Wylinka
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Jul 28 · 8 min read

Quando começamos a falar sobre inovação, isso me faz lembrar que durante muitos anos, esse tema já vem sendo foco dos debates por diversas organizações no Brasil e no mundo. Comecei a atuar nesse cenário em 2007, quando estive envolvido em projetos de consultoria de inovação e de empreendedorismo para empresas, universidades e instituições do governo, podendo assim, começar a acompanhar um pouco mais de perto as suas dificuldades e evoluções. Um ponto sempre intrigante e que chama atenção até hoje, é o fato de as organizações, embora compreenderem a importância da inovação e do empreendedorismo para sua competitividade, ainda terem grandes desafios para colocar o tema, de fato, em prática.

Obviamente, há diversos fatores que favorecem ou limitam a exploração desses temas nas organizações. Entretanto, gostaria de ressaltar aqui alguns deles que me chamaram mais atenção. Para isso, primeiro, gostaria de relembrar a interessante abordagem apresentada por um dos primeiros livros que li sobre o assunto: “Dilema da Inovação”, do autor Clayton Christensen. É uma importante referência para lideranças e gestores que atuam com inovação e vale muito a pena a sua leitura. Nessa obra, destacam-se elementos essenciais no atual modelo e na lógica de tomada de decisão das organizações, que precisam ser compreendidos e transformados, para que o processo de inovação de fato se estabeleça, principalmente, para quem busca por inovações de caráter mais radical.

1. Redes de valor

Praticamente, toda organização está inserida em uma rede ampla de geração de valor, constituída por fornecedores, investidores, clientes, dentre outros atores. Quando a organização cresce, sua estrutura vai se tornando mais robusta e os seus gastos também aumentam. Para justificar a viabilidade e rentabilidade do negócio, projetos e clientes maiores tornam-se o foco, visando garantir a sustentabilidade econômica e as margens de lucro desejadas.

Nesse contexto, essas organizações maiores com estruturas mais robustas, acabam se tornando limitadas na capacidade de investir em projetos de inovação. Por quê? A explicação está no fato de as inovações, muitas vezes, surgirem de projetos pequenos com alto nível de incertezas tanto técnicas quanto de mercado.

Dessa forma, esses atributos são pouco ou nada atrativos, de acordo com a lógica de investimento, comumente aplicada pelos gestores que procuram por projetos grandes, seguros e lucrativos.

Mas a questão que fica é, será que existem alternativas? Será que uma grande organização, mesmo com determinadas limitações dada por sua estrutura e rede de valor, pode criar uma visão, processos e mecanismos que permitam mais inovação?

Acredito que sim, e é exatamente isso que estamos presenciando nos últimos anos. Falamos bastante sobre as grandes empresas, mas o pensamento também se estende a qualquer outra grande organização. Não há uma fórmula para a inovação, mas observamos que, cada vez mais, as organizações estão se abrindo, experimentando, aprendendo e se beneficiando de novos modelos e instrumentos. A seguir, listamos alguns deles, aplicados pelas organizações em busca de aproveitar o potencial de geração de valor das inovações:

a. Aceleradoras e Incubadoras

Ambientes que proporcionam apoio para os empreendedores e pequenas empresas desenvolverem e aperfeiçoarem os seus modelos de negócio, buscando estruturação e sustentabilidade. As aceleradoras e incubadoras ajudam na captação de investimentos, capacitação para os empreendedores e articulações estratégicas para o crescimento dos negócios.

b. Fundos de Investimentos Corporativos

Departamento da organização responsável por investimentos e aquisições de participação no capital de empresas nascentes e de pequeno porte, buscando apoiar o desenvolvimento do negócio e de novas tecnologias. Em geral, os investimentos são realizados em negócios alinhados como a estratégia e o foco de atuação da grande organização investidora.

c. Laboratórios de Inovação

Ambientes corporativos que permitem a interação com empresas nascentes e de pequeno porte com características inovadoras. Além de realizar investimentos, as grandes organizações apoiadoras também podem se beneficiar por meio da identificação e recrutamento de novos talentos, avaliação de tendências tecnológicas, desenvolvimento de produtos inovadores, incorporação de novos conhecimentos, dentre outras possibilidades.

Fonte: Boston Consulting Group

2. Cultura da Inovação e Empreendedorismo

Cada vez mais se percebe que as grandes organizações passaram a visualizar a importância de se aproximar de empresas menores e inovadoras, vendo aí um caminho promissor para desenvolverem suas iniciativas de inovação. Mais recentemente no Brasil, houve a intensificação dos incentivos para a criação de novas empresas, principalmente aquelas que passaram a ser conhecidas por startups.

Essa certamente foi uma mudança muito positiva e decisiva para acelerar ainda mais o surgimento de inovações nos diversos campos do conhecimento e em vários setores de mercado. O surgimento desse novo perfil de empresas, mais dinâmicas, criativas, flexíveis proporciona agora, um terreno fértil de experimentação, aprendizagem e evolução para várias das inovações que ainda estão por serem descobertas e desenvolvidas.

Nesse cenário, para colocar a inovação em prática é de grande relevância uma cultura empreendedora e favorável. Ou seja, um ambiente propício e com pessoas ao seu redor que foquem mais nas oportunidades do que nos obstáculos. O “dar errado” passa a fazer parte do processo de aprendizagem, que é um dos requisitos essenciais a inovação. Aprender a lidar com isso, talvez seja um dos pontos mais delicados e desafiadores, uma vez que os nossos modelos de gestão apresentam pensamentos muitas vezes contraditórios com as bases necessárias para fazer a inovação acontecer. Por outro lado, as iniciativas de empreendedorismo se multiplicam e estão ajudando e muito na criação de alternativas para levar uma ideia inovadora adiante, apesar de todas as dificuldades que irão surgir ao longo do caminho. A seguir, apresentamos algumas das principais intervenções que vem sendo implementadas pelas organizações com o objetivo de fomentar o empreendedorismo:

  • Hackathons, que permite o trabalho conjunto e colaborativo de empreendedores e desenvolvedores, em workshopsintensivos para criar novas soluções e plataformas tecnológicas;
  • Funcionários como jurados ou mentores, que participam de competições entre startupspara identificar tecnologias emergentes ou novos modelos de negócios;
  • Missões de monitoramento, que são encontros com startups, inventores ou pesquisadores para procurar oportunidades de inovação;
  • Parcerias entre empresas e centros de pesquisas, para trabalho conjunto das equipes de P&D, buscando encontrar ideias promissoras para aprofundamento de geração de novas soluções;
  • Parcerias estratégicas, que são alianças entre as empresas e startups para desenvolver tecnologias em estágio embrionário e torná-las prontas para novos mercados em crescimento;
  • Aquisição de startups, isto é, compra de novas empresas inovadoras e seus produtos em desenvolvimento para conseguir acessar novas tecnologias ou mercados;
  • Licenciamento, que permite as grandes empresas explorarem inovações e tecnologias desenvolvidas por startups, buscando oferecê-las para novos mercados, indústrias, setores ou segmento específicos de clientes.

Portanto, por meio das iniciativas de empreendedorismo, a inovação encontrou uma forma de resolver parte dos desafios encontrados nas grandes organizações. O surgimento de pequenas novas organizações inovadoras e a colaboração entre elas com as demais instituições existentes começou a criar um novo contexto. A esse contexto de intensa interação, forte cultura empreendedora, presença de diversas entidades e desenvolvimento das oportunidades de inovação passamos a chamar de ecossistemas de inovação e empreendedorismo.

3. Propósito e Missão

Atuar no campo da inovação e do empreendedorismo e estar em contatos com um ecossistema dinâmico é extremamente desafiador e instigante, além de proporcionar um imenso sentimento de realização, mas será que há uma explicação para isso?

Não é raro você encontrar um jovem empreendedor com brilho nos olhos, buscando a realização do seu sonho na construção de uma startupde sucesso, ou um gerente de uma grande organização construindo uma profunda transformação em seu campo de atuação, incorporando novas formas de pensar e agir de maneira mais inovadora e conquistando melhores resultados.

Acredito que não haja uma resposta única para essa questão, mas imagino que a razão para superar os desafios e conseguir inovar, esteja por trás de uma essência mais profunda. Talvez seja porque seguimos na busca de um objetivo, de um propósito ou de uma missão. Essa é uma abordagem mais recente, mas não menos importante nas discussões entre as lideranças nas organizações. Buscamos, com isso, entender os paradigmas sobre os quais construímos nossas organizações. Trata-se de um assunto extenso, mas que conversa muito bem com os avanços ocorridos no campo do empreendedorismo e da inovação. Em um mundo em constante transformação, as organizações serão cada vez mais questionadas sobre o seu significado, responsabilidade e impacto na sociedade e deverão estar preparadas para apresentar uma resposta. Para saber mais sobre o assunto, sugiro a leitura do livro “Reinventando as organizações” que detalha como há uma evolução de consciência nas organizações ao longo do tempo.

Acrescento esse tema porque foi justamente nesse contexto, da busca por impulsionar a inovação, fortalecer a cultura do empreendedorismo e implementar uma atuação com propósito que nasceu a Wylinka. Uma organização, que se propôs a experimentar, aprender e compartilhar o conhecimento, buscando assim, com que cada vez mais as inovações tecnológicas criem impacto positivo na sociedade.

4. A criação e missão da Wylinka

Em 2013, com a experiência acumulada em projetos de empreendedorismo e inovação, juntamente com Ana Carolina, Elimar Pires, Marcela Machado e Patrícia Pellegrino e nossos conselheiros, Gustavo Mamão, Manuela Soares, Rochel Lago, Euler José e Renata Horta sonhamos juntos a Wylinka. Naquela época a visão era que a organização se tornasse uma “casa” em que pudéssemos fazer o conhecimento fluir na forma de programas e projetos e, além disso, cultivar e transbordar os nossos valores que de uma forma ou de outra permeariam nosso dia-a-dia e nossa interface com todas as demais instituições.

  • Valores Wylinka: Propósito; Conhecimento; Inspiração; Valorização das Pessoas; Transparência.

Ao longo dos seus 6 anos de vida, penso que a Wylinka, conseguiu revitalizar o significado da sua existência, mantendo seus valores e contribuindo para avançar com consciência e propósito, apoiando e capacitando mais pessoas para participarem dessa jornada. Muitas pessoas estão construindo essa história, como colaboradores, parceiros e clientes, onde juntos compartilhamos, aprendemos e por consequência, acabamos desenvolvendo nossos conhecimentos, experiências e resultados.

Ecossistemas de Inovação e Empreendedorismo

Quando estamos diante de uma decisão ou da construção de uma nova abordagem, buscamos primeiramente pelos modelos de referência. Embora muitas dessas referências ainda estejam em processo de experimentação e construção, como descrito anteriormente, para inovação e empreendedorismo nas organizações, muito já pode ser extraído de aprendizado. E, esse aprendizado pode ser compartilhado como práticas bem sucedidas para que todos que tenham interesse possam utilizá-lo.

É por isso que os ecossistemas se tornam tão importantes. O conceito biológico de ecossistema é “conjunto de comunidades que vivem em um determinado local e interagem entre si e com o meio ambiente numa relação de interdependência”.

Os ecossistemas de empreendedorismo e inovação, inspirados pelos ecossistemas biológicos, estão buscando construir uma relação saudável e cooperativa entre as organizações (startups, grandes empresas, centros de pesquisa, escolas, instituições do governo, associações setoriais, assim como inúmeras outras). A evolução e consolidação desses ecossistemas pode ser considerado como fruto de todo um conjunto das iniciativas e instituições que contribuíram durante décadas para o surgimento de novas organizações, novos mecanismos de apoio, programas e projetos e que agregaram muito trabalho e incentivo para encontrarmos o que vemos hoje.

Dessa maneira, esperamos que um pouco dessa história compartilhada sobre a Wylinka possa trazer inspiração e conhecimento. E que todos possam acreditar na transformação que em conjunto podemos fazer aproveitando a inovação e o empreendedorismo com importantes bases.

Certamente assim, estaremos dando continuidade ao cumprimento com consistência e coerência da nossa missão!

Autor: Renato Lacerda

DEEP Wylinka

A DEEP é uma plataforma de conhecimento criada pela Wylinka com o objetivo de estimular o desenvolvimento de ecossistemas de empreendedorismo e inovação por meio de conteúdos relevantes.

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Somos uma organização sem fins lucrativos que tem como propósito mobilizar e desenvolver instituições e ecossistemas para a inovação e o empreendedorismo.

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