Por que nós brasileiros não conhecemos Carlos Guestrin — e como mudar isso com políticas em CT&I.

Wylinka
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Mar 31 · 6 min read
Photo by Franck V. on Unsplash

Um novo conceito: os Deep Tech Ecosystems

Recentemente, o Boston Consulting Group publicou um artigo defendendo a emergência de um novo tipo de ecossistema: o "Deep Tech Ecossistem". Para o grupo, a premissa é que estamos vivenciando uma transição na qual muitas das tecnologias já estão maduras e bem disseminadas — fazendo com que agora a inovação venha de plataformas que pavimentarão novas infraestruturas. O estudo aponta 7: Biotecnologia, Blockchain, Computação Quântica, Fotoeletrônica, Inteligência Artificial, Materiais avançados e Robótica/Drones.

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Desenhando políticas para Deep Tech no Brasil

Para desenvolver um ecossistema de Deep Tech, diversas mudanças seriam necessárias ao contexto nacional, mas nada é impossível! A visão de longo prazo é um dos maiores desafios — e ela muitas vezes se choca com o comum populismo do país, que não segue ideologia ou orientação política, geralmente curtoprazista e orientado a interesses pouco estratégicos. Ainda assim, acreditamos que mudanças podem ocorrer, e por isso separamos quatro grandes transformações que poderiam mudar os horizontes nacionais:

  • P&D empresarial: embora muito se critique o tópico de gastos públicos em ciência, o Brasil conta com um patamar relativamente alto em comparação à America Latina e até mesmo ao mundo. Apesar disso, os gastos privados em P&D ainda continuam baixos. Não somente se faz necessária a criação de um sistema mais competitivo para as empresas, mas ao mesmo tempo há a necessidade de uma maior cultura empresarial de P&D no país.
  • Alocar recursos entendendo os incentivos: um dos grandes desafios no desenho de políticas públicas nacionais para startups é a manutenção dos investimentos em programas consistentes. Dado que os incentivos dos decisores estão mais ligados à imagem de seu governo, a cada mudança brusca tem-se uma mudança na política, mantendo-a inconsistente e com grandes perdas de conhecimento ao longo de sua evolução. Uma das saídas é o modelo Yozma, de Israel, que alocou seus recursos em grandes fundos de investimentos estrangeiros de modo a atraí-los para o país. Alguns anos depois, não se fazia mais necessário o investimento por causa dos resultados alcançados pelos fundos e pelas empresas investidas. Os fundos, por ter um incentivo alinhado ao interesse de possuir startups de sucesso, promoveram uma das transformações consideradas como centrais na transformação de Israel para uma nação de alta tecnologia. 15 anos após o programa, Israel havia se tornado o segundo maior país em capital privado por PIB (somente atrás dos EUA).
  • Formação em massa de desenvolvedores(as): não somente pelo fato de o futuro ser em tecnologia, mas para suprir a demanda de muitas startups, garantindo que mais e mais gente passe pela vivência em empresas altamente inovadoras — o que acreditamos ser a melhor escola de empreendedorismo possível. Não é necessário que isso seja feito por meio de universidades, que acaba sendo um espaço muitas vezes elitizado. Novas frentes como Lambda School e 42 se mostram como excelente possibilidade, assim como a tradução e organização bem estruturada de MOOCs para formação de talentos em tecnologia. Um bom exemplo é o de Romeu Zema (Partido Novo) — recentemente, o Governador do Estado de Minas Gerais, firmou um compromisso de formar 1.000 programadores(as) todos os anos para MG.

Conclusão

Criar ecossistemas de Deep Tech no Brasil não será algo trivial. O cenário nacional de startups já não era fácil, mas ainda permitia que boas forças individuais em apps e plataformas, como Nubank, 99 e Buscapé, surgissem, apesar das dificuldades. Agora, com a vinda da nova onda de tecnologias mais profundas — que exigem esforços sistêmicos — teremos um desafio e tanto pela frente, e esse desafio só será bem atacado se começarmos bem cedo, entendendo que este é um compromisso que exige consistência e longo prazo.

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DEEP Wylinka

A DEEP é uma plataforma de conhecimento criada pela Wylinka com o objetivo de estimular o desenvolvimento de ecossistemas de empreendedorismo e inovação por meio de conteúdos relevantes.

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