaqueu, Levi, Pedro, todos do jeito que estão e no momento de vida em que se encontram. Exigir mudança antes de caminhar ao lado da pessoa é fechar as portas para a construção de uma amizade. Você pode ter argumentos para ser contra a homoafetividade? Pode, mas guarde-os para si e peça a Deus sabedoria e discernimento para aceitar a pessoa como ela é. Jesus tinha todo o poder nas mãos para fulminar seus adversários e os pecadores que se aproximavam dele, ele agiu com misericórdia.

Uma vez que você aceita a pessoa como ela é, você pode procurar entender sua forma de viver. Não se trata de estabelecer um interrogatório, mas sim de se aproximar e caminhar ao lado, procurando entender como ela age nas mais diversas situações e quais as maneiras que podemos contribuir para que o Evangelho de Jesus seja vivido ao lado dela. Entender passa por reconhecer que somos iguais. Todos pecamos. O pecado é passado, está na cruz. O presente é perdão, reconciliação e acolhimento. O presente é Jesus.

Acolher

Acolher é mais que aceitar e entender, é permitir que a pessoa faça parte de nossa vida. É repetir o gesto de Jesus com as crianças. Deixar vir a nós os pequeninos. A caminha de vida de um LGBTQIA+ numa sociedade estruturalmente machista já é dolorosa por demais para colocarmos peso extra em suas mentes e corações. Seja amigo ou amiga. Aproxime-se, permita que a outra pessoa encontre em você um lugar de confiança e partilha. Somente assim podemos entender e acolher de fato a pessoa LGBTQIA+ em nossas comunidades.

Dar voz e espaço

Precisamos ainda romper com o preconceito e entender que a pessoa é como é. Isso significa dar voz e espaço a todos em nossa comunidade. Não permitir que a homofobia seja presente. É preciso respeitar. Para isso é preciso olhar, ouvir, deixar falar, calarmos nossos argumentos e darmos espaço para que a pessoa LGBTQIA+ se manifeste e sinta-se segura em nossa comunidade. Isso significa incluí-la em ministérios e atividades da Igreja? Por que não? Se trabalharmos com a comunidade, se procurarmos um caminho viável de diálogo, aceitação, entendimento e acolhimento, não vejo por que não. Mas isso requer maturidade cristã da nossa parte, em compreender que o diferente é diferente, que somos todos pecadores e dependentes da graça e misericórdia de Deus.

Concluindo

Trilhamos ao longo de doze encontros um caminho de escavação e reconhecimento do texto bíblico acerca das questões homoafetivas. Procuramos mostrar que não devemos anular a identidade, mas sim aceitar e entender que os homoafetivos fazem parte da humanidade e são reféns do pecado e carente da graça libertadora de Jesus Cristo, tal qual os heteronormativos. Procuramos mostrar que não estamos preocupados em converter da prática homoafetiva, mas sim em reconhecer que eles existem, possuem uma identidade e fazem parte do Corpo de Cristo. Há um longo e difícil caminho pela frente. Não podemos mais afastar e estigmatizar pessoas que são filhas e filhos de nossas comunidades de fé. É preciso agir como cristãos, ou seja, como Jesus nos ensina a agir. É preciso entender e acolher. Transformação? Mudança? Deixa que o Espírito Santo se encarregue disso. Nós fazemos nossa parte: entender e acolher, ensinando-os a guardar tudo quanto Jesus nos ensina em nossa jornada.

O presente texto foi escrito para a aula de Escola Bíblica da Igreja Presbiteriana Independente de Tucuruvi, São Paulo, SP, em 17 de outubro de 2020

Índice das aulas

O índice é atualizado no artigo da primeira lição.

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Giovanni Alecrim

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💻 Escritor | ✝️ Pastor | 🖥️ Design | Mais informações: https://cafecomalecrim.com.br

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