Os grandes fundos agora querem CleanTech. Estamos prontos?

Wylinka
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Jan 26 · 5 min read

Nas últimas semanas, dois grandes anúncios marcaram o começo da década. Primeiro, o TCI Fund Management, conhecido como ‌‌‌’’o Hedge Fund mais rentável do mundo’’, anunciou que irá cobrar impecável responsabilidade ambiental por parte de suas empresas investidas, inclusive reforçando que irá pressionar empresas a destituírem executivos(as) que não estejam batendo metas de responsabilidade ambiental. Em paralelo, o fundo Sequoia Capital, talvez o mais reconhecido do Vale do Silício, anunciou pelo Twitter seu direcionamento. Segundo o anúncio, para o fundo, ‘’é de nossa responsabilidade e uma grande oportunidade de mercado’’. Com os dois anuncios, diversos outros fundos começaram a se mexer e sinalizar a atenção para as ‌tecnologias voltadas à melhoria do clima (e nesse famoso movimento de ‌’’fear of missing out (FOMO)’’, memes, como o abaixo, surgiram).

Em paralelo, também tivemos uma das feiras de tecnologia mais importantes do mundo, a CES — Consumer Eletronic Show (temos post cobrindo as edições de 2018 e 2019 aqui!), dando atenção especial a tecnologias climáticas — sendo estas bastante premiadas no evento. Junto a isso, países como a Escócia já anunciam que podem atingir a meta de serem 100% renováveis em breve (no caso da Escócia, em 2020 mesmo). Essa montanha de notícias leva-nos a uma questão:‌ estamos prontos? Para responder a essa questão, nós, da Wylinka, trouxemos alguns pontos importantes a compreender na hora de explorar esse mercado.

Quais as possibilidades e tendências?

Como são muitas possibilidades e tendências, nos limitaremos a falar do que foi apresentado na CES‌2020. ‌‌As ‘’climate techs’’ ou ‘’cleantechs’’ atacam problemas diversos, podendo abranger desde tecnologias para reaproveitamento de água ou resíduos até fintechs que comercializam investimentos em fazenda solares (como já falamos no post ‘’Retorno financeiro em aplicações com melhoria socioambiental: um futuro possível?’’). Alguns especialistas dividem as Cleantechs em 5 verticais:‌ (i) agricultura e alimentação (como as plant-based meats); (ii) produção de energia; (iii) materiais e produtos químicos; (iv) gerenciamento de recursos/resíduos; (v) transporte e logística. Na CES, tivemos:

-A‌ vencedora de prêmio de melhor startup, Hydraloop, um sistema que recicla cerca de 80% da água da sua casa, permitindo não só impacto ambiental, como também grande redução na conta de água (bem como melhor aproveitamento em regiões com escassez).
-Veículos elétricos:‌ de todas as marcas e tipos diferentes, desde um carro-conceito da Sony até uma Harley-Davidson elétrica, que mostram que o futuro será dos veículos elétricos (mais rápidos e sem consumo de combustíveis fósseis para locomoção). Com eles, os acessórios que garantem a segurança do sistema, como os carregadores inteligentes (e bi-direcionais) Wallbox Quasar.
-Toyota City:‌ sim, a Toyota está construindo uma cidade inteira, a Toyota City. A‌ proposta é, em uma cidade-protótipo, testar novas tecnologias que tornam a vida urbana mais inteligente e eficiente — seja na utilização de espaços compartilhados, na robotização e no uso de sistemas energéticos inteligentes. Para melhorar, será construída na base do Monte Fuji.

Além dessas tecnologias, muitas outras ainda virão:‌ como sistemas diversos de gestão de resíduos, mecanismos para captura de carbono, novos materiais ambientalmente responsáveis e tantas mais!

Cuidado no encantamento:‌ hardware is hard.

Como muitas das tecnologias envolvem hardware, é muito importante que as pessoas que venham a se aventurar no desenvolvimento dessas tecnologias tenham profundo conhecimento de processos de desenvolvimento de produtos. Os ciclos de desenvolvimento são mais longos, os riscos são diferentes e, como já falamos no artigo ‌‌‘’Startups de hardware e hard science: o futuro mora aqui’’, especificidades na maneira de desenvolver essas tecnologias fazem com que processos tradicionais de software não se apliquem tão bem. Apesar disso, quando a aposta funciona, o tamanho do impacto é ímpar — como é o caso da Tesla, Proterra (ônibus emissão-zero), Kenoby (materiais sustentáveis), Aerofarms (plantações verticais in-door), Goldwind (turbinas eólicas) e outras.

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Tem hype, tem hater.

Por ser uma temática de debate acalorado, ainda há algum nível de polarização quanto aos argumentos de mudanças climáticas — e não entraremos nesse mérito por aqui. Porém, é importante entender que a hype de produtos orientados à minimização dos impactos de mudanças climáticas traz consigo muitos haters (pessoas contrárias a esse tipo de movimentação).

Alguns haters só acreditam que há certo exagero na narrativa, ao passo que outros possuem interesses financeiros bastante atrelados — como é o caso dos investidores que apostam contra a Tesla. Para esses, há um investimento financeiro que precisa performar com a queda das ações da empresa, e muitos deles são apoiados por grandes montadoras de carros majoritariamente não-elétricos (também não entraremos no debate do quão ambientalmente responsável é a produção dos carros e baterias), empresas de petróleo etc.
Esse movimento tende a aumentar com a intensificação de tecnologias limpas, e as empresas terão de ser super responsáveis em suas auditorias e desenvolvimento de métricas de modo a apresentar, de maneira clara e transparente, o impacto positivo que têm gerado.

O futuro é agora!‌ E como trazer tudo isso para o Brasil?

Já falamos em posts anteriores citados acima sobre tecnologias nacionais que estão operando nesse cenário, mas cada vez mais precisamos nos preparar para um boom de startups e investimentos em cleantechs. O Brasil, por sua biodiversidade, potencial agrícola e extensas pesquisas em sustentabilidade, pode ser um grande líder desse movimento, e para isso precisamos nos movimentar. Por aqui na Wylinka, estamos organizando, junto ao ICS (Instituto Clima e Sociedade), um mapeamento de tecnologias focadas no clima. Com isso, poderemos alavancá-las e colocar no radar de agentes relevantes, assim como fizemos no projeto Deep Tech Saúde, em que mapeamos soluções tecnológicas emergentes e de impacto no mercado de saúde. Conhece algum projeto nascente que possa se encaixar?‌ Não deixe de nos indicar!‌ Você também pode entrar em contato conosco caso seja empresa/instituição querendo apoiar esse tipo de projeto. É só mandar um email para nosso comercial (sara.aquino@wylinka.org.br) que a Sara cuida disso com você :)

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A DEEP é uma plataforma de conhecimento criada pela Wylinka com o objetivo de estimular o desenvolvimento de ecossistemas de empreendedorismo e inovação por meio de conteúdos relevantes.

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