1920 Wall Street — lide com a oscilação do mercado para ser o melhor investidor

Jogo simula os eventos que antecederam um dos mais marcantes incidentes com a Bolsa de Valores de Nova Iorque

Uma caixa pequena, com muitas cartas, e uma densidade de regras muito interessante. É assim que posso descrever 1920 Wall Street após a primeira partida. Por se tratar de um card game disfarçado, que muito bem poderia ser um jogo com tabuleiro e vendido numa caixa grande e ser bem mais caro por isso, o jogo esconde um potencial muito grande.

Capa do jogo, versão final.

As mecânica são bem amarradas e há um certo clima de tensão no jogo. Explico: o jogo se passa nos dias anteriores à explosão de uma carroça de dinamites nas ruas de Nova Iorque, conhecido como Atentado de Wall Street. O atentado, que matou 38 pessoas, alterou a rotina da cidade e do mercado, causando diversas perdas em investimentos.

Durante a partida, nós colecionamos shares de diversos bens como milho, aço e petróleo e acompanhamos sua flutuação no mercado, esperando o final do baralho de cartas que é quando acontece o atentado, que dispara o final do jogo. Acontece que as consequências do atentado podem ser diferentes em cada partida, dependendo das cartas descartadas no jogo. Ao final da partida, o preço de todos os bens pode cair pela metade ou uma determinada share(uma coringa) pode perder valor. Ou ainda, todos os jogadores devem descartar uma share de cada tipo, o que pode quebrar toda uma estratégia.

Imagem do protótipo do jogo muito próximo à versão final. Fonte: BoardGameGeek.

A mecânica do 1920 Wall Street é bem interessante também: na mesa ficam 5 cartas (esse número muda conforme a quantidade de jogadores) que podem ser compradas pelos jogadores. Cada jogador tem um peão/marcador da sua cor e o coloca em alguma posição sobre alguma das cartas. Na sua vez, o jogador pode escolher uma carta para comprar, sem ser a mesma em que ele está, ou seja, ele deve se mover em sentido horário ou anti-horário (conforme orientação de uma sexta carta no espaço de jogo). O valor a pagar pela carta é igual à soma de movimentos feitos mais o valor descrito na própria carta. Ou seja, se ele deseja uma carta de custo 2 que está à 3 de distância de sua posição atual, ele se move as 3 vezes e paga 5 como total pela carta.

As cartas compradas podem ser de shares dos bens ou ainda cartas que causam determinadas oscilações no mercado. Por exemplo, o jogador pode investir em uma carta que mude o valor de mercado do milho para cima porque ele tem bastante shares desse bem ou ainda diminuir o valor do petróleo porque ele não tem cartas de share deste. Mas essa oscilação é tão frequente que é totalmente impossível prever como estará o mercado no fim do jogo, o que simula muito bem uma bolsa de valores real e cria a imersão do jogo.

Marcadores dos valores dos bens oscilam durante toda a partida. Imagem: BoardGameGeek.

Ao final do jogo, quando ocorrer o atentado, os jogadores fazem a contagem dos pontos. Cada share será multiplicada pelo valor atual do bem no mercado, porém para pontuar, cada jogador deve ter um mínimo de shares daquele bem, determinado pelo número de jogadores. Por exemplo, em dois jogadores, para pontuar os shares de milho, cada jogador deve ter ao menos 8 shares desse bem. O jogador com maior valor total em shares vence o jogo.

1920 Wall Street é cheio de reviravoltas, com os valores dos bens oscilando o tempo todo como é na bolsa de valores. Os jogadores brigam por determinadas cartas, pagam mais caro para não perder uma boa oportunidade do mercado e o final é muito imprevisível. Existe outras nuances no jogo, mas deixo pra um review mais completo depois. Gostei bastante do jogo, achei realmente surpreendente a qualidade e profundidade do jogo, levando em conta a pequena caixa e o valor (o jogo custou 18 euros, algo como 70 reais). É um jogo com bastante interação, mas ao mesmo tempo simples e dinâmico. E, pelo visto, o jogo vai desembarcar por aqui! O jogo é completamente independente de idioma, mas se for chegar com um preço bacana, vale a pena esperar a nacionalização.

Imagem de divulgação com todos os componentes na mesa para uma partida com 3 jogadores.

Nota: eu preferi utilizar a palavra shares no inglês neste review para não confundir com a expressão “ação” que usamos para definir a jogada de um jogador.