SPIEL 2017 — Expectativas III

Conheça mais alguns jogos aguardados para a SPIEL e que despertam a curiosidade de vários reviwers e YouTubers

É de praxe, sempre que um grande evento está chegando, que diversos canais no YouTube voltado para os jogadores de tabuleiro façam listas de jogos mais aguardados, assim como fazemos por aqui. O curioso é que muitas dessas listas são bem diferentes, mostrando o gosto pessoal de cada canal. A expectativa é algo bem pessoal (apesar do hype acabar sendo coletivo). Porém, muitos jogos acabam sendo comuns a várias listas. Vamos ver hoje alguns desses, que aparecem em diversas listas, fazendo um apanhando do que é o mais esperado dos principais canais gringos.

AGRA

Arte conceitual do enorme tabuleiro de jogo com ilustração de Michael Menzel. | Imagem: Quined Games.

O belíssimo Agra é um dos jogos mais aguardados para a SPIEL, estando entre os 10 mais curtidos na lista preview do site BoardGameGeek. O jogo está sendo lançado pela Quined Games, e tem como designer o já conhecido Michael Keller, autor de La Granja e Solarius Mission. Agra se passa na Índia do século XVI, durante o reinado de Akbar o Grande, um dos reis do período em que o país foi dominado pelos mogóis. No jogo, somos responsáveis por produzir recursos, vendê-los e adquirir recursos mais luxuosos, afim de enviar para a capital, preparando tudo para o aniversário de Akbar.

O jogo é esperado como um euro pesado, que envolve diversas mecânicas como alocação de trabalhadores, controle de área e comércio, além de exigir bastante planejamento e controle do enorme tabuleiro de jogo. A editora, Quined Games, tem sido responsável nos últimos anos por uma série chamada Master Print Edition em que reedita grandes euros com uma enorme qualidade de componentes e impressão, tendo feito isso com jogos como Carson City, Vanuatu, Haspelknecht e Keyflower. Como Agra é um jogo ainda não lançado, há uma grande expectativa desta primeira edição do jogo que já chegará com uma excelente qualidade.

AZUL

Componentes do jogo. | Imagem: Plan B Games.

Azul é um tile placement leve em que os jogadores devem formar padrões, utilizando peças coloridas, de forma a criar mosaicos dos mais diversos tipos. O jogo chama bastante a atenção pelas belas peças de plástico que lembram os azulejos tão comuns na nossa decoração, herança dos portugueses.

Do aclamado designer Michael Kiesling, Azul é o segundo lançamento da editora Plan B Games, responsável pelo recente sucesso Century: Spice Road (já lançado no Brasil pela editora Devir). No jogo, somos artistas contratados pelo rei português Manuel I para decorar o palácio real de Évora, após a visita do rei à cidade de Alhambra, onde conheceu os fabulosos azulejos, peças de decoração trazidas à Espanha pelos mouros.

CALIMALA

Arte da capa do jogo. | Imagem: BoardGameGeek.

Arte di Calimala, como também tem sido chamado o jogo, é o primeiro jogo do designer Fabio Lopiano, e será lançado pela ADC Blackfire. O jogo lembra muito outro jogo italiano do qual falei por aqui recentemente, Florenza, pelo tema e mecânicas. No jogo, os jogadores são mercadores de roupas que trabalham para a guilda de Calimala, uma das mais proeminentes da cidade de Florença durante o final da Idade Média.

As mecânicas envolvidas são alocação de trabalhadores, controle de área e tabuleiro modular. Durante o jogo, os mercadores irão produzir e entregar mercadorias que serão entregues em cidades como Lisboa, Barcelona, Londres e Hamburgo, além de auxiliar na construção de edifícios da cidade de Florença.

A novidade do jogo fica por conta da mecânica de escolha de ações em que os jogadores colocam seus marcadores em pilhas ente duas ações possíveis, realizando ambas e mantendo ali seu marcador. Quando quatro marcadores estão numa mesma pilha, o último é removido e colocado no concílio da cidade, disparando uma fase de pontuação. Quando a última fase de pontuação ocorrer, o jogo termina. As posições da ações e também das fases de pontuação no concílio variam de jogo para jogo, dando uma enorme rejogabilidade à Calimala.

MONTANA

Belíssimos componentes na mesa, um capricho da White Goblin Games. | Foto: BoardGameGeek.

Em Montana, os jogadores encarnam a pele dos novos colonizadores do estado americano de mesmo nome. O jogo se passa em meados do século XIX, quando os primeiros assentamentos começaram a se estabelecer na região. O jogo mistura elementos de alocação de trabalhadores, set collection e leilão, enquanto os jogadores devem buscar a exploração de metais e também o cuidado com a força de trabalho nos campos. Os jogadores vão aumentando seus domínios, conseguindo mais trabalhadores e criando novos assentamentos. O jogador que primeiro construir todos os seus assentamentos vence o jogo.

Montana é um euro médio/leve, que aparentemente terá bastante interação. O designer do jogo é Rüdiger Dorn, bastante conhecido pelo excelente jogo Istanbul, além de Goa, Karuba e Il Vecchio, e a editora é a White Goblin Games. Já a arte é do também conhecidíssimo Klemens Franz.

THE RUHR: A STORY OF COAL TRADE

Setup para dois jogadores, com os componentes e bela arte do jogo. | Foto: BoardGameGeek.

Reimplementação do jogo Ruhrschifffahrt 1769–1890, e também uma espécie de continuação para o jogo Haspelknecht, The Ruhr: A Story of Coal Trade é um euro que se passa durante a Era do Carvão, período em que se deu a revolução industrial e também o crescimento da região banhada pelo rio Ruhr, conhecida como Vale do Ruhr, em que se encontra a maior região metropolitana da Alemanha e também a maior região industrial da Europa. Por acaso, é nessa região que se encontra a cidade de Essen, assim como Dortmund e Bochum.

No jogo, que tem mecânicas de alocação de trabalhadores e pick-up and delivery, somos mercadores de carvão e temos que entregar a mercadoria essencial para o desenvolvimento das cidades ao longo do rio, desenvolvendo também sua companhia com a construção de armazéns, melhores rotas e etc. O jogo é do designer Thomas Spitzer e essa reedição está por conta da Capstone Games, também responsável por outras reedições de euros pesados como Arkwright e Wildcatters.

TRANSATLANTIC

Cartas de embarcações do jogo. | Imagem: BoardGameGeek.

Outro jogo que chama bastante a atenção por conta de seu autor, Transatlantic é um dos meus preferidos dessa lista. O designer é Mac Gerdts, de jogos como Antike, Navegador e Imperial 2030. Só isso já dá ideia do know-how por trás do jogo. Se não bastasse, o jogo é um euro médio que mais uma vez utiliza uma dinâmica de card-driven, bastante apreciada pelo autor, em que os jogadores realizam suas ações conforme jogam cartas de seu baralho, além de construção de baralho e controle acionário.

Arte da capa do jogo. | Imagem: BoardGameGeek.

No jogo, somos acionistas de grandes empresas fabricantes de navios, ou melhor, transatlânticos, que são embarcações movidas à fumaça, responsáveis por grande parte do transporte de mercadorias, passageiros e correios entre 1860 e a Primeira Guerra Mundial. Trasantlantic se passa nesse período, seguindo o desenvolvimento dos navios, desde caravelas mistas — que se moviam por força do vento e dos motores à fumaça — até o poderoso Titanic.

Se não bastasse o tema náutico já me chamar bastante a atenção, Transatlatic está com arte incrível (do desconhecido Dominik Mayer), tem o nome de Mac Gerdts e da editora PD-Verlag por trás, além de ter mecânicas interessantíssimas, que já funcionam super bem em Concordia, por exemplo.

FORA DA LISTA

Você deve ter notado que o jogo Brasil, da aclamada dupla portuguesa Nuno Bizarro Sentiero e Paulo Soledade, ficou de fora da lista. O jogo era aguardado desde o ano passado, mas acabou ficando para 2018. Segundo os autores, o jogo está tão grande que eles querem melhorar várias coisas nos componentes, mas isso só será possível com um financiamento coletivo.

Outro jogo que ficou de fora foi Merlin, do consagrado Stefan Feld, em parceria com Michael Rieneck. Apesar de que haverão cópias do jogo disponível na feira, Merlin também foi financiado via Kickstarter e não terá um versão de varejo disponível nessa primeira impressão, o que decepcionou milhares de jogadores — alguns até mesmo já haviam feito a compra durante o período de pré-venda dos lojistas, que tiveram que devolver o dinheiro. Decisão bem errada da Queen Games.

Capa do jogo Merlin, que ficou sem uma versão de varejo.

Mais um jogo que eu esperava ver por lá, mas que, ao que tudo indica, não ficou pronto a tempo para o evento, é o Feudum. O jogo foi financiado via Kickstarter e estava previsto para outubro, o que gerou essa expectativa. Mas, até o momento, parece que a editora não conseguirá entregar a tempo.

Também não estão na lista os jogos que eu já havia colocado no preview para a Gen Con, em agosto (que você pode ler aqui e aqui), e que já foram lançados por lá, apesar de só estarem chegando agora ao mercado europeu. Casos de Photosyntesis, Westeland Express Delivery Service, Ex Libris, Whistle Stop e etc.