As tecnologias que vão revolucionar a educação na próxima década

Wylinka
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Dec 29, 2019 · 6 min read

Nós da Wylinka somos apaixonados por educação. Isso vai muito além dos trabalhos que fazemos no suporte à reinvenção das universidades brasileiras — abrangendo todo produto nosso que envolve o desenvolvimento de pessoas é baseado na nossa paixão pela formação de um melhor capital humano para o Brasil, como programas de aceleração, capacitação de gestores(as) e cocriação de melhores políticas públicas para o país. É tudo sobre educação. E‌, para fechar nossa extensa produção de conteúdos dessa década (foram dezenas de artigos aqui na DEEP, alguns artigos acadêmicos, ebooks, newsletters e muito mais!), resolvemos escrever sobre a transformação que vislumbramos para a próxima década quando o assunto é educação! Sem mais delongas, bora para mais um mergulho!

Photo by Andy Kelly on Unsplash

Softskills 4.0

Habilidades comportamentais são vistas atualmente como, em muitos casos, mais importantes que competências técnicas. Embora muito se tenha feito no esforço de criação de novas escolas e novas dinâmicas de ensino que foquem nesse tópico, pouco foi explorado no contexto de tecnologias para potencializar as softskills. Isso deve mudar na próxima década. Algumas soluções para melhoria de hábitos, como habit trackers e sensores vestíveis, poderão permitir o uso de lembretes para mensagens entre colegas, estímulo a almoços/encontros profissionais com contatos, além de sugerir hábitos saudáveis que fortalecem a inteligência emocional, como exercícios de relaxamento e meditação. Até mesmo oratória podera ser reinventada pela tecnologia, como é o caso da startup Orai, que permite que você grave apresentações/falas e analisa-as, oferecendo sugestões e exercícios para melhoria na capacidade de se comunicar.

Realidade Virtual chega para ficar

Embora em estágio embrionário, a Realidade Virtual (VR) já começou a se destacar no uso pedagógico brasileiro, como é o caso da startup MedRoom, que utiliza os dispositivos de realidade virtual para ensino de medicina — permitindo experiências mais detalhadas em termos de estudo de anatomia, prática cirúrgica e outros. Mas o poder da tecnologia vai muito além: não somente com os já comprovados estudos que demonstram efetividade da imersão no tratamento de fobias, mas também na criação de experiências de auxiliam no desenvolvimento de empatia. A premissa é que a qualidade da imersão permite que nos coloquemos “nos sapatos dos outros” com grande detalhe, e ONGs já estão utilizando VR para essa finalidade. Podemos educar funcionários(as) sobre sídrome do impostor, por exemplo, por meio de um relato mais imersivo com realidade virtual. Em um caso real, uma ONG te coloca, por meio da realidade virtual, em uma barbearia e, ao passo que vai simulando uma experiência de corte de cabelo, o seu cabelereiro vai contando a história de vida dele — a infância traumática, as agressões que sofreu, a entrada no mundo do crime, a vida na prisão e a vida em liberdade. Muitos já têm demonstrado grande efetividade nesse tipo de experiência para desenvolvimento de empatia, e a startup Equal Reality tem abraçado essa oportunidade muito bem nos EUA, com 99% dos usuários demonstrando entendimento de como é sentir-se discriminado, por exemplo.

Empoderamento de comunidades de aprendizagem

Com um mundo que cada vez menos exige certificações, modelos menos engessados de ensino surgirão — e com eles a demanda por tecnologias de suporte. Um exemplo é a tendência do homeschooling (aprender “em casa”, sem o intermédio de instituições formais) no exterior. Crianças crescendo em um ambiente de homeschooling abrem uma avenida de oportunidades, como identificação de tutores e clubes de aprendizagem, como, por exemplo, locais (físicos ou digitais) em que crianças apaixonadas por skate podem aprender sobre física, matemática, história e artes. Um exemplo que começa a explorar essa fronteira é a Wonderschool, plataforma digital que permite que educadores licenciados possam criar suas pequenas escolas em casa, gerando renda e educação altamente personalizada para os pequenos grupos. Um bom exercício é assistir ao TEDx abaixo e pensar nas experiências que podem ser construídas para esse novo universo:

O futuro será muito mais personalizado — e o hackschooling é sobre isso :)

Inteligência Artificial estressando fronteiras

Como abordado nessa excelente matéria da Fast Company, o Airbnb já tem utilizado inteligência artificial para organizar seu público em “clusters”, ou minitribos, e isso também poderá ser utilizado para agrupar pessoas com o mesmo interesse, seja em ambientes corporativos (ex: grupo de funcionários apaixonados por Beatles) ou em ambientes educacionais. Em um contexto educacional, isso colaboraria com os ganhos em comunidade citados acima, por meio de comunidades de aprendizagem que se educam de maneira autodidata e por meio de compartilhamento de experiências. Na linha do “encontrar a combinação de pessoas ideais”, a empresa de educação iTutor já utiliza tecnologias como Eye Tracking (rastreamento dos olhos/pupila) para analisar engajamento/atenção de estudantes, e combiná-los com professores(as) mais alinhados ao seu perfil. Um passo adiante, temos pesquisas como a do brasileiro Paulo Blikstein, que utilizam não somente Eye Tracking, mas também Gesture Tracking (movimentos e postura) e outras fontes de dados para identificar padrões de aprendizado em crianças (ex: formar pares de uma criança extrovertida com uma introvertida é mais eficaz que duas extrovertidas juntas etc.).

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Interação em alto nível

Explorando o fato de que a aprendizagem é fundamentada em comunidades, novas plataformas irão permitir interações robustas. Algumas escolas já usam o slack como ferramenta de compartilhamento de informações e suporte coletivo, mas o que vem por aí é muito maior que isso. Um exemplo é a plataforma NB, do MIT: nela, os alunos do Instituto podem anotar nos materiais do curso, construindo resumos e fazendo apontamentos específicos em sala de aula — e isso em um ambiente compartilhado com todos os outros alunos, permitindo trocas, perguntas/respostas ao vivo, identificação de principais dificuldades e mais. Hoje, a plataforma já conta com +60.000 alunos e +2 milhões de comentários. Com ela, as dinâmicas de aula passam a receber feedbacks muito mais rápidos. Um exemplo seria uma professora apresentando um determinado tópico, fazendo um momento de exercícios com os alunos e analisando as principais dúvidas que surgiram na plataforma, podendo tirar dúvidas e esclarecer confusões rapidamente.

Por fim: não será somente sobre tecnologia, mas sobre incentivo

Na última década, vimos uma explosão de cursos online — e promessas de que os mesmos iriam acabar com as salas de aula, mas isso não ocorreu. E por quê? De acordo com um especialista americano: “cerca de 50% da educação é sobre controlar grupos (crowd control). Se todo estudante fosse motivado a aprender, eles poderiam assistir vídeos online de casa. Poucos estudantes têm esse nível de motivação e disciplina.”.

Professores(as), gestores(as) e outros construtores de experiências pedagógicas deverão aprender a utilizar as tecnologias como ferramentas, mas ainda assim precisarão construir os incentivos corretos, as experiências efetivas e tudo o que cerca a educação para a construção de motivação e aprendizagem significativa. Uma das fronteiras que já falamos aqui é sobre startups que exploram o alinhamento de incentivos da educação: o aluno(a) só paga quando estiver empregado(a). Nessa linha, além de permitir acesso a educação a um grande pool de pessoas que antes não tinham tal oportunidade, esses modelos assumem o risco educacional e se esforçam para criar experiências únicas e efetivas. Nos EUA, temos a queridinha do Vale do Silício, a Lambda School. No Brasil, a Future4 tem feito o modelo funcionar para a formação de programadores(as).

O futuro da educação será muito interessante, e estamos acompanhando de perto para apoiar novas startups, estimular a reinvenção das universidades e desenhar programas de capacitação mais efetivos para todos que nos procuram. Se você tem interesse em reinventar a sua instituição com novas abordagens em educação, não deixe de nos procurar! Já trabalhamos com diversas universidades, como UNB, PUC-RS e UFV, e queremos trabalhar com muitas mais nessa década que está começando. É só mandar um email para a Sara Aquino (sara.aquino@wylinka.org.br), do nosso comercial, que ela faz a mágica dela. :)

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A DEEP é uma plataforma de conhecimento criada pela Wylinka com o objetivo de estimular o desenvolvimento de ecossistemas de empreendedorismo e inovação por meio de conteúdos relevantes.

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