Retorno financeiro em aplicações com melhoria socioambiental: um futuro possível?

Em 2006, um grande evento marcou o mundo dos negócios: Muhammad Yunus era laureado com um Prêmio Nobel da Paz por seus esforços na criação de desenvolvimento econômico e social ao avançar com o modelo de microcrédito em Bangladesh. O modelo de negócios do Grameen Bank, criado por Yunus, era voltado ao pequeno empréstimo para o desenvolvimento de atividades artesanais de moradoras de vilarejos remotos do país — lucrando com o retorno usual de um empréstimo, mas com taxas de inadimplência bem mais baixas que bancos tradicionais. Em resumo, gerava lucros (que eram reinvestidos) ao mesmo tempo que retirava pessoas da pobreza, ou seja, gerando impacto.

Em consequência desse marco, os últimos 10 anos foram um período de bastante crescimento para os negócios de impacto. Diferente dos modelos de ONGs tradicionais, esses negócios conseguem se sustentar financeiramente como empresas normais, o que atraiu bastante gente interessada em gerar mais impacto, mas não viver sob o risco de não conseguir doações ou suporte governamental. Com essa emergência vimos nascer no Brasil aceleradoras de impacto, fundos de investimento de impacto, congressos e debates (como, por exemplo, o que define um negócio social/de impacto? — tópico que não entraremos por aqui).

Mas e qual o horizonte para aqueles que não têm o tempo para se engajar em negócios de impacto e, ao mesmo tempo, não têm grandes fortunas para atuação com fundos robustos? Esse é o objetivo desse post: apresentar algumas aplicações de impacto e horizontes possíveis! Listaremos abaixo possibilidades legais de modo a (i) incentivar novos investidores; (ii) incentivar novos empreendedores; (iii) incentivar novos órgãos de apoio a se engajarem nesses mecanismos. Não temos nenhum interesse ou agenda particular para as indicações que faremos aqui, ok? :)

Photo by Kat Yukawa on Unsplash

Impacto #1: energia renovável

Nas últimas décadas o avanço das tecnologias renováveis foi positivamente assustador. Placas solares mais eficientes, novas tecnologias de armazenamento, energia eólica se tornando viável, biomassa conseguindo se desenvolver e muito mais. Uma notícia boa é o fato de hoje, no Brasil, a energia eólica conseguir se equiparar à geração de energia de Itaipu. Mas ainda existe um grande desafio aqui: o custo de instalação. Colocar uma estrutura de painéis solares em um condomínio, por exemplo, custa dezenas (a centenas) de milhares. E é para resolver isso que surgiram algumas startups no Brasil, como a Cosol e a CartãoSolar, que permitem pequenos investidores colocarem seu dinheiro no financiamento das placas e, a boas taxas de retorno, receber descontos em sua conta de energia. :)

Impacto #2: florestas

Com novas técnicas avançando, como as desenvolvidas na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP (ESALQ), tem se tornado cada vez mais viável o investimento em florestas para comercialização futura de madeira. Por ser um investimento controlado e regularizado, diminui-se assim a exploração nociva em florestas nativas, com uma ampliação de espaços de sequestro de gás carbônico — grandes benefícios para o meio ambiente. No caso da Radix Florestal, por exemplo, tem-se um retorno de cerca de 12% ao ano (bem acima da maioria dos papéis de renda fixa, que estão girando em torno de 6% a 8%).

Impacto #3: moradia

Empresas que atuam com financiamento sempre foram altamente lucrativas — mas e se esse financiamento fosse direcionado à base da pirâmide, garantindo acesso a melhores acomodações e condições básicas a quem não tem acesso? Esse é o plano do pessoal da Vivenda: reforma fácil e acessível para favelas no Brasil. O mais legal? No começo do ano eles fizeram uma captação via debêntures com um rendimento de 7% ao ano.

Impacto #4: reinvestimento diversificado

No universo das aplicações financeiras, um horizonte comum são os fundos de investimentos — e hoje em dia também temos alguns se voltando para impacto! É o caso do AZ Quest Impacto, uma aplicação de uma renomada gestora cujo objetivo é oferecer retorno ao investidor com aplicações em papéis tradicionais, mas tendo parte do lucro gerado pela gestora destinada ao desenvolvimento do ecossistema de impacto social no Brasil. O fundo tem girado na casa de 6% ao ano, um valor comum para investimentos em renda fixa, com a diferença de 30% taxa de administração da gestora ser redirecionada a impacto.

Além desses, há outros caminhos?

Esse novo horizonte de aplicações financeiras que geram impacto ainda está engatinhando no Brasil, havendo muita fronteira interessante para exploração. Fora do Brasil, por exemplo, existem mecanismos de investimento educacional — no qual se investe em educação e captura-se um retorno sobre o salário gerado pela pessoa por um período após a formatura. Há também plataformas globais de microempréstimos online para comunidades na África. Sobre esta última plataforma, o Paul Graham, um dos nossos grandes gurus twittou a crença básica por trás de todas as iniciativas que falamos no post:

“It’s amazing how the numbers increase as the money cycles back through the system.”

As possibilidades são inúmeras. E se você ainda assim não possui dinheiro para investir, existem projetos que estão permitindo a doação em diversas causas sem colocar nenhum centavo (eles ganham expondo a marca de patrocinadores) — como é o caso do incrível aplicativo Ribbon!

Gostou do tema e quer conhecer mais sobre negócios de impacto? Nós, da Wylinka, acabamos de publicar um ebook sobre o tema: então baixe aqui o Ebook Inovação e Impacto Socioambiental para espalhar cada vez mais o tema por aí. Além disso, lá no nosso facebook tem conteúdo todo dia sobre o mundo melhorando, acompanha a gente por lá também!

E se a sua organização tem planos de atuar com inovação e impacto socioambiental, que tal falar com a gente? Temos uns produtos super bacanas voltados ao tema. É só mandar um e-mail para a Anna (anna.bolivar@wylinka.org.br), que ela te conta tudo :)

Esperamos que tenham gostado! Because when you rock, #wyrock =D

Autor: Artur Vilas Boas