Após repressão, protestos contra impeachment se espalham em outras capitais

Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

Pelo segundo dia seguido, uma manifestação contra o impeachment foi reprimida em São Paulo. Nesta terça-feira (30), milhares de pessoas protestavam contra o afastamento de Dilma Rousseff em direção ao prédio da Folha de S. Paulo, quando foram atacadas pela PM. Protestos começam a se espalhar em outras cidades do país nesta quarta.


A cidade de São Paulo virou mais uma vez palco da violência policial em um ato convocado nas redes sociais contra o impeachment.

Na segunda-feira (29), a Avenida Paulista já havia sido tomada por bombas de efeito moral e barricadas durante protesto convocado pela Frente Povo Sem Medo, deixando pelo menos um detido e dezenas de feridos.

Desta vez, foi a região do Centro da cidade que presenciou a brutalidade da repressão, na noite desta terça-feira (30).

Convocado pelas redes sociais e sem a presença de um núcleo organizador, o protesto começou no vão livre do Masp, às 19 horas. Desde aquele momento havia o temor de uma possível repressão por parte da polícia, que não permitia que a manifestação tivesse em seu trajeto o prédio da Fiesp. Lá, cerca de 10 pessoas permanecem acampadas desde o mês de março em defesa da intervenção militar. Através de denúncias da própria Agência Democratize, policiais descobriram um verdadeiro arsenal de armas brancas dentro do acampamento, que foram utilizadas para agredir manifestantes anti-Temer na segunda-feira.

Os manifestantes então determinaram que o trajeto seria até a Praça Roosevelt, descendo a Rua Augusta. Apesar do forte policiamento que acompanhava a manifestação e o clima de tensão, até aquele momento não havia qualquer confronto.

Porém, quando chegou na Roosevelt, os manifestantes decidiram prosseguir com o ato até a sede da Folha de S. Paulo, no centro da cidade.

A partir dai, a polícia mostrou que paciência não é o seu forte.

Com cada mais efetivo policial, a manifestação seguiu. Até o momento em que prisões foram efetuadas, e a correria generalizada começou.

Fotos: Gustavo Oliveira/Democratize

Com bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e spray de pimenta, policiais tentaram dispersar o ato protegendo o prédio da Folha. Novamente, várias pessoas ficaram feridas, incluindo um rapaz que levou um tiro de bala de borracha no rosto. “Eu achava que tinha ficado cego”, disse para a imprensa.

As prisões foram completamente fora do padrão. Enquanto um jovem tinha sua cabeça esmagada no concreto da avenida pelas mãos de um oficial, uma mulher gritava que não conseguia respirar, sendo segurada por pelo menos três policiais.

Enquanto as bombas continuavam a cair no centro, mais prisões foram efetuadas. Em um grupo pequeno de manifestantes, a PM fez um cerco e os fez deitar no chão. Eles foram liberados minutos depois, após sofrerem agressões físicas e psicológicas. Uma jovem de apenas 17 anos afirmou que os policiais a chamaram de “vagabunda” e “cachorra”, enquanto outra acusava um dos oficiais de ter apalpado seu corpo.

Um jovem secundarista afirmou ter sido espancado pelos policiais. Tremendo e com medo, ele contou para a imprensa que nenhum dos oficiais destacados na operação utilizava identificação.

Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

Apesar da brutalidade nos dois dias em São Paulo, as manifestações contra Temer e contra o impeachment devem continuar — e até mesmos e fortalecer, diante da repressão.

Mais duas manifestações estão confirmadas para esta quarta-feira (31), dia em que os senadores devem encerrar o processo de afastamento da presidente Dilma Rousseff através da votação.

Novamente São Paulo será um dos palcos, com protesto marcado para a Praça do Ciclista, no final da tarde. O Rio de Janeiro também terá mobilização, convocada por movimentos sociais da Frente Povo Sem Medo.

Outras cidades como Porto Alegre e Curitiba também já contam com manifestações confirmadas para esta quarta-feira.