O porquê de pessoas talentosas se subestimarem tanto.

Síndrome do impostor, auto-sabotagem, procrastinação, bloqueio criativo ou seja qual for a etiqueta em torno do comportamento. No fim do dia, o padrão é o mesmo: pessoas talentosas, criativas, inteligentes não conseguindo tirar o melhor de si por conta do medo de não serem boas o suficiente.

De onde vem tudo isso? Como melhorar? Bom, não é a nossa pretensão oferecer uma pílula transformadora com um texto, porém, temos alguns conteúdos que coletamos sempre por entender o quão comum é esse tipo de padrão no meio dos empreendedores. Mais comum ainda no meio do público que nós da Wylinka convivemos: empreendedores de base tecnológica, acadêmicos, gestores etc.

A primeira boa análise está em torno do conceito das "inner voices", que nada mais são que a repetição de discursos que construímos ao longo da nossa formação — seja de pais estressados/exigentes, bullyers, relacionamentos abusivos, traumas individuais e tantas outras vozes que nos marcaram. Para melhor entender essa abordagem, e como melhor lidar com isso, indicamos esse excelente vídeo da School of Life (nas configurações você pode colocar as legendas em português):

Além dessa resposta, o pessoal da Entrepreneur produziu um excelente artigo sobre o tema cujos pontos resolvemos trazer pra esse post. Para a autora, Jenn Steele, há 5 pontos principais pelos quais pessoas de alta performance subestimam seu valor:

#1: A maldição do conhecimento

A famosa "curse of knowledge" traz uma premissa muito interessante: "Se você sabe a resposta para algo, é fácil. Se não, é difícil". Isso significa que tendemos a subestimar todo o conhecimento que dominamos, ao passo que superestimamos a dificuldade do desconhecido. A consequência? Desvalorização do próprio trabalho. Tendemos a acreditar que nosso trabalho é muito mais fácil que o dos outros cujo trabalho não compreendemos. Uma simples ferramenta ou buzzword que o outro domine e que não dominamos é suficiente para nos fazer sentir um fracasso e muito menos capaz.

#2: A síndrome do impostor

A síndrome do impostor, a sensação de que não somos bons o suficiente para o posto que ocupamos, que somos uma fraude que em breve será descoberta, é muito comum em ambientes de alta performance. Universidades, centros de pesquisa, empresas de tecnologia são o ambiente ideal para a gênese da síndrome (é comum se ouvir falar que "lá na Google todos sofrem ou já sofreram com síndrome do impostor", por exemplo). Ao se comparar, ao ver os colegas demonstrando domínio em tantas coisas interessantes e ao refletir sobre o que não sabemos, acabamos caindo na armadilha e entrando na paranoia da síndrome do impostor. O pior é que o sentimento de inferioridade paralisa, e isso leva a resultados ruins, entrando em uma espiral negativa.

#3: Não se comparar com o mercado

Especificamente em um contexto de propostas salariais, a autora aponta que é muito comum não haver tanta informação disponível sobre preços de serviços, níveis salariais etc. A consequência é que grandes talentos, não percebendo que sua barra é muito mais alta que o mercado normal, acabam pedindo muito menos do que merecem (e isso pode acontecer em rodadas de investimento, distribuição de equity e remuneração em startups). Por isso é muito importante navegar por ambientes diferentes dos seus para entender como o mercado está se comportando, qual o nível de competência das pessoas e outros detalhes (não deixem de visitar a www.lovemondays.com.br — e isso não foi patrocinado!). Pessoas talentosas geralmente convivem tanto com outros talentos que não percebem o quão bem estão no mercado.

#4: Se comparar apenas com o melhor dos melhores

Dialogando com o ponto acima, o fato de pessoas talentosas conviverem com outras pessoas talentosas gera muito sentimento de inferioridade se as relações não forem bem trabalhadas. Um grande problema é o fato de as pessoas compararem seus fracassos com o sucesso dos outros, nunca utilizando balanças iguais. Por exemplo: ao conquistar uma titulação de pós-graduação, a pessoa deixa de enxergar a titulação como um sucesso, passando a se atentar às pessoas com titulações maiores, muitas vezes em estágios de vida e situações muito diferentes. O comportamento psicológico por trás disso é muito bem explorado nesse outro vídeo excelente da School of Life.

#5: Feedback positivo descontado

Por fim, a autora traz um outro ponto importante: o viés da negatividade, que aponta a necessidade de 5 a 10 eventos positivos para contrabalancear 1 evento negativo. Se erramos em um detalhe no trabalho, mas tivemos três outros melhores, ficaremos pensando no ponto em que vacilamos. Essa falta de clareza na análise dos nossos acertos e erros gera não só problemas de autoestima, mas também falta de compreensão quanto ao próprio valor e problemas com produtividade/criatividade.

When you rock…

Já falamos bastante sobre o tema aqui na DEEP, especialmente por saber que esses problemas são grandes limitadores no sucesso de muita gente que nos cerca, e realmente gostamos de ver os empreendedores com quem atuamos performando bem. A resposta mora sempre no auto-conhecimento, na transparência, no cuidado com as redes sociais e discursos midiáticos (que geram muita comparação e felicidade de fachada), na atenção às vozes interiores e no diálogo sobre desafios e dificuldades. Não é nada fácil, mas a simples compreensão já é um grande passo, e é por isso que escrevemos esse post. Se você gostou do conteúdo, dê uma olhadinha nos outros textos que já escrevemos sobre, como o texto "Acídia: a doença dos empreendedores e a procrastinação" e também o "Guia básico de inteligência emocional para criativos". Esperamos que tenhamos sido úteis com o texto, because when you rock, #wyrock!

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