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May 5 · 4 min read

Larry Fink, CEO da BlackRock, a maior gestora de ativos do mundo, com quase US$ 5 trilhões sob gestão, em sua carta anual aos presidentes das empresas do seu portfólio, afirmou que propósito e lucro estão intimamente conectados, com o propósito servindo para dar foco e disciplina estratégica para levar a empresa ao sucesso financeiro no longo prazo. Em entrevista à Business Insider, o Sr. Fink foi além e também afirmou que, em 5 anos, “todos os investidores irão medir os impactos dos negócios para determinar o seu valor”. Nesse mesmo movimento, grandes gestoras globais de private equity começaram a lançar, nos últimos anos, fundos de impacto de tamanho expressivo, como o TPG Rise, com Bono Vox como seu garoto-propaganda e seu fundo de US$ 2 bilhões, Bain Capital e seu fundo de quase US$ 400 milhões, entre outros.

Photo by M. B. M. on Unsplash

Esses parecem ser os primeiros passos de um crescimento exponencial do tema, já que as novas gerações se mostram especialmente atraídas por investimentos de impacto e elas terão um impacto enorme na forma como o dinheiro é alocado em todo o mundo. Segundo pesquisa da Accenture, de 2012, “The Greater Wealth Transfer — Capitalizing on The Intergenerational Shift in Wealth”, até US$ 30 trilhões serão herdados pela geração Millenial nas próximas décadas. E segundo o banco americano Morgan Stanley, essa geração é duas vezes mais propensa que gerações anteriores a investir em empresas ou fundos com objetivos de impacto social e/ou ambiental positivo. Esse cenário cria ainda mais pressão e incentivos para gestores de recursos oferecerem opções de investimento alinhados com os valores das novas gerações.

Pelo lado da força de trabalho, o movimento é o mesmo, também segundo o Morgan Stanley, os Millenials são três vezes mais propensos a escolherem trabalhar em empresas que apresentem engajamento social ou ambiental. Corroborando com esse dado, em uma pesquisa recente da Delloitte, quando perguntados qual deveria ser o principal propósito de um negócio, os Millenials que responderam “melhorar a sociedade” foram em quantidade 63% maior daqueles que afirmaram “gerar lucros”. Já estamos em uma era em que se tornará cada vez mais difícil atrair grandes talentos sem uma proposta ou propósito maior do que a geração de valor ao acionista.

O índice que mede a performance de mercados emergentes da MSCI mostrou como, nos últimos 10 anos, o desempenho superior nos investimentos em empresas bem ranqueadas em aspectos ambientais, sociais e de governança: “Um foco no ESG (environmental, social and governance factors) pode oferecera alguma proteção para os investidores EM (Emerging Market), particularmente durante episódios de estresse”, disse o relatório. Fonte: Bloomberg

Os negócios de impacto, inclusive, já começam a servir como exemplo de gestão e governança para grandes empresas. Em artigo da edição de Março/Abril da Harvard Business Review, intitulada “The Dual Purpose Playbook”, segundo as autoras, quatro alavancas são fundamentais para se criar uma organização com propósito: (i) definir e monitorar objetivos de impacto, além dos financeiros; (ii) estruturar a organização de forma a apoiar as atividades financeiras e as de impacto; (iii) contratar e integrar funcionários para que incorporem ambas as atividades; (iv) praticar uma liderança com mentalidade dupla.

E começam a aparecer os primeiros sinais de que é possível entregar retornos financeiros atrativos. Um relatório da Cambridge Associates, chamada Impact Investing Benchmark, mostra que os retornos de fundos de impacto são, muitas vezes, até maiores do que os fundos tradicionais. Aqui no Brasil, ano passado, a Vox Capital realizou a primeira saída bem sucedida de um investimento de impacto em participação acionária, com a Tem, empresa que oferece um cartão pre-pago para serviços privados de saúde. O cartão oferece acesso a consultas e exames privados que, muitas vezes, custam de 40 a 70% mais baratos que a tabela, além de descontos em medicamentos nas principais redes de farmácia do país. A empresa atraiu a atenção da Generali, uma seguradora com presença global, que entrou no negócio para adicionar mais serviços aos mais de 1,5 milhão de portadores do cartão Meu Tem. Com essa transação, a Vox Capital teve um retorno de 24% ao ano, que é bastante atrativo para qualquer classe de ativos.

Essas são apenas algumas evidências que apontam que o mundo está mudando e que, rapidamente, os negócios e os investimentos de impacto vem ocupando espaço de destaque no palco global. Já é seguro afirmar que essa prática já deixou de ser um nicho. Na verdade, é uma tendência, que não tem mais volta.

Autor: Daniel Izzo, Co-Founder e Diretor Executivo da Vox Capital

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A DEEP é uma plataforma de conhecimento criada pela Wylinka com o objetivo de estimular o desenvolvimento de ecossistemas de empreendedorismo e inovação por meio de conteúdos relevantes.

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